Domingo, Janeiro 04, 2004
ESTATUTOS QUE A NAÇÃO TEM ORGULHO.
Estatutos do Idoso e do Desarmamento já estão em vigor
Cerca de 20 milhões de brasileiros contam desde ontem, 1º de janeiro, com uma Lei que promete trazer melhorias significativas para a vida deles. Entrou em vigor nesta quinta-feira o Estatuto do Idoso, sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva depois de sete anos de tramitação no Congresso Nacional.
Entre os principais benefícios da nova Lei está a concessão de um salário mínimo para brasileiros acima de 65 anos que não podem obter seu próprio sustento ou que a família comprove não ter renda para esse objetivo. Ao contrário do que ocorria até agora, esse benefício será concedido mesmo que outro membro da família já o receba. O Estatuto prevê atenção integral ao idoso, por intermédio do Sistema Único de Saúde - SUS, assegurada por meio de cadastramento e de ações e serviços, alternativos, que estimulem a não hospitalização e a manutenção do idoso junto a sua família e comunidade. Conforme estudos, a grande maioria (mais de 85%) dos idosos no Brasil apresenta pelo menos uma enfermidade crônica e cerca de 15% têm pelo menos cinco dessas doenças, como a hipertensão e as diabetes.
O estatuto estabelece, ainda, a atenção médica e odontológica, em serviços ambulatoriais, às doenças e agravos que afetam preferencialmente os idosos; fornecimento obrigatório de vacina conforme recomendação da autoridade sanitária; e a reabilitação para redução das seqüelas decorrentes de agravos à saúde.
Também é prevista a distribuição gratuita de medicamentos de uso continuado
e a obrigatoriedade dos profissionais de saúde notificarem, aos órgãos competentes, casos suspeitos ou confirmados de maus-tratos aos mais velhos. Em relação aos planos de saúde, as operadoras ficam proibidas de fazer reajustes em função da mudança de idade para 60 anos.
São garantidos ainda benefícios importantes, como o pagamento de meia-entrada em cinemas, shows e diversos eventos esportivos e de lazer e desconto de 50% (cinqüenta por cento), no mínimo, no valor das passagens, em ônibus interestaduais. As estimativas indicam que em 2025 o Brasil terá cerca de 32 milhões de idosos.
Ao sancionar o Estatuto, o presidente Lula lembrou que a nova Lei paga uma antiga dívida da sociedade brasileira com os mais velhos. "Mas, para que tudo isso se materialize, é preciso que esse instrumento de cidadania tenha a adesão de toda a sociedade. Só assim as inovações que ele traz - e as leis que ele regulamenta - irão se transformar, de fato, em direitos na vida dos nossos idosos", disse o Presidente.
Estatuto do Desarmamento
No último dia 22/12, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, sem vetos, o Estatuto do Desarmamento. A nova lei restringe a posse e o porte de armas no Brasil. "O estatuto certamente não será a solução para tudo, mas é um passo excepcional que vai poder nos dar, até a realização do referendo, o grau de maturidade que o povo brasileiro tem para enfrentar esse problema. Espero que, esse estatuto seja um presente para milhões de brasileiros que, no anonimato, têm lutado para ver a violência diminuir", disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Um dos pontos mais importantes é a realização, em outubro de 2005, de um referendo popular sobre a proibição ou não da venda de armas e munição.
A nova lei eleva de 21 para 25 anos a idade mínima para a aquisição de arma de fogo, além de proibir, em todo o território nacional, o porte de arma. Apenas os responsáveis pela segurança pública, integrantes das Forças Armadas, agentes de Inteligência e da segurança privada têm este direito. Outra medida do estatuto é a emissão do registro apenas para aqueles que comprovem a necessidade efetiva de manter a arma em casa.
"Trata-se de um projeto equilibrado que mostra a determinação do Congresso Nacional e do Estado em impedir o uso indiscriminado de armas, causa maior da violência no País", afirmou o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos.
Principais pontos do Estatuto do Desarmamento
- Poderão possuir e portar armas as Forças Armadas (Exército, Marinha e Aeronáutica) e as polícias Federal, Militar e Civil dentro e fora de seu expediente de trabalho.
- Cidadãos que quiserem possuir armas devem ter mais de 25 anos; comprovar habilidade técnica para atirar e habilidade física e psicológica; não ter antecedentes criminais; e, comprovar o exercício de ocupação prevista em lei e residência fixa.
- Quem comprovar necessidade especial ou risco à sua integridade poderá ter a posse autorizada limitadamente e por determinada região. Essa autorização será cassada se a pessoa for encontrada sob efeito de álcool ou entorpecentes.
- Funcionários de empresas de segurança poderão andar armados, desde que a lista de funcionários, com resultados de testes psicológicos, seja enviada semestralmente aos órgãos competentes. Funcionários demitidos perdem o direito de portar a arma.
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Terça-feira, Dezembro 09, 2003
09/12/2003 - PT:VONTADE COLETIVA VERSUS LIVRE ARBÍTRIO
O cerne do debate que se travará na próxima reunião do Diretório Nacional do PT, nos dias 13 e 14 de dezembro, será em torno do próprio conceito de partido político. Ou seja: um partido político deve ser a expressão de uma vontade coletiva, formada a partir de regras democráticas internas ou deve ser o reino do livre arbítrio das vontades individuais? Se um partido é uma associação voluntária de pessoas que se unem para lutar por objetivos comuns, estruturam um estatuto e definem regras de convivência e de comportamento, então, não há como negar o direito democrático do PT de julgar disciplinarmente parlamentares que votaram contra as diretrizes do partido e contra decisões de suas instâncias dirigentes.
Negar esse direito ao PT, de julgar e punir infrações disciplinares de acordo com as regras estatutárias, consistiria em aviltar a democracia fundada no princípio da associação voluntária. Significaria consagrar um princípio fraudulento da democracia, que consiste no comportamento não segundo normas. A democracia, por definição, significa o império da lei. Nesse contexto, a democracia é negadora do comportamento arbitrário dos indivíduos, que pretendem se impor ou impor sua vontade exclusiva pela força, pela fraude ou por qualquer outro expediente que nega o processo do debate, da discussão de opiniões para a formação de consensos e fundamentação de processos deliberativos.
Se há algo de autoritário, não é o direito que o PT tem, com base nos seus estatutos, de julgar atos indisciplinares. Se há algo de autoritário é essa tentativa de fazer com que o corpo inteiro de um partido político se vergue à vontade arbitrária de poucos. É estranho que alguns intelectuais, sempre dados aos rigores conceituais, se esqueçam exatamente dos conceitos de democracia e de liberdade, de partido político e de vontade coletiva, dando-se o direito de emitir acusações contra o PT, sem cerimônias e sem critérios.
O PT só se viabilizou como partido forte porque soube combinar dois princípios: liberdade de opinião e de crítica e unidade de ação configurada, principalmente, na disciplina de voto das bancadas. Foi este paradigma partidário que o PT quis e em parte está conseguindo consagrar na vida política brasileira. Com isso, o PT se chocou e se choca com uma das tradições mais negativas da prática política no Brasil, que se articula com um dos aspectos de caráter que herdamos dos povos ibéricos: a negação da atividade política fundada no livre-arbítrio. Tinha razão Sérgio Buarque de Holanda, em Raízes do Brasil, quando afirmava que as doutrinas que apregoam o livre-arbítrio são tudo, "menos favorecedoras da associação entre os homens".
Assim, não há como querer um partido forte, organizado, democrático, verdadeiramente representativo do eleitorado, se este partido se fundar na vontade arbitrária de cada um, principalmente daqueles que detém mandatos. Seguir este caminho é seguir a tradição política autoritária, do mando pessoal, do viés patriarcal, que na história do Brasil se impôs pela truculência física ou verbal dos coronéis, como tão bem retrataram Buarque de Holanda, Raimundo Faoro e Vitor Nunes Leal. Esse tradicional personalismo é avesso à boa disciplina e à organização, é desestruturador de vontades coletivas, de projetos e de interesses organizados. Nenhum grupo subalterno da sociedade, seja ele político ou social, terá qualquer chance de êxito se não se organizar e atuar a partir da formação de uma vontade coletiva.
Dessa forma, o PT não pode cair na armadilha de se intimidar com acusações sem fundamento e do emocionalismo lacrimejante, desprovido de conteúdo. Os que acusam o PT, os que reclamam, pestanejam e choram, precisam dizer qual é sua concepção de partido político. Mais do que isso: precisam dizer por que são contra uma reforma da Previdência que atacou privilégios para poucos que exauriam os recursos públicos. Uma reforma que diminuiu a desigualdade, estabeleceu o princípio da equidade e abriu caminhos para que milhões de brasileiros deserdados dos benefícios previdenciários possam ingressar no sistema de direitos.
Para que o debate não se perca em querelas sectárias e sensacionalistas precisa ser trazido para o terreno do conteúdo. É no terreno do conteúdo o lugar onde a democracia pode frutificar porque a democracia, além de ser regra, lei, ela é também argumento, opinião, convencimento. O PT deu todas as chances possíveis aos parlamentares que serão julgados por atos indisciplinares. Garantiu-lhes o direito de debater, de propor, de criticar publicamente as posições do Partido. Só não lhes franqueou a possibilidade de votar contra a organização partidária porque isto significaria o princípio da auto-destruição.
Na medida em que os parlamentares em questão romperam unilateralmente com o PT e já que o PT é uma associação voluntária, como define o artigo I dos Estatutos, o caminho mais lógico e coerente desses parlamentares seria o de se desligarem do Partido. Incoerentes com o PT, parecem ser incoerentes consigo mesmos ao permanecerem numa agremiação que condenam, que fazem oposição sistemática, que agridem verbalmente seus dirigentes. Além de romperem com a disciplina partidária romperam com a possibilidade de um convívio interno de companheirismo, adequado aos que pertencem a uma mesma comunidade partidária.
José Genoino é presidente nacional do PT
José Genoino
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Quinta-feira, Dezembro 04, 2003
ESTRATÉGIA DOS EUA PARA DOMINAR O MUNDO.
Chomski denuncia estratégia dos EUA para dominarem o mundo
¿ Com base na prática de que uma mentira repetida vira verdade, Washington desatou a agressão e ocupação do Iraque ¿ O presidente Fidel Castro participou da palestra do filósofo estadunidense
O destacado filósofo norte-americano, Noam Chomsky, professor do Instituto Tecnológico de Massachusetts, denunciou em Havana a política reacionária do governo de George W. Bush numa palestra magistral, durante a 25ª Assembléia do Conselho Latino-Americano das Ciências Sociais (Clacso), denominada ¿Dilemas da dominação¿.
Na presença do presidente Fidel Castro, Chomsky referiu-se a como o governo norte-americano manipulou a população de seu país para poder levar a termo a agressão e ocupação posterior do Iraque, baseando-se na prática de que uma mentira repetida vira verdade.
O conhecido acadêmico norte-americano destacou os passos dados por Washington para conseguir o domínio unipolar do planeta, não só com a adoção das chamadas agressões preventivas, que pode determinar arbitrariamente para qualquer lugar do Terceiro Mundo, mas sim com uma série de passos como o abandono dos princípios dum espaço cósmico pacífico, a renúncia ao tratado de proibição de armas biológicas, a não assinatura do Protocolo de Kyoto, entre outras ações que o caracterizam.
«A estratégia de segurança nacional adotada por Bush provocou temores no mundo todo», disse, «e nos principais jornais publicaram-se artigos sobre o perigo que constitui para o mundo a extensão das armas de extermínio em massa».
O acadêmico advertiu que antes da guerra ao Iraque se fez um alerta no sentido de que a mesma acarretaria um incremento do terrorismo, pois os mais fracos podem recorrer a determinadas armas de extermínio massa, bem como à violência, mas os Estados Unidos fizeram ouvidos de mercador.
Parte da estratégia do governo atual inclui também a redução dos impostos e aumento das despesas militares, a custa de aumentar o déficit fiscal e reduzir as verbas para os programas de caráter social. Acrescentou que não se pode esquecer que a manipulação da opinião pública foi algo que funcionou durante os 12 anos dos governos de Ronald Reagan e Bush pai.
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Quinta-feira, Novembro 27, 2003
GGI SUDESTE
Nº 117 - Brasília, 26 de novembro de 2003.
Gestão integrada garantirá mais segurança
Mais um importante passo foi dado pelo Governo Federal para combater o crime organizado no Brasil. Foi instalado, no último dia 18, o Gabinete de Gestão Integrada da Segurança Pública para a região Sudeste (GGI-Sudeste). O Gabinete dará suporte aos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo na investigação e no combate ao crime organizado, agrupando os trabalhos de inteligência, operações e informação. A coordenação do GGI-Sudeste será da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), com representantes dos quatro estados, da Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal.
Para o Governo Federal, a experiência da gestão integrada na área da segurança pública será um passo decisivo para a construção de um Brasil seguro. O GGI-Sudeste é produto direto do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP), que vem sendo implantado pelo governo Lula desde o início do ano com o objetivo de integrar as polícias federais e estaduais em ações de investigação e combate ao crime organizado, seguindo o Plano Nacional de Segurança Pública.
A região Sudeste foi beneficiada com a liberação de R$ 67,3 milhões, de um total de R$ 105,4 milhões repassados até agora pelo Governo para investimentos em segurança pública nos quatro estados.
Desde o início de janeiro, o Governo Federal vem colocando em curso uma nova política para a segurança pública no país. Até o ano passado, a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) funcionava como uma simples tesouraria do Fundo Nacional de Segurança Pública, na distribuição de recursos de modo fragmentado e disperso, destinado a projetos isolados.
Neste ano, a Senasp teve suas atribuições redefinidas e passou a ser a responsável pela criação e implantação do SUSP, que tem como principal diretriz o redesenho do aparelho policial brasileiro. Para isso, a Senasp transformou o fundo em instrumento indutor da política nacional de segurança. Em lugar de projetos isolados, decidiu privilegiar aqueles que contenham planejamento, metas, avaliação e monitoramento. A secretaria mantém seu papel de responsável pela formulação, articulação e indução de uma política norteada pelo Plano Nacional de Segurança Pública.
O Sistema Único de Segurança Pública conquistou, em dez meses de governo, a adesão de 25 estados mais o Distrito Federal. Resta ainda Pernambuco, que deverá formalizar sua adesão até o final do ano. Em 2003, foram assinados convênios da ordem de R$ 174 milhões em recursos do fundo com estados e municípios. Os estados que já celebraram convênios são: Amazonas, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo. Entre os municípios estão São Paulo, Diadema e Piracicaba, no estado de São Paulo; e as cidades de Resende e Paracambi, no Rio de Janeiro.
Para promover a mudança instituída pelo SUSP na relação entre as polícias, além do GGI Sudeste, estão em operação Gabinetes de Gestão Integrada nos estados de Mato Grosso, Paraíba, Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul. Em Pernambuco, a integração de práticas de segurança pública está se dando por meio do Consórcio Metropolitano de Segurança Urbana e Prevenção à Violência da Região Metropolitana de Recife, que reúne 14 municípios. O projeto vai receber R$ 5 milhões do Governo Federal e tem como objetivo desenvolver e implantar novas práticas de planejamento e gestão integrada para a prevenção da violência, entre os três níveis de governo, seus órgãos setoriais e com a sociedade civil, além de deflagrar e gerenciar um processo sustentado de redução dos índices de violência e criminalidade na região.
Conheça mais sobre os principais objetivos do SUSP
1. Gestão unificada da informação - Com uma central de recebimento de todas as demandas da área de segurança, o objetivo será reduzir a criminalidade por meio de coleta de informações e prevenção do crime.
2. Gestão do sistema de segurança - Forma de organização unificada para definir áreas integradas de segurança nos espaços físicos das cidades. Em vez de ter várias delegacias espalhadas pelos estados, a solução, de acordo com o Plano, é ter áreas geográficas definidas com estruturas que abriguem perícia, polícias civil e militar.
3. Formação e aperfeiçoamento de policiais - Treinamento de policiais civis e militares por meio de academias integradas.O objetivo é valorizar o profissional e promover maior conscientização no exercício da cidadania. A Secretaria Nacional de Segurança Pública tem um setor de formação e aperfeiçoamento que já está trabalhando nos currículos das academias para definir o conteúdo dos cursos de formação.
4. Valorização das perícias - Priorizar a valorização das perícias nos estados para uma melhor investigação dos vestígios dos crimes.
5. Prevenção da violência e da criminalidade - Realizar ações concretas para prevenir e reduzir a violência nos estados. A Polícia Comunitária será utilizada nesse trabalho de prevenção.
6. Ouvidorias independentes e corregedorias unificadas - O objetivo é realizar o controle externo sobre a ação da segurança pública nos estados. A ouvidoria tem o compromisso de ouvir as reclamações da população e identificar abusos. A corregedoria atua na fiscalização dos atos dos policiais civis militares.
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Segunda-feira, Novembro 24, 2003
FOCO IRREAL.
22/11/2003 - Maioridade penal aos 16 anos: Foco irreal
Seguindo o raciocínio daqueles que defendem a redução da maioridade penal dos 18 para os 16 anos, poderíamos questionar: por quê não baixar para 12 anos de uma vez? Será que traficantes e quadrilhas já não recrutam estas crianças para participar de crimes e delitos de toda espécie? Por quê então, reduzir só para 16 anos?
Ainda dentro desta lógica, de quem defende a redução para 16 anos, podemos observar que se trata mais de um ato impensado de vingança, de desforra e até de compensação, do que uma medida eficaz na resolução da criminalidade e atitudes violentas decorrentes. Afinal, se uma determinada garota é estuprada e morta por um jovem de 19, 17 ou 15 anos, qual a diferença para a vítima e seus familiares? Hoje, nossa legislação pune com a detenção numa penitenciária aquele que tem 19 anos e os demais encaminha para a FEBEM, quando muito. O que se discute, é se o jovem de 17 anos deve ir para a penitenciária também! Mas, e se o crime foi cometido pelo jovem de 15 anos? Certamente o sentimento é de que ele ficaria "livre", com "ar de impunidade". Vejam, portanto, que discutir apenas a redução da maioridade penal, tem um foco irreal e nada resolutivo.
Este e tantos outros assuntos polêmicos, como pena de morte, aborto, casamento gay, estarão sempre "de plantão" no centro cerebral raivoso dos cidadãos, prontos para entrarem em cena, sempre que houver algum caso que sensibilize a sociedade e que a mídia resolva tornar tema nacional. Agora, mataram aquele casal de jovens classe média, que faziam uma aventura amorosa secreta, num lugar afastado e romântico. Só que ao contrário dos sonhos encantados, onde aparecem os monstros mas os mocinhos sempre ganham, este não teve o final feliz! O episódio foi bárbaro, odioso e para que não ocorra mais estes finais tristes nos sonhos encantados, vamos mudar as regras e prender os monstros 2 anos antes? Pronto, reagimos ao episódio para que não haja mais finais tristes!
É claro que a sociedade deve cobrar das autoridades responsáveis por segurança pública, uma atitude que ao menos comece a resolver o problema. Também sabemos que as possíveis resoluções passam por questões que dependem umas das outras, como o desemprego, a revisão e modernização do sistema penitenciário, a justa distribuição de renda, a reintegração e valorização da família, o fim da impunidade dentre outras.
Por isso mesmo é que não se deve deixar dois ingredientes agirem conjuntamente: "o fígado e as paixões". Até o Governador Geraldo Alckmin entrou nessa, pois propôs medidas que ele próprio não executará, como: prazo determinado para o cumprimento de medida sócio educativa, aumento no tempo de internação dos menores que cometem crimes graves e transferência dos que completam 18 anos para as penitenciárias. Será que a FEBEM se reestruturou e tem capacidade para reeducar algum adolescente? Nós não sabemos! Será que as penitenciárias estão com espaço sobrando nas celas para receberem mais jovens? Vamos prender o pequeno infrator junto com o Elias Maluco e outros professores do crime? Realmente não dá para acreditar que isso seja reação de um governador, que aliás é o responsável pelas polícias civis e militares no estado. É preciso ser mais conseqüente e jogar menos para a torcida!
Dentro deste quadro, que tal discutirmos um sistema de detenção onde se possam separar os presos de acordo com seu delito e potencial de reincidência? Como reintegrá-los à sociedade ao invés de deixá-los 24 horas aprendendo com os professores do crime? Como criar e estruturar espaços para que os menores de 18 anos possam cumprir sua "pena" e serem reeducados para a sociedade? E a tão apoiada idéia dos presos trabalharem como forma de auto-financiar o sistema prisional e se ocuparem? Itens como estes é que deveriam ser discutidos e viabilizados.
Não quero apequenar a discussão e restringi-la apenas a redução da maioridade penal, mas quero saber se a pena é uma vingança ou um ato corretivo e de proteção da sociedade contra aqueles que não estão aptos a viver com seus semelhantes. Até que medidas realmente eficazes e conseqüentes sejam propostas, sou contra mandar nossos adolescentes mais cedo para "escola do crime" e totalmente a favor de completa mudança no sistema prisional brasileiro.
Durval Orlato (PT-SP) é deputado federal
e-mail: gab.orlato@uol.com.br
Durval Orlato
Quinta-feira, Novembro 13, 2003
12/11/2003 - Anistia Internacional elogia Estatuto do Desarmamento
A secretária nacional da Anistia Internacional, Irene Khan, elogiou na tarde desta quarta-feira a aprovação do Estatuto do Desarmamento pela Câmara dos Deputados e cobrou uma reformulação geral das polícias no Brasil.
"Percebemos com muito interesse a importância que o Brasil tem dado à agenda social no campo internacional. Espero que na área doméstica o Brasil também coloque os direitos humanos como meta de políticas públicas", disse. Khan participou de audiência pública promovida pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara e pela Comissão de Constituição e Justiça e de Redação.
A aprovação do Estatuto do Desarmamento foi apontada por Irene Khan como importante inovação na legislação brasileira. "A Anistia Internacional vem lutando pelo não comércio de armas leves, que são a principal causa da violência no mundo. Meio milhão de pessoas morrem no mundo por ano vítimas de armas de pequeno porte. No Brasil, o número é de 40 mil mortes por ano", informou. Ela classificou a iniciativa da Câmara como "um passo importantíssimo" em direção ao fim do comércio das armas de fogo.
Para Irene Khan, a reformulação das polícias militares no Brasil deve ser encarada como uma "medida associada à política de desarmamento". "Se não houver uma reforma abrangente e uma preocupação com o crime organizado, vai haver mais gente na prisão. Mas as armas vão continuar nas ruas". Segundo relatório da própria Anistia Internacional, a violência policial tem crescido no Brasil. O número de pessoas mortas por policiais subiu 31% no último ano. No estado do Rio de Janeiro, o aumento foi de 36%.
Durante a reunião ordinária da Comissão de Direitos Humanos, foram aprovados dois requerimentos propostos por deputadas petistas. O primeiro, da deputada Fátima Bezerra (RN), sugere a realização de audiência pública para discutir a adoção do código de conduta do turismo contra a exploração sexual infanto-juvenil no Brasil. O segundo, da deputada Iriny Lopes (ES), sugere audiência pública com representantes da Polícia Federal de Roraima.
Agência Informes
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Terça-feira, Outubro 28, 2003
PRESIDENTE LULA É LÍDER
27/10/2003 - Lula é o mais bem avaliado na América Latina, aponta pesquisa
Uma pesquisa realizada pela universidade de Miami e a consultoria Zogby Internacional que consultou "as elites" de seis países latino-americanos trouxe o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como um dos líderes com maior índice de aprovação na América Latina. O segundo presidente bem avaliado pela pesquisa foi o chileno Ricardo Lagos. Segundo informações da Agência Estado, os resultados serão divulgados nesta terça-feira (28), em Miami, durante a Conferência das Américas.
A pesquisa entrevistou 537 pessoas de renda média alta ou alta, residentes em áreas urbanas. Os participantes eram membros de quatro grupos: governo, mídia, meio acadêmico e empresariado. Os países pesquisados foram o Brasil, Colômbia, Venezuela, Chile, México e Peru.
O jornal norte-americano Miami Herald antecipou, nesta segunda-feira, os resultados da pesquisa. O presidente Lula foi o que registrou uma das mais altas taxas de aprovação. Lula possui aprovação de 63% dos argentinos e 78% dos mexicanos. No Brasil, o índice de aprovação de Lula foi de 65%.
Leia a notícia do jornal Miami Herald (em inglês)
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Sexta-feira, Outubro 24, 2003
Quinta-feira, Outubro 23, 2003
DESARMAMENTO
23/10/2003 - Veja os principais pontos do Estatuto do Desarmamento
Após debater exaustivamente o substitutivo do deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP), a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara aprovou ontem o Estatuto do Desarmamento (PL nº 1.555/03), com apenas nove votos contrários. Para o relator, mesmo com algumas modificações, foram mantidos os três pontos principais do projeto: controle federal do porte de armas, proibição de fiança para porte ilegal e previsão de referendo sobre o comércio de armas de fogo no país. O projeto foi a plenário logo em seguida. Os deputados aprovaram requerimento para tramitação em regime de urgência e no início da noite iniciaram a discussão da matéria, que será votada em sessão extraordinária marcada para hoje, às 9h.
Para garantir a apreciação do Estatuto do Desarmamento pela CCJ foi necessário um grande acordo, principalmente em torno do referendo. No parecer o deputado Greenhalgh, a consulta popular seria em 2005, como foi aprovado pelo Senado. Agora, não há data especifica para o referendo. "A manutenção da consulta popular foi uma vitória. Houve muitas pressões para alterar o texto, mas o essencial foi mantido. Espero que a decisão da CCJ seja confirmada pelo plenário", afirmou o relator.
Mudanças
Ao todo, Greenhalgh acatou seis sugestões apresentadas durante os debates. Além da retirada da data para o referendo, foi garantido também o desconto de 80% no valor das taxas para registro de armas e porte para integrantes das Forças Armadas, guardas municipais, agentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e guardas penitenciários. O texto previa o desconto apenas para os moradores da área rural que terão o registro na categoria de caçador.
O relator incluiu também nas exceções para obtenção de porte de arma os guardas prisionais e portuários. Outra modificação foi no artigo 6º, inciso IV, que passa a permitir que, além dos integrantes das Forças Armadas e das policias federais, os policiais civis e militares dos estados e do Distrito Federal, quando em atividade, fiquem dispensados da exigência de comprovar capacidade técnica e psicológica para o manuseio da arma de fogo e de residência fixa para adquirir arma de fogo de uso permitido.
Destaques
Dos 12 destaques apresentados, cinco foram retirados, e só um dos apreciados foi aprovado: o que retirou do artigo 11° a palavra "exclusiva". Segundo Greenhalgh, mesmo suprimindo a palavra, a autorização para o porte de arma de uso permitido continua sendo competência da Polícia Federal. O deputado Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ) não conseguiu aprovar destaque para impedir que as guardas municipais tenham porte de armas. Ele já anunciou que vai reapresentar o destaque em plenário. "Com o porte, o Legislativo corre o risco de conceder às guardas municipais um poder de polícia que não é constitucional", justificou.
Principais pontos
- O porte de arma é proibido, salvo para integrantes das Forças Armadas; das guardas municipais das capitais e cidades com mais de 500 mil habitantes; da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal; da Polícia Ferroviária Federal; das polícias civis, militares e corpos de bombeiro militares; agentes e guardas penitenciários; e agentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin);
- Será permitido o porte, na categoria de caçador, para residentes de áreas rurais que comprovem depender do uso de arma de fogo para a sobrevivência da família;
- É vedado ao menor de 25 anos adquirir arma de fogo, ressalvados os integrantes das categorias acima;
- O porte ilegal é considerado crime inafiançável;
- O detentor de porte armas perderá automaticamente a licença caso seja detido em estado de embriaguez ou sob efeito de substâncias químicas ou alucinógenas;
- Caberá ao Sistema Nacional de Armas (Sinarm), a ser instituído no Ministério da Justiça, cadastrar as armas de fogo produzidas, importadas e vendidas no país e as autorizações e renovações de porte expedidas pela Polícia Federal; integrar no cadastro os acervos policiais já existentes, cadastrar armeiros em atividade no país, bem como conceder licença para o exercício da atividade. O Ministério poderá celebrar convênios com estados e com o Distrito Federal para o cumprimento das atribuições do Sinarm;
- Para adquirir arma de fogo de uso permitido, o interessado deverá, além de declarar sua efetiva necessidade, atender a requisitos como: comprovar idoneidade por meio da apresentação de certidões de antecedentes criminais, ter ocupação lícita e residência certa e comprovar capacidade técnica e psicológica para manuseio de arma de fogo;
- O certificado de registro de arma de fogo, com validade em todo o país, autoriza o seu proprietário a manter a arma exclusivamente no interior de sua residência;
- As autorizações de porte já concedidas expiram 90 dias após a publicação da lei;
- A empresa que comercializa arma de fogo tem obrigação de comunicar a venda à autoridade competente, bem como manter o banco de dados com todas as características da arma;
- É proibida a fabricação, venda, comercialização e importação de brinquedos e réplicas de armas de fogo;
- Determina penalidade para guarda ilegal de arma de fogo, para quem deixar arma ao alcance de menores de 18 anos ou deficiente mental, para quem portar, fornecer ou transportar arma de fogo sem autorização, para quem suprimir ou alterar marca e identificação de arma;
- Ficam instituídas as seguintes taxas: R$ 300 para registro de arma, renovação do registro e segunda via de registro de arma, e R$ 1.000 para expedição do porte de arma, renovação do porte e segunda via do porte de arma. Os valores arrecadados vão para o custeio e manutenção das atividades do Sinarm.
Agência Informes
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Terça-feira, Outubro 21, 2003
Nº 95 - Brasília, 20 de outubro de 2003.
Programa inclui e emancipa famílias
"O Bolsa Família aumenta os benefícios, mas aumenta também o compromisso e a responsabilidade das famílias atendidas com o seu próprio futuro" - Luiz Inácio Lula da Silva.
O Programa Bolsa Família, lançado pelo Governo Federal, é uma evolução dos programas de complementação de renda que hoje existem no País, pois irá transformar os programas existentes atualmente - Bolsa Escola, Bolsa Alimentação, Cartão Alimentação e Auxílio Gás - em um só. Como o próprio nome diz, o novo programa visa dar proteção integral a todo o grupo familiar, e não apenas a algum dos seus membros.
O valor dos benefícios pagos a cada família será, em média, triplicado e a integração com outros programas sociais desenvolvidos por estados e municípios criará portas de saída da situação de exclusão social na qual se encontram milhares de brasileiros. A meta do Governo Federal é atingir, até o final de 2006, um total de 11,4 milhões de famílias.
O Governo Federal vê a inclusão social como um fator fundamental para o desenvolvimento do País. Por isso, além de aumentar os benefícios concedidos às famílias, o Bolsa Família aumenta também o compromisso e a responsabilidade das famílias atendidas com o desenvolvimento de seus integrantes e do seu futuro. Isso porque, para continuar a receber o benefício, a família terá que manter em dia a caderneta de vacinação dos filhos, comprovar sua presença na escola, freqüentar os postos de saúde da rede pública e, também, participar de atividades de orientação alimentar e nutricional, programas de alfabetização, cursos profissionalizantes, entre outros, quando oferecidos.
"Queremos que as pessoas aprendam a pescar, pesquem seus peixes e possam comer, sem precisar, a vida inteira, depender do Governo. É por isso que queremos que as pessoas se cuidem, vão para a escola e, ao mesmo tempo, os adultos possam fazer cursos profissionalizantes e se alfabetizarem", destacou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na solenidade de lançamento do programa.
Esses compromissos representam direitos que, a médio e longo prazos, aumentam a autonomia das famílias e sua possibilidade de integração ao mercado de trabalho, ampliam a capacidade de geração de renda para seus membros e, dessa forma, contribuem para o combate estrutural da pobreza e para a melhoria das condições de vida do grupo familiar.
Saiba mais sobre o Programa Bolsa Família:
Quem será beneficiado pelo Programa Bolsa Família?
Inicialmente, serão integradas ao Bolsa Família as famílias com renda mensal per capita de até R$ 50 e as que já recebem benefícios dos programas Bolsa Escola, Bolsa Alimentação ou Cartão Alimentação. Para todas as famílias selecionadas, com renda mensal de até R$ 50,00 por pessoa, o Bolsa Família vai depositar, mensalmente, um benefício fixo de R$ 50,00, tenham filhos ou não. Além desse valor fixo, as famílias com filhos entre 0 e 15 anos terão um benefício variável de R$ 15,00 por filho, até o limite de três benefícios. Para as famílias com renda mensal acima de R$ 50,00 até R$ 100,00 por pessoa, o Bolsa Família vai depositar mensalmente o benefício variável de R$ 15,00 por filho de 0 a 15 anos, até o limite de três benefícios.
Os programas atuais deixarão de existir?
Até que todas as famílias que atualmente recebem algum benefício dos programas existentes sejam incorporadas ao Bolsa Família, nenhum desses programas será interrompido. As famílias que estão sendo integradas ao Bolsa Família receberão o benefício por meio dos cartões que possuem. Apenas as famílias já integradas ao Bolsa Família deixarão de receber os benefícios dos programas atuais.
Quantas famílias serão integradas ao novo programa?
Ainda em outubro, 1,2 milhão de famílias estarão integradas ao novo programa e, até o final deste ano, serão 3,6 milhões. A meta do Governo Federal é atingir, até o fim de 2006, 11,4 milhões de famílias.
Há risco das famílias passarem a receber um benefício menor do que o recebido atualmente?
Nenhuma família, em nenhuma hipótese, sofrerá redução nos valores do benefício que recebe atualmente do Governo Federal. Pelo contrário, os valores serão aumentados. Hoje, o valor médio do complemento de renda para as famílias mais pobres que recebem Bolsa Escola ou Bolsa Alimentação é inferior a R$ 25. Com o Bolsa Família, o valor médio desse benefício será triplicado.
O Bolsa Família está relacionado com o Programa Fome Zero?
O novo programa fortalece a agenda do Fome Zero e contribui com seu objetivo de assegurar três refeições por dia para todos os brasileiros, à medida que amplia o acesso à alimentação e cria portas de saída da situação de exclusão.
Em Questão. Editado pela Secretaria de Comunicação de Governo e Gestão Estratégica da Presidência da República.
Para receber o Em questão, por correio eletrônico, mande uma mensagem para emquestao@secom.planalto.gov.br,
escrevendo "incluir" no campo de assunto. Tendo dúvidas ou sugestões, use o mesmo endereço.
Caso não visualize este documento na sua integridade,
ou formatação clique aqui para ver sua versão disponibilizada
no Portal do Governo Brasileiro (http://www.brasil.gov.br).
Nº 95 - Brasília, 20 de outubro de 2003.
Programa inclui e emancipa famílias
"O Bolsa Família aumenta os benefícios, mas aumenta também o compromisso e a responsabilidade das famílias atendidas com o seu próprio futuro" - Luiz Inácio Lula da Silva.
O Programa Bolsa Família, lançado pelo Governo Federal, é uma evolução dos programas de complementação de renda que hoje existem no País, pois irá transformar os programas existentes atualmente - Bolsa Escola, Bolsa Alimentação, Cartão Alimentação e Auxílio Gás - em um só. Como o próprio nome diz, o novo programa visa dar proteção integral a todo o grupo familiar, e não apenas a algum dos seus membros.
O valor dos benefícios pagos a cada família será, em média, triplicado e a integração com outros programas sociais desenvolvidos por estados e municípios criará portas de saída da situação de exclusão social na qual se encontram milhares de brasileiros. A meta do Governo Federal é atingir, até o final de 2006, um total de 11,4 milhões de famílias.
O Governo Federal vê a inclusão social como um fator fundamental para o desenvolvimento do País. Por isso, além de aumentar os benefícios concedidos às famílias, o Bolsa Família aumenta também o compromisso e a responsabilidade das famílias atendidas com o desenvolvimento de seus integrantes e do seu futuro. Isso porque, para continuar a receber o benefício, a família terá que manter em dia a caderneta de vacinação dos filhos, comprovar sua presença na escola, freqüentar os postos de saúde da rede pública e, também, participar de atividades de orientação alimentar e nutricional, programas de alfabetização, cursos profissionalizantes, entre outros, quando oferecidos.
"Queremos que as pessoas aprendam a pescar, pesquem seus peixes e possam comer, sem precisar, a vida inteira, depender do Governo. É por isso que queremos que as pessoas se cuidem, vão para a escola e, ao mesmo tempo, os adultos possam fazer cursos profissionalizantes e se alfabetizarem", destacou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na solenidade de lançamento do programa.
Esses compromissos representam direitos que, a médio e longo prazos, aumentam a autonomia das famílias e sua possibilidade de integração ao mercado de trabalho, ampliam a capacidade de geração de renda para seus membros e, dessa forma, contribuem para o combate estrutural da pobreza e para a melhoria das condições de vida do grupo familiar.
Saiba mais sobre o Programa Bolsa Família:
Quem será beneficiado pelo Programa Bolsa Família?
Inicialmente, serão integradas ao Bolsa Família as famílias com renda mensal per capita de até R$ 50 e as que já recebem benefícios dos programas Bolsa Escola, Bolsa Alimentação ou Cartão Alimentação. Para todas as famílias selecionadas, com renda mensal de até R$ 50,00 por pessoa, o Bolsa Família vai depositar, mensalmente, um benefício fixo de R$ 50,00, tenham filhos ou não. Além desse valor fixo, as famílias com filhos entre 0 e 15 anos terão um benefício variável de R$ 15,00 por filho, até o limite de três benefícios. Para as famílias com renda mensal acima de R$ 50,00 até R$ 100,00 por pessoa, o Bolsa Família vai depositar mensalmente o benefício variável de R$ 15,00 por filho de 0 a 15 anos, até o limite de três benefícios.
Os programas atuais deixarão de existir?
Até que todas as famílias que atualmente recebem algum benefício dos programas existentes sejam incorporadas ao Bolsa Família, nenhum desses programas será interrompido. As famílias que estão sendo integradas ao Bolsa Família receberão o benefício por meio dos cartões que possuem. Apenas as famílias já integradas ao Bolsa Família deixarão de receber os benefícios dos programas atuais.
Quantas famílias serão integradas ao novo programa?
Ainda em outubro, 1,2 milhão de famílias estarão integradas ao novo programa e, até o final deste ano, serão 3,6 milhões. A meta do Governo Federal é atingir, até o fim de 2006, 11,4 milhões de famílias.
Há risco das famílias passarem a receber um benefício menor do que o recebido atualmente?
Nenhuma família, em nenhuma hipótese, sofrerá redução nos valores do benefício que recebe atualmente do Governo Federal. Pelo contrário, os valores serão aumentados. Hoje, o valor médio do complemento de renda para as famílias mais pobres que recebem Bolsa Escola ou Bolsa Alimentação é inferior a R$ 25. Com o Bolsa Família, o valor médio desse benefício será triplicado.
O Bolsa Família está relacionado com o Programa Fome Zero?
O novo programa fortalece a agenda do Fome Zero e contribui com seu objetivo de assegurar três refeições por dia para todos os brasileiros, à medida que amplia o acesso à alimentação e cria portas de saída da situação de exclusão.
Em Questão. Editado pela Secretaria de Comunicação de Governo e Gestão Estratégica da Presidência da República.
Para receber o Em questão, por correio eletrônico, mande uma mensagem para emquestao@secom.planalto.gov.br,
escrevendo "incluir" no campo de assunto. Tendo dúvidas ou sugestões, use o mesmo endereço.
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VIVA LULA PRESIDENTE DO BRASIL!
20/10/2003 - Leia a íntegra do discurso de Lula no Encontro Parlamentar sobre a Alca
Excelentíssimo senador José Sarney, presidente do Congresso Nacional,
Excelentíssimo deputado João Paulo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados,
Excelentíssimo Raul Alfonsín, ex-presidente da Nação Argentina e, hoje, senador da República,
Senhoras e senhores embaixadores acreditados junto ao meu governo,
Meus caros companheiros ministros de Estado do meu governo,
Roberto Rodrigues, da Agricultura,
Luiz Furlan, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio,
Samuel Pinheiro, ministro interino das Relações Exteriores,
Meu companheiro José Dirceu, da Casa Civil,
Miro Teixeira, das Comunicações,
E companheiro Olívio Dutra, ministro das Cidades,
Meu caro deputado Ney Lopes, presidente do Parlamento Latino-Americano,
Deputados e deputadas das Américas, que estão participando deste seminário,
Senadores e deputados brasileiros,
Meus amigos e minhas amigas,
A negociação da Área de Livre Comércio das Américas é hoje um dos temas mais debatidos no Brasil. O Congresso Nacional, a imprensa, o meio acadêmico e a sociedade civil acompanham de perto, e com crescente interesse, a evolução das negociações. Trata-se de um tema de política externa que repercute intensamente no plano interno.
E, na realidade, há boas razões para isto. Afinal, a ALCA não envolve apenas a liberalização comercial e a abertura de mercados. Está em jogo, também, segundo as fórmulas que vinham sendo propostas, o tratamento de temas complexos e sensíveis, de grande relevância para o desenvolvimento do Brasil, como serviços, investimentos, compras governamentais e propriedade intelectual.
Sob o aspecto estritamente comercial, já nos foi claramente indicado que temas de fundamental interesse para o Brasil como subsídios agrícolas e normas antidumping não serão objeto de negociações na ALCA. Isto cria evidentes limitações. Ainda assim, estamos dispostos a negociar de forma construtiva e pragmática, sem perder de vista interesses essenciais e o indeclinável dever de zelar pela nossa soberania.
Desejamos uma participação maior no comércio internacional. Obviamente nos atrai a possibilidade de acesso preferencial ao mercado mais dinâmico do mundo, que é o dos Estados Unidos. Como é normal em qualquer negociação, devemos estar dispostos a fazer concessões recíprocas, orientadas pela lógica dos benefícios mútuos.
Mas a lucidez política nos obriga a não nos impressionarmos só com o varejo - em detrimento da visão de conjunto. Não seria sábio, tampouco, nos concentrarmos no lucro imediato, e perder de vista o médio e o longo prazo.
Como a maior economia da América do Sul o Brasil tem, não só o direito, mas a obrigação de ajudar a definir um projeto de ALCA que seja favorável a todos os países e, sobretudo, aos países mais pobres. Foi o que fizemos com os nossos sócios do Mercosul.
Acabo de regressar da Argentina, onde o presidente Kirchner e eu concordamos plenamente com a necessidade de que a proposta do Mercosul seja uma referência básica para as negociações. Quero que fique claro para todos, de uma vez por todas: para o Brasil, para o Mercosul, o foco da questão não é dizer "sim" ou "não" à ALCA, mas definir qual a ALCA que nos interessa.
O que não faz sentido é conceder acesso preferencial a nosso mercado sem uma contrapartida em áreas onde somos mais competitivos, como a agricultura, em que além da concorrência desleal dos subsídios enfrentamos barreiras tarifárias e não tarifárias que impedem o acesso de nossos produtos. As ofertas até agora apresentadas indicam que as possibilidades de ganhos neste setor são bastante limitadas.
Por outro lado, ao considerarmos o possível resultado das negociações, não podemos esquecer que estamos lidando com um conjunto de países extremamente heterogêneo, em termos de tamanho, população, nível de desenvolvimento econômico e social.
Em uma palavra, o que queremos é uma ALCA equilibrada, que nos garanta real acesso aos mercados do hemisfério, e que, ao mesmo tempo, nos deixe espaço para políticas de desenvolvimento.
Por todas essas razões, a proposta do Mercosul se caracteriza pela flexibilidade. Isto é, os países que queiram assumir compromissos mais profundos em qualquer área poderão fazê-lo, bilateral ou plurilateralmente, sem que esses compromissos se estendam, necessariamente, a todos os demais.
Como têm dito nossos colegas uruguaios, "queremos uma ALCA que não impeça nem imponha". Não é razoável querer regras e obrigações idênticas para 34 países de características e situações tão desiguais. Essas são as linhas principais do governo para as negociações da ALCA.
Nossa estratégia tem sido definida, a partir de amplas consultas aos diversos setores da sociedade brasileira, em reuniões com todos os ministros envolvidos e nas quais eu próprio estive presente. Trata-se, pois, de uma estratégia de governo, sob a coordenação do ministério das Relações Exteriores, com a participação dos ministros da Agricultura e Desenvolvimento, que têm a responsabilidade da condução do dia-a-dia dessas negociações.
Ao tratar da participação da sociedade no processo negociador, ressalto evidentemente o papel do Congresso Nacional. Considero extremamente positivo o interesse que as duas Casas têm demonstrado pelas negociações da ALCA.
Este seminário não é a primeira iniciativa importante dessa natureza, e certamente não será a última.
Sei do acompanhamento intenso que senadores e deputados fazem do processo. Sei de sua participação em reuniões do Comitê de Negociações Comerciais, assim como nas Reuniões Ministeriais da ALCA. Sei dos debates semanais nas Comissões de Relações Exteriores da Câmara e do Senado, às quais nossos negociadores comparecem com freqüência; sei do interesse pessoal do presidente José Sarney e do presidente João Paulo Cunha pela matéria.
O papel principal que caberá ao Parlamento, no entanto, ainda está por ser desempenhado. Como todos temos presente, a Constituição determina, com grande sabedoria, uma divisão de tarefas no que se refere aos tratados internacionais - seja o Acordo da ALCA, seja qualquer outro. Por determinação constitucional, o Executivo negocia e assina o acordo, cabendo ao Legislativo ratificá-lo. Sem a ratificação, o Acordo não vale.
E tenho certeza de que um Parlamento que se informa, que participa, que acompanha as negociações, com o interesse que tem demonstrado o Congresso Nacional brasileiro, terá as melhores condições de considerar o que vier a ser apresentado pelo governo, caso, como espero, as negociações forem bem sucedidas.
Sem prejuízo dessa faculdade soberana do Congresso, posso garantir aos senhores deputados e senadores que o Acordo que receberão terá contemplado os anseios e preocupações da sociedade brasileira. Digo isso porque sei que a participação do Brasil nas negociações está sendo conduzida "sem subserviência nem confrontação", como disse o nosso ministro Celso Amorim. E está sendo conduzida de forma profissional, transparente e soberana, buscando preservar e promover o interesse nacional.
Meu caro presidente José Sarney,
Meu caro presidente da Câmara, João Paulo Cunha,
Deputados aqui presentes, brasileiros e de outros países,
O debate sobre a ALCA nos possibilita uma grande oportunidade de definirmos que tipo de Nação nós queremos ser, que tipo de agricultura nós queremos, que tipo de indústria nós queremos.
De vez em quando eu leio, na imprensa, alguém dizendo que o Brasil está isolado, que o Brasil pode ficar isolado. Eu quero lembrar aos deputados, senadores, que o que aconteceu em Cancun, com a criação do Grupo G-22, foi uma extraordinária novidade política, não pela conquista que se obteve lá, mas pelo fato de que, pela primeira vez, um grupo de países com identificações de povo, de economia e de problemas sociais descobriram que era preciso se unir para tentar fazer com que as economias ricas pudessem abrir um pouco de espaço, que nos fosse dado o direito de continuarmos sonhando, um dia, em deixarmos de ser um país em via de desenvolvimento e nos transformarmos num país verdadeiramente desenvolvido.
O que nós temos a dizer, até porque reconhecemos a importância da economia americana para o Brasil, a importância da economia européia para o Brasil, até porque conhecemos bem o que representam outras economias na relação com o Brasil, o que precisa ficar muito claro é que nós não queremos uma política de confrontação pela confrontação, apenas para satisfazer esse ou aquele discurso ideológico de quem quer que seja.
Nós queremos mais do que isso. Nós não queremos ficar apenas no discurso. Nós queremos uma posição pragmática, de país soberano, fazer valer os interesses eminentemente nacionais, pensando não apenas no Brasil, mas pensando que um Acordo de Livre Comércio. Precisamos levar em conta a diferença das economias que estão sendo acordadas na mesa de negociação.
E se, na União Européia, os países ricos tiveram a sensibilidade de criar um fundo para ajudar as economias em desenvolvimento, como no caso da Espanha, Portugal e Grécia, nós precisamos saber que, na América do Sul, nós temos muito mais pobreza e países muito mais pobres do que Espanha, Grécia e Portugal.
E, em toda proposta, não existe uma política que diga que vai se alavancar a economia desses países, para que eles possam competir, minimamente, em igualdade de condições.
Se existe uma lição que nós, brasileiros, temos que aprender, com os Estados Unidos da América do Norte, essa lição é de que nós não temos que ter vergonha de sermos brasileiros, como eles não têm vergonha de serem americanos. Não termos vergonha de defendermos a nossa agricultura, como a União Européia defende a sua agricultura.
Nós temos é que aproveitar essa negociação para fazer valer não a nossa vontade porque, também, não temos força para impor a nossa vontade, mas que, entre a vontade dos mais ricos e a vontade dos mais pobres, permaneça o meio termo, o caminho do meio, aonde ninguém leva tudo. E todos levam para casa um pouco da conquista.
É assim que iremos tentar negociar a ALCA. E é assim que eu espero que o Congresso Nacional possa ajudar o Brasil a fazer a mais profícua negociação já feita, num acordo importante como este que estamos fazendo.
Não vamos fugir da mesa de negociação. Vamos negociar, de cabeça erguida, discutindo, de igual para igual, cada um dos itens que interessa ao nosso país. Até porque não estamos pedindo favor a ninguém, estamos apenas reivindicando um direito nosso, que é a oportunidade da nossa economia dar um salto de qualidade, sem as imposições que o mundo desenvolvido tem tentado nos impor.
E, para isso, estamos procurando parceiros. Vamos fazer muitas, mas muitas reuniões, com outros países que pensam como nós, porque nós temos consciência que o que não for resolvido na ALCA poderá ser resolvido na Organização Mundial do Comércio, onde o debate pode ser mais eficaz, mais democrático e com muito mais interesses em jogo.
O Brasil, como sempre, pode ficar certo, deputados e senadores, estará de coração aberto para fazer o melhor acordo do mundo, mas, ao mesmo tempo, estaremos alerta para não aceitar que imposições de intrigas tentem fazer o Brasil negociar em condições desfavoráveis. Este país cresceu, amadureceu e agora chegou a nossa vez de dizermos, claramente, o que somos, quem somos e o que queremos para o nosso povo.
João Paulo, presidente Sarney, meus parabéns pela iniciativa deste seminário. Eu não tenho dúvida nenhuma, que isto aqui vai mostrar para a sociedade brasileira, o acordo que vier a ser feito não será um acordo de interesse do presidente da República, do ministro da Indústria e do Comércio, do ministro da Agricultura, do ministro das Relações Exteriores, não será obra de uma pessoa, será, se Deus quiser, o resultado de um debate maduro que o Congresso Nacional começa a fazer e que, se Deus quiser, a sociedade brasileira o acompanhará.
Boa sorte a todos que vieram participar deste seminário.
Muito obrigado.
VIVA LULA PRESIDENTE DO BRASIL!
Segunda-feira, Outubro 20, 2003
ELEITOS PARA AS MUDANÇAS.
19/10/2003 - Genoino: "Fomos eleitos para fazer mudanças"
O presidente nacional do PT, José Genoino, afirma que o PT está criando uma maneira de governar em entrevista publicada neste domingo pelo jornal O Estado de S.Paulo. Leia a íntegra a seguir:
O Estado de S.Paulo - O que o sr. diria aos petistas que talvez estejam pensando como o deputado Fernando Gabeira, que sonharam o sonho errado?
José Genoino - A quase totalidade dos petistas, pelas pesquisas que nós temos e pelas plenárias que são realizadas pelo País afora, tem confiança no governo. A base entende as dificuldades que o governo está vencendo, confia na força que o partido está dando ao governo. Portanto, eu acho que o sentimento da militância do PT é de realizar o sonho. Os petistas que esperaram e que lutaram 23 anos por esse momento não vão baixar a cabeça na primeira dificuldade.
Estado - Que tipo de contribuição o governo Lula e o PT deram até agora para a mudança do pensamento hegemônico, do neoliberalismo? A política econômica manteve-se a mesma.
Genoino - Não. Nós não estamos realizando a política neoliberal. Nós estamos criando no Brasil uma maneira de governar, com responsabilidade. Fomos eleitos para fazer mudanças processuais e graduais. O PT não ganhou a eleição para fazer rupturas. E nós temos uma correlação de forças que não é maioria de esquerda. Por isso, nós governamos com a esquerda, centro-esquerda e setores de centro. Esse é o resultado do processo democrático.
Estado - Mas o que diferencia o PT no governo?
Genoino - Em primeiro lugar, é um governo de negociação. Nós negociamos com governadores, com empresários e com o Congresso. Nós sabemos negociar mantendo a linha central do que nós queremos. Sinceramente, eu imaginava que as dificuldades seriam maiores. Foi isso que eu disse pro Gabeira: "Estamos há 23 anos esperando por esse momento e na primeira dificuldade a gente deixa de sonhar?"
Estado - Em resumo, vai demorar para o senhor acordar desse "sonho"?
Genoino - Eu não tenho sonho errado. Eu sou um sonhador com os pés no chão, quero realizar o sonho. Aliás, o marxismo é que disse que pra a gente mudar o mundo, em vez de fazer abstração, tem de mudar. Não adianta sonhar e ficar por isso mesmo.
Estado - Quando o sr. imaginou as dificuldades, pensou que muitas delas viriam justamente do PT?
Genoino - Claro que sim. Nós sempre avaliávamos que haveria um tensionamento com certos segmentos do PT. É natural que tenha um tensionamento entre o ato de governar do PT e a experiência do PT. As pessoas estão se posicionando muito mais por razões político-ideológicas do que por razões técnicas.
Estado - Mas quando o PT era oposição, não praticava a oposição ideológica? Descartar a ideologia hoje, não seria uma nova versão do "esqueça o que eu escrevi" do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso?
Genoino - Não, pelo contrário. As idéias, os valores, as causas e os sonhos compõem o ideário do PT. O PT nunca foi vinculado a uma vertente ortodoxa da esquerda, não nasceu do muro.
Estado - Mas em algumas questões não há como não ser maniqueísta. Ou você agrada aos empresários ou agrada aos trabalhadores. Por exemplo, na reforma trabalhista. Os empresários vão aplaudir a reforma trabalhista do PT?
Genoino - Eu acho que nós temos de fazer uma mudança na CLT [Consolidação das Leis do Trabalho] garantindo com direitos permanentes férias, repouso semanal, 13.º salário e licença maternidade. O que a esquerda tem de pensar é que a política não é um lado destruir o outro. Você não pode fazer política moderna sem negociar.
Estado - Mas não é constrangedor os maiores aplausos para o governo virem dos empresários, dos banqueiros e até mesmo do ex-ministro Pedro Malan?
Genoino - Elogios a gente recebe de qualquer pessoa. As pesquisas que nós temos mostram que a maioria da população brasileira elogia o governo Lula. A média de avaliação positiva do PT varia 31% a 36% e a rejeição, de 11% a 13%. A hegemonia é um processo paulatino de convencimento. É o que o PT está construindo.
Estado - Está construindo ou está se aproveitando de um pensamento e se moldando a ele?
Genoino - Não. Nós somos oposição ao pensamento neoliberal, aos valores de que o mercado resolve todos os problemas. Nós estamos construindo um projeto de Brasil com outros valores e outros parâmetros. Agora, essa construção não foi feita na base de um choque nem de uma ruptura.
Estado - Mas não há como negar que na economia houve um aprofundamento da política de Fernando Henrique.
Genoino - Nós não estamos aprofundando. Tivemos de segurar o boi pelos chifres para poder sair dessa situação. Já disse para os meus companheiros que eles precisam ler uma das decisões do Lenin, depois da Revolução de 1917. Ele fez concessões a multinacionais sobre exploração do petróleo de Baku, porque não tinha dinheiro para explorar. O problema é o sentido político de tomar essas medidas. Você toma essas medidas no sentido de aprofundar o modelo ou no sentido de processualmente criar condições para outro modelo. Eu acho que faria muito bem a alguns críticos do PT a leitura de algumas decisões de quando houve rupturas e confrontos. Ainda bem que o nosso filósofo inspirador da esquerda dizia: "A humanidade só se propõe a fazer tarefas realizáveis".
Estado - Depois das concessões de Lenin, veio uma grande mudança, o comunismo. O que vem por aí?
Genoino - Um país democrático, socialmente justo e soberano.
Estado - Isto é genérico demais.
Genoino - Nós não temos uma definição de implantar o socialismo como um projeto econômico e político. O PT está no jogo democrático, representa uma grande renovação da esquerda justamente porque saiu daquela matriz ortodoxa. No início do governo Fernando Henrique nós fizemos uma oposição muito fechada. Qual foi o resultado? Derrota em 1996, perdemos quase todas as prefeituras. O PT aprende.
Estado - Como é que se sentiria o deputado José Genoino no Congresso tendo como aliado Roberto Jefferson (PTB-RJ), que foi da tropa de choque de Fernando Collor?
Genoino - Eu estaria muito feliz, como estou na presidência do PT, para defender um governo. Em relação a essas pessoas, você sabe que desde a minha experiência parlamentar eu era criticado porque me dava bem com todo mundo. O deputado Roberto Jefferson apoiou Lula no segundo turno, apóia e vota com o governo. Está sendo bom pra quem? Para o PT e para o governo Lula.
Estado - O deputado Roberto Jefferson está sendo mais companheiro do que a senadora Heloísa Helena?
Genoino - Estou me referindo a aliados. Sobre esses companheiros do PT, eles deveriam manifestar suas opiniões e, na hora de votar, votar com o partido. Se eu dissesse o que eles dizem do PT, para ser coerente, eu já teria deixado o partido. A política de esquerda tem lado, e não vamos abrir mão do nosso lado.
Estado - Apesar de Lula dizer que não é de esquerda?
Genoino - O Lula nunca foi um esquerdista e há uma diferença. Esquerda nós somos. Ser de esquerda hoje não é defender corporativismo. É defender uma sociedade justa.
VIVA LULA PRESIDENTE DO BRASIL!
Sexta-feira, Outubro 17, 2003
17/10/2003 - Petista critica Corrêa e relatora da ONU
O deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP) criticou hoje as declarações do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Maurício Corrêa, de que não iria permitir a entrada de um representante da ONU no prédio do tribunal em caso de inspeção do Judiciário. O parlamentar petista considerou estapafúrdias as declarações de Corrêa e disse que o ministro não poderia proibir ninguém de entrar no STF. Greenhalgh também avaliou que a postura do ministro só foi possível graças a declarações inábeis da relatora da ONU Asma Jahangir.
"Essa declaração do presidente do STF não contribui para nada. Nem o tom do ministro Maurício Corrêa e nem a declaração daquela senhora da ONU. Ela fez uma visita longa ao Brasil, ouviu diversas testemunhas, fez um trabalho importante. No momento em que ela saía do país, cometeu um erro, ao dizer que pediria uma auditoria da ONU no Judiciário brasileiro. Com isso, mudou o foco da visita e acabou unindo todo o Judiciário contra ela", afirmou Greenhalgh, que é presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Redação da Câmara.
Visita
Na visita que fez ao Brasil, no mês passado, Asma Jahangir, tomou contato com diversos casos de violações dos direitos humanos, assassinatos de testemunhas e ações de grupos de extermínio. Duas testemunhas da ação dos grupos de extermínio foram assassinadas logo após terem mantido contato com a relatora. Ao final da visita, Asma sugeriu que a ONU enviasse ao Brasil um relator especial para inspecionar o Poder Judiciário brasileiro.
"A relatora da ONU foi inábil. Isso permitiu que o ministro Maurício Corrêa fizesse inclusive essa declaração estapafúrdia, de que não vai permitir a entrada do representante da ONU no STF. Ele não pode proibir a entrada de ninguém no Supremo", disse Greenhalgh.
VIVA LULA PRESIDENTE DO BRASIL!
Segunda-feira, Outubro 13, 2003
Ao longo de quase 15 anos, Cuba ocupou um lugar de honra na solidariedade com o heróico povo do Vietnã, numa guerra bárbara e brutal dos Estados Unidos, que matou a quatro milhões de vietnamitas, fora o número de feridos e mutilados de guerra; que inundou seu solo de produtos químicos, causando incalculáveis danos, ainda presentes. Pretexto: o Vietnã, um país pobre e subdesenvolvido, situado a 20 mil quilômetros dos Estados Unidos, constituía um perigo para a segurança nacional desse país.
Sangue cubano foi derramado, junto com o sangue de cidadãos de vários países latino-americanos, e junto com o sangue cubano e latino-americano do Che, assassinado por instrução dos agentes dos Estados Unidos na Bolívia, quando se encontrava ferido e prisioneiro, e sua arma tinha sido inutilizada por um balaço no combate.
Sangue cubano de operários da construção, que já estavam a ponto de concluir um aeroporto internacional que era vital para a economia de uma pequeníssima ilha que vivia do turismo, foi derramado combatendo em defesa de Granada, invadida pelos Estados Unidos com cínicos pretextos.
Sangue cubano foi derramado na Nicarágua, quando instrutores de nossas Forças Armadas treinavam os bravos soldados nicaragüenses, que enfrentavam a guerra suja organizada e armada pelos Estados Unidos contra a Revolução sandinista.
E não mencionei todos os exemplos.
Passam de dois mil, os heróicos combatentes internacionalistas cubanos que deram sua vida, cumprindo o sagrado dever de apoiar a luta de libertação, pela independência de outros povos irmãos. Em nenhum desses países, existe uma propriedade cubana.
Nenhum outro país de nossa época conta com tão brilhante folha de solidariedade sincera e desinteressada.
Cuba sempre predicou com seu exemplo. Jamais claudicou. Jamais vendeu a causa de outro povo. Jamais fez concessões. Jamais traiu princípios. Por alguma razão, foi reeleita por aclamação, há apenas 48 horas, no Conselho Econômico e Social das Nações Unidas, como membro por mais três anos da Comissão de Direitos Humanos, integrando esse órgão, de maneira ininterrupta, durante 15 anos.
Mais de meio milhão de cubanos cumpriram missões internacionalistas como combatentes, como professores, como técnicos ou como médicos e trabalhadores da saúde. Dezenas de milhares desses últimos prestaram serviços e salvaram a milhões de vidas, ao longo de mais de 40 anos. Atualmente, três mil especialistas em Medicina Geral Integral e outros trabalhadores da saúde laboram nos lugares mais recônditos de 18 países do Terceiro Mundo, onde, mediante métodos preventivos e terapêuticos, salvam, a cada ano, a centenas de milhares de vidas. e preservam ou devolvem a saúde a milhões de pessoas, sem cobrar um único centavo por seus serviços.
Sem os médicos cubanos oferecidos à Organização das Nações Unidas, caso esta obtenha os fundos necessários ¿ sem os quais, nações inteiras e até regiões completas da África ao Sul do Sara correm o risco de perecer ¿, os imprescindíveis e urgentes programas de luta contra a AIDS não poderiam ser realizados.
O mundo capitalista desenvolvido criou abundante capital financeiro, mas não criou o mínimo capital humano que o Terceiro Mundo necessita desesperadamente.
Cuba desenvolveu técnicas para ensinar por rádio a ler e escrever, com textos hoje elaborados em cinco idiomas: o crioulo do Caribe, português, francês, inglês e espanhol, que já estão sendo postos em prática em alguns países. Está a ponto de concluir um programa similar em espanhol, de excepcional qualidade, para alfabetizar por televisão. São programas idealizados por Cuba e genuinamente cubanos. Não nos interessa a exclusividade da patente. Estamos dispostos a oferecê-los a todos os países do Terceiro Mundo, onde se concentra o maior número de analfabetos, sem cobrar um único centavo. Em cinco anos, os 800 milhões de analfabetos poderiam reduzir-se em 80 por cento, a um custo mínimo.
Quando a URSS e o campo socialista desapareceram, ninguém apostava um centavo na sobrevivência da Revolução Cubana. Os Estados Unidos intensificaram o bloqueio. Surgiram as leis Torricelli e Helms-Burton, esta última de caráter extraterritorial. Nossos mercados e fontes de fornecimentos fundamentais desapareceram abruptamente. O consumo de calorias e proteínas se reduziu quase à metade. O país resistiu e avançou consideravelmente no campo social. Hoje já recuperou grande parte de seus requerimentos nutritivos e avança aceleradamente em outros campos. Mesmo nessas condições, a obra realizada e a consciência criada durante anos operaram o milagre. Por que resistimos? Porque a Revolução sempre contou, conta e contará, cada vez mais, com o apoio do povo, um povo inteligente, cada vez mais unido, mais culto e mais combativo.
Cuba, que foi o primeiro país a solidarizar-se com o povo norte-americano, em 11 de setembro de 2001, foi também o primeiro a advertir sobre o caráter neofascista que a política da extrema-direita dos Estados Unidos, que assumiu fraudulentamente o poder em novembro do ano 2000, propunha-se a impor ao mundo. Essa política não surge movida pelo atroz ataque terrorista contra o povo dos Estados Unidos, cometido por membros de uma organização fanática que, em tempos passados, serviu a outras administrações norte-americanas. Era um pensamento friamente concebido e elaborado, que explica o rearmamento e os colossais gastos em armamentos, quando a guerra fria já não existia, e estava longe de acontecer o sucesso de setembro. Os fatos do dia 11 daquele fatídico mês do ano de 2001 serviram de pretexto ideal para colocá-lo em marcha.
Em 20 de setembro desse ano, o presidente Bush expressou-o abertamente, diante de um Congresso abalado pelos trágicos acontecimentos de nove dias antes. Utilizando estranhos termos, falou de "justiça infinita", como objetivo de uma guerra aparentemente também infinita:
"O país não deve esperar apenas uma batalha, mas uma campanha prolongada, uma campanha sem paralelo em nossa história".
"Vamos utilizar qualquer arma de guerra que seja necessária".
"Qualquer nação, em qualquer lugar, tem agora de tomar uma decisão: ou estão conosco, ou estão com o terrorismo".
"Pedi às Forças Armadas que fiquem em alerta, e há uma razão para isso: aproxima-se a hora de entrarmos em ação".
"Esta é uma luta da civilização".
"As conquistas de nossos tempos e as esperanças de todos os tempos dependem de nós".
"Não sabemos qual será o roteiro deste conflito, mas sim qual será o desenlace [...] E sabemos que Deus não é neutro".
Falava um estadista ou um fanático incontrolável?
Dois dias depois, em 22 de setembro, Cuba denunciou esse discurso como o desenho da idéia de uma ditadura militar mundial, sob a égide da força bruta, sem leis nem instituições internacionais de qualquer índole.
"... A Organização das Nações Unidas, absolutamente ignorada na crise atual, não teria nenhuma autoridade ou prerrogativa; haveria um só chefe, um só juiz, uma só lei".
Meses mais tarde, ao cumprir-se o 200º aniversário da Academia de West Point, no ato de graduação de 958 cadetes, celebrado em 3 de junho de 2002, o presidente Bush aprofundou seu pensamento, numa ardente arenga aos jovens militares que se formavam naquele dia, em que estão contidas suas idéias fixas essenciais:
"Nossa segurança exigirá que transformemos a força militar que vocês dirigirão numa força que deve estar pronta para atacar imediatamente em qualquer obscuro rincão do mundo. E nossa segurança exigirá que estejamos prontos para o ataque preventivo, quando seja necessário defender nossa liberdade e defender nossas vidas".
"Devemos descobrir células terroristas em 60 países ou mais...".
"Enviaremos vocês, nossos soldados, aonde vocês sejam necessários".
"Não deixaremos a segurança da América e a paz do planeta à mercê de um punhado de terroristas e tiranos loucos. Eliminaremos essa sombria ameaça de nosso país e do mundo".
"A alguns, preocupa que seja pouco diplomático ou descortês falar em termos de bem e mal: Não estou de acordo. [...] Estamos diante de um conflito entre o bem e o mal, e a América sempre chamará o mal por seu nome. Quando enfrentamos o mal e regimes anárquicos, não criamos um problema, senão que revelamos um problema. E dirigiremos o mundo na luta contra o problema".
No discurso que pronunciei na Tribuna Aberta realizada na Praça da Revolução "Antonio Maceo", de Santiago de Cuba, em 8 de junho de 2002, diante de meio milhão de santiagueiros, disse:
"Como se vê, no discurso não aparece uma só menção à organização das Nações Unidas, nem uma frase referente ao direito dos povos à segurança e à paz, à necessidade de um mundo regido por normas e princípios".
"A humanidade conheceu, há apenas dois terços de século, a amarga experiência do nazismo. Hitler teve como aliado inseparável o medo que foi capaz de impor a seus adversários. [...] Já possuidor de uma temível força militar, deflagrou uma guerra que incendiou o mundo. A falta de visão e a covardia dos estadistas das mais fortes potências européias daquela época deram lugar a uma grande tragédia".
"Não creio que possa instaurar-se, nos Estados Unidos, um regime fascista. Dentro de seu sistema político foram cometidos graves erros e injustiças ¿ muitas das quais ainda perduram ¿, mas o povo norte-americano conta com determinadas instituições, tradições, valores educativos, culturais e éticos que praticamente o impossibilitam. O risco está na esfera internacional. São tais as faculdades e prerrogativas de um presidente, e tão imensa a rede de poder militar, econômico e tecnológico desse Estado, que, de fato, em virtude de circunstâncias completamente alheias à vontade do povo norte-americano, o mundo está começando a ser regido por métodos e concepções nazistas".
"Os miseráveis insetos que habitam 60 ou mais nações do mundo, selecionadas por ele, seus colaboradores íntimos e, no caso de Cuba, por seus amigos de Miami, não interessam em nada. Constituem os ¿obscuros rincões do mundo¿, que podem ser objeto de seus ataques ¿preventivos e de surpresa¿. Dentre eles, está Cuba, que, ademais, foi incluída entre os que patrocinam o terrorismo".
Mencionei pela primeira vez a idéia duma tirania mundial, um ano, três meses e 19 dias antes do ataque ao Iraque.
Nos dias anteriores ao início da guerra, o presidente Bush voltou a repetir que utilizaria, se for necessário, qualquer meio do arsenal norte-americano, ou seja, armas nucleares, armas químicas e armas biológicas.
Antes já tinha se realizado o ataque e ocupação do Afeganistão.
Hoje, os chamados "dissidentes", mercenários a soldo do governo hitleriano de Bush, atraiçoam não apenas a sua Pátria, senão também à humanidade.
Diante dos planos sinistros contra nossa Pátria, por parte dessa extrema-direita neofascista e seus aliados da máfia terrorista de Miami, que lhe deram a vitória com a fraude eleitoral, gostaríamos de saber quantos dos que, a partir de supostas posições de esquerda e humanistas, atacaram a nosso povo pelas medidas legais que, em ato de legítima defesa, nos vimos obrigados a adotar, frente aos planos agressivos da superpotência, a poucas milhas da nossa costa e com uma base militar em nosso próprio território, quantos desses puderam ler essas palavras, tomar consciência, denunciar e condenar a política anunciada nos discursos pronunciados pelo senhor Bush a que me referi, nos quais é proclamada uma sinistra política internacional nazi-fascista, pelo chefe do país que possui a mais poderosa força militar jamais concebida, cujas armas podem destruir dez vezes a humanidade indefesa.
O mundo inteiro se mobilizou, frente às espantosas imagens de cidades, destruídas e incendiadas por atrozes bombardeios, crianças mutiladas e cadáveres destroçados de pessoas inocentes.
Deixando de lado os grupos políticos oportunistas, demagogos e politiqueiros, sobejamente conhecidos, refiro-me fundamentalmente agora aos que foram amistosos com Cuba e lutadores apreciados. Não desejamos que os que a atacaram, a nosso ver de forma injusta, por desinformação ou falta de análise meditada e profunda, tenham de passar por uma dor infinita, se um dia nossas cidades estiverem sendo destruídas, e nossas crianças e suas mães, mulheres e homens, jovens e anciãos, destroçados pelas bombas do nazi-fascismo, e vejam que suas declarações foram cinicamente utilizadas pelos agressores, para justificar um ataque militar contra Cuba.
O dano humano não pode ser medido apenas pelos números de crianças mortas e mutiladas, senão também pelos milhões de crianças e mães, mulheres e homens, jovens e anciãos que ficarão traumatizados pelo resto da vida.
Respeitamos totalmente as opiniões dos que, por razões religiosas, filosóficas ou humanitárias, opõem à pena capital, que os revolucionários cubanos também abominamos, por razões mais profundas que as que foram abordadas pelas ciências sociais sobre o delito, hoje em processo de estudo em nosso país. Llegará o dia en que possamos aceder aos desejos tão nobremente exprimidos no seu brilhante dircurso pelo Pastor Lucius Walker de acabar com esta pena. Compreende-se a especial preocupação sobre o tema, quando se sabe que a maioria das pessoas executadas nos Estados Unidos é de afro-norte-americanos e latinos, não poucas vezes inocentes, especialmente no Texas, campeão da pena capital, onde foi governador o presidente Bush e onde nunca se perdoou uma única vida.
A Revolução cubana foi posta no dilema de proteger a vida de milhões de compatriotas, sancionando com a pena capital legalmente estabelecida aos três principais seqüestradores de uma embarcação de passageiros ¿ estimulados pelo governo dos Estados Unidos, que trata de alentar o potencial delitivo de caráter comum, a assaltar barcos ou aeronaves com passageiros a bordo, pondo em grave perigo a vida destes, criando condições propícias para uma agressão a Cuba, desatando uma onda de seqüestros já em pleno desenvolvimento, que era necessário frear em seco ¿, ou cruzar os braços. Não podemos vacilar jamais, quando se trata de proteger a vida dos filhos de um povo decidido a lutar até o final, prender mercenários que servem aos agressores, e aplicar os castigos mais severos a terroristas que seqüestrem aeronaves ou embarcações de passageiros, ou que cometam atos de gravidade similar, que sejam condenado pelos tribunais, de acordo com leis preexistentes.
Nem Cristo, que expulsou os vendilhões do templo a chicotadas, deixaria de optar pela defesa do povo.
Por Sua Santidade Papa João Paulo II, sinto um sincero e profundo respeito. Compreendo e admiro sua nobre luta pela vida e pela paz. Ninguém se opôs tanto e tão tenazmente como ele à guerra contra o Iraque. Estou absolutamente seguro de que nunca teria aconselhado os xiitas e sunitas a deixar-se matar sem se defender; tampouco aconselharia algo parecido aos cubanos. Ele sabe perfeitamente que este não é um problema entre cubanos; é um problema entre o povo de Cuba e o governo dos Estados Unidos.
A política do governo dos Estados Unidos é tão provocadora e desavergonhada, que o passado dia 25 de abril o Senhor Kevin Whitaker, chefe do Burô Cuba do Departamento de Estado, disse ao chefe da nossa Rapartição de Interesses em Washington, que o Escritório de Segurança Doméstica, pertencente ao Conselho de Segurança Nacional, considerava que os continuados seqüestros desde Cuba constituiam uma séria ameaça para a segurança Nacional dos Estados Unidos, e solicitava ao governo de Cuba que tomasse todas as medidas necessárias para evitar fatos desta natureza, como se eles não fossem quem provocaram e estimularam esses seqüestros, e não fóssemos nós os que, para proteger a vida e a segurança dos passageiros e conhecendo desde há bastante tempo os planos criminais da extrema direita fascista contra Cuba, tomamos as medidas drásticas para impedi-lo. Sabido por eles esse contato do dia 25, criou um grande alvoroço na máfia terrorista de Miami. Ainda não compreendem que as suas ameaçam diretas ou indiretas contra Cuba não lhe tiram o sono a ninguém.
A hipocrisia da política ocidental e de um numeroso grupo de líderes medíocres é tão grande, que não caberia no fundo do Oceano Atlântico. Qualquer medida que Cuba adote em sua legítima defesa é publicada entre as primeiras notícias de quase todos os meios de difusão de massa. Sem dúvida, quando denunciamos que, sob o mandato de um chefe do governo espanhol, dezenas de militantes do ETA foram executados extrajudicialmente, sem que ninguém protestasse nem o denunciasse diante da Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas, e outro chefe de governo, num momento difícil da guerra de Kosovo, aconselhou ao Presidente dos Estados Unidos intensificar a guerra, multiplicar os bombardeios e atacar os objetivos civis, causando a morte de centenas de inocentes, e imenso sacrifício a milhões de pessoas, a imprensa diz apenas: "Castro arremeteu contra Felipe e Aznar". Do conteúdo real, nem uma palavra.
Em Miami e em Washington discute-se hoje onde, como e quando se atacará a Cuba, ou se resolverá o problema da Revolução.
De imediato, fala-se de medidas econômicas que endureçam o brutal bloqueio, mas ainda não sabem qual escolher, com quem se resignam a brigar e que efetividade podem ter. Restam-lhe bem poucas. Já gastaram quase todas.
Um cínico rufião, mal chamado Lincoln, e Díaz-Balart como sobrenome, amigo íntimo e conselheiro do presidente Bush, declarou a uma cadeia de televisão de Miami as seguintes palavras enigmáticas: "Não posso entrar em detalhes, mas estamos tratando de romper esse círculo vicioso".
A qual dos métodos para manejar o círculo vicioso se refere? Eliminar-me fisicamente, a partir dos sofisticados meios modernos que desenvolveram, como lhes prometeu o senhor Bush, no Texas, antes das eleições, ou atacar a Cuba, no estilo Iraque?
Se fosse o primeiro, não me preocupa em absoluto. As idéias pelas quais lutei durante toda a vida não poderão morrer, e viverão durante muito tempo.
Se a fórmula fosse atacar a Cuba como ao Iraque, me doeria muito, pelo custo em vidas e pela enorme destruição que significaria para Cuba. Mas talvez seja esse o último dos ataques fascistas desta administração, porque a luta duraria muito tempo, com os agressores enfrentando não apenas a um exército, mas a milhares de exércitos que se reproduziriam constantemente, e fariam o adversário pagar um custo tão grande em baixas, que estaria muito acima do preço em vidas de seus filhos que o povo norte-americano estaria disposto a pagar, pelas aventuras e idéias do presidente Bush, hoje com apoio majoritário, mas decrescente, e amanhã reduzido a zero.
O próprio povo norte-americano, os milhões de pessoas com elevada cultura que ali raciocinam e pensam, seus princípios éticos básicos, dezenas de milhões de computadores para se comunicar, centenas de vezes mais que ao final da guerra do Vietnã, demonstrarão que não se pode enganar a todo o povo, e talvez nem sequer a uma parte do povo, durante todo o tempo. E um dia porá uma camisa-de-força a quem for necessário, antes que possam pôr fim à vida no planeta.
Em nome do milhão de pessoas aqui reunidas, neste Primeiro de Maio, desejo enviar uma mensagem ao mundo e ao povo norte-americano:
Não desejamos que o sangue de cubanos e norte-americanos seja derramado numa guerra; não desejamos que um incalculável número de vidas de pessoas que podem ser amistosas se perca numa contenda. Mas nunca um povo teve coisas tão sagradas a defender, nem convicções tão profundas pelas quais lutar, a ponto de preferir desaparecer da face da Terra, antes de renunciar à obra nobre e generosa pela qual muitas gerações de cubanos pagaram o elevado custo de muitas vidas de seus melhores filhos.
Acompanha-nos a convicção mais profunda de que as idéias podem mais que as armas, por sofisticadas e poderosas que estas sejam.
Digamos como o Che, ao despedir-se de nós:
Até a vitória sempre!
Ao longo de quase 15 anos, Cuba ocupou um lugar de honra na solidariedade com o heróico povo do Vietnã, numa guerra bárbara e brutal dos Estados Unidos, que matou a quatro milhões de vietnamitas, fora o número de feridos e mutilados de guerra; que inundou seu solo de produtos químicos, causando incalculáveis danos, ainda presentes. Pretexto: o Vietnã, um país pobre e subdesenvolvido, situado a 20 mil quilômetros dos Estados Unidos, constituía um perigo para a segurança nacional desse país.
Sangue cubano foi derramado, junto com o sangue de cidadãos de vários países latino-americanos, e junto com o sangue cubano e latino-americano do Che, assassinado por instrução dos agentes dos Estados Unidos na Bolívia, quando se encontrava ferido e prisioneiro, e sua arma tinha sido inutilizada por um balaço no combate.
Sangue cubano de operários da construção, que já estavam a ponto de concluir um aeroporto internacional que era vital para a economia de uma pequeníssima ilha que vivia do turismo, foi derramado combatendo em defesa de Granada, invadida pelos Estados Unidos com cínicos pretextos.
Sangue cubano foi derramado na Nicarágua, quando instrutores de nossas Forças Armadas treinavam os bravos soldados nicaragüenses, que enfrentavam a guerra suja organizada e armada pelos Estados Unidos contra a Revolução sandinista.
E não mencionei todos os exemplos.
Passam de dois mil, os heróicos combatentes internacionalistas cubanos que deram sua vida, cumprindo o sagrado dever de apoiar a luta de libertação, pela independência de outros povos irmãos. Em nenhum desses países, existe uma propriedade cubana.
Nenhum outro país de nossa época conta com tão brilhante folha de solidariedade sincera e desinteressada.
Cuba sempre predicou com seu exemplo. Jamais claudicou. Jamais vendeu a causa de outro povo. Jamais fez concessões. Jamais traiu princípios. Por alguma razão, foi reeleita por aclamação, há apenas 48 horas, no Conselho Econômico e Social das Nações Unidas, como membro por mais três anos da Comissão de Direitos Humanos, integrando esse órgão, de maneira ininterrupta, durante 15 anos.
Mais de meio milhão de cubanos cumpriram missões internacionalistas como combatentes, como professores, como técnicos ou como médicos e trabalhadores da saúde. Dezenas de milhares desses últimos prestaram serviços e salvaram a milhões de vidas, ao longo de mais de 40 anos. Atualmente, três mil especialistas em Medicina Geral Integral e outros trabalhadores da saúde laboram nos lugares mais recônditos de 18 países do Terceiro Mundo, onde, mediante métodos preventivos e terapêuticos, salvam, a cada ano, a centenas de milhares de vidas. e preservam ou devolvem a saúde a milhões de pessoas, sem cobrar um único centavo por seus serviços.
Sem os médicos cubanos oferecidos à Organização das Nações Unidas, caso esta obtenha os fundos necessários ¿ sem os quais, nações inteiras e até regiões completas da África ao Sul do Sara correm o risco de perecer ¿, os imprescindíveis e urgentes programas de luta contra a AIDS não poderiam ser realizados.
O mundo capitalista desenvolvido criou abundante capital financeiro, mas não criou o mínimo capital humano que o Terceiro Mundo necessita desesperadamente.
Cuba desenvolveu técnicas para ensinar por rádio a ler e escrever, com textos hoje elaborados em cinco idiomas: o crioulo do Caribe, português, francês, inglês e espanhol, que já estão sendo postos em prática em alguns países. Está a ponto de concluir um programa similar em espanhol, de excepcional qualidade, para alfabetizar por televisão. São programas idealizados por Cuba e genuinamente cubanos. Não nos interessa a exclusividade da patente. Estamos dispostos a oferecê-los a todos os países do Terceiro Mundo, onde se concentra o maior número de analfabetos, sem cobrar um único centavo. Em cinco anos, os 800 milhões de analfabetos poderiam reduzir-se em 80 por cento, a um custo mínimo.
Quando a URSS e o campo socialista desapareceram, ninguém apostava um centavo na sobrevivência da Revolução Cubana. Os Estados Unidos intensificaram o bloqueio. Surgiram as leis Torricelli e Helms-Burton, esta última de caráter extraterritorial. Nossos mercados e fontes de fornecimentos fundamentais desapareceram abruptamente. O consumo de calorias e proteínas se reduziu quase à metade. O país resistiu e avançou consideravelmente no campo social. Hoje já recuperou grande parte de seus requerimentos nutritivos e avança aceleradamente em outros campos. Mesmo nessas condições, a obra realizada e a consciência criada durante anos operaram o milagre. Por que resistimos? Porque a Revolução sempre contou, conta e contará, cada vez mais, com o apoio do povo, um povo inteligente, cada vez mais unido, mais culto e mais combativo.
Cuba, que foi o primeiro país a solidarizar-se com o povo norte-americano, em 11 de setembro de 2001, foi também o primeiro a advertir sobre o caráter neofascista que a política da extrema-direita dos Estados Unidos, que assumiu fraudulentamente o poder em novembro do ano 2000, propunha-se a impor ao mundo. Essa política não surge movida pelo atroz ataque terrorista contra o povo dos Estados Unidos, cometido por membros de uma organização fanática que, em tempos passados, serviu a outras administrações norte-americanas. Era um pensamento friamente concebido e elaborado, que explica o rearmamento e os colossais gastos em armamentos, quando a guerra fria já não existia, e estava longe de acontecer o sucesso de setembro. Os fatos do dia 11 daquele fatídico mês do ano de 2001 serviram de pretexto ideal para colocá-lo em marcha.
Em 20 de setembro desse ano, o presidente Bush expressou-o abertamente, diante de um Congresso abalado pelos trágicos acontecimentos de nove dias antes. Utilizando estranhos termos, falou de "justiça infinita", como objetivo de uma guerra aparentemente também infinita:
"O país não deve esperar apenas uma batalha, mas uma campanha prolongada, uma campanha sem paralelo em nossa história".
"Vamos utilizar qualquer arma de guerra que seja necessária".
"Qualquer nação, em qualquer lugar, tem agora de tomar uma decisão: ou estão conosco, ou estão com o terrorismo".
"Pedi às Forças Armadas que fiquem em alerta, e há uma razão para isso: aproxima-se a hora de entrarmos em ação".
"Esta é uma luta da civilização".
"As conquistas de nossos tempos e as esperanças de todos os tempos dependem de nós".
"Não sabemos qual será o roteiro deste conflito, mas sim qual será o desenlace [...] E sabemos que Deus não é neutro".
Falava um estadista ou um fanático incontrolável?
Dois dias depois, em 22 de setembro, Cuba denunciou esse discurso como o desenho da idéia de uma ditadura militar mundial, sob a égide da força bruta, sem leis nem instituições internacionais de qualquer índole.
"... A Organização das Nações Unidas, absolutamente ignorada na crise atual, não teria nenhuma autoridade ou prerrogativa; haveria um só chefe, um só juiz, uma só lei".
Meses mais tarde, ao cumprir-se o 200º aniversário da Academia de West Point, no ato de graduação de 958 cadetes, celebrado em 3 de junho de 2002, o presidente Bush aprofundou seu pensamento, numa ardente arenga aos jovens militares que se formavam naquele dia, em que estão contidas suas idéias fixas essenciais:
"Nossa segurança exigirá que transformemos a força militar que vocês dirigirão numa força que deve estar pronta para atacar imediatamente em qualquer obscuro rincão do mundo. E nossa segurança exigirá que estejamos prontos para o ataque preventivo, quando seja necessário defender nossa liberdade e defender nossas vidas".
"Devemos descobrir células terroristas em 60 países ou mais...".
"Enviaremos vocês, nossos soldados, aonde vocês sejam necessários".
"Não deixaremos a segurança da América e a paz do planeta à mercê de um punhado de terroristas e tiranos loucos. Eliminaremos essa sombria ameaça de nosso país e do mundo".
"A alguns, preocupa que seja pouco diplomático ou descortês falar em termos de bem e mal: Não estou de acordo. [...] Estamos diante de um conflito entre o bem e o mal, e a América sempre chamará o mal por seu nome. Quando enfrentamos o mal e regimes anárquicos, não criamos um problema, senão que revelamos um problema. E dirigiremos o mundo na luta contra o problema".
No discurso que pronunciei na Tribuna Aberta realizada na Praça da Revolução "Antonio Maceo", de Santiago de Cuba, em 8 de junho de 2002, diante de meio milhão de santiagueiros, disse:
"Como se vê, no discurso não aparece uma só menção à organização das Nações Unidas, nem uma frase referente ao direito dos povos à segurança e à paz, à necessidade de um mundo regido por normas e princípios".
"A humanidade conheceu, há apenas dois terços de século, a amarga experiência do nazismo. Hitler teve como aliado inseparável o medo que foi capaz de impor a seus adversários. [...] Já possuidor de uma temível força militar, deflagrou uma guerra que incendiou o mundo. A falta de visão e a covardia dos estadistas das mais fortes potências européias daquela época deram lugar a uma grande tragédia".
"Não creio que possa instaurar-se, nos Estados Unidos, um regime fascista. Dentro de seu sistema político foram cometidos graves erros e injustiças ¿ muitas das quais ainda perduram ¿, mas o povo norte-americano conta com determinadas instituições, tradições, valores educativos, culturais e éticos que praticamente o impossibilitam. O risco está na esfera internacional. São tais as faculdades e prerrogativas de um presidente, e tão imensa a rede de poder militar, econômico e tecnológico desse Estado, que, de fato, em virtude de circunstâncias completamente alheias à vontade do povo norte-americano, o mundo está começando a ser regido por métodos e concepções nazistas".
"Os miseráveis insetos que habitam 60 ou mais nações do mundo, selecionadas por ele, seus colaboradores íntimos e, no caso de Cuba, por seus amigos de Miami, não interessam em nada. Constituem os ¿obscuros rincões do mundo¿, que podem ser objeto de seus ataques ¿preventivos e de surpresa¿. Dentre eles, está Cuba, que, ademais, foi incluída entre os que patrocinam o terrorismo".
Mencionei pela primeira vez a idéia duma tirania mundial, um ano, três meses e 19 dias antes do ataque ao Iraque.
Nos dias anteriores ao início da guerra, o presidente Bush voltou a repetir que utilizaria, se for necessário, qualquer meio do arsenal norte-americano, ou seja, armas nucleares, armas químicas e armas biológicas.
Antes já tinha se realizado o ataque e ocupação do Afeganistão.
Hoje, os chamados "dissidentes", mercenários a soldo do governo hitleriano de Bush, atraiçoam não apenas a sua Pátria, senão também à humanidade.
Diante dos planos sinistros contra nossa Pátria, por parte dessa extrema-direita neofascista e seus aliados da máfia terrorista de Miami, que lhe deram a vitória com a fraude eleitoral, gostaríamos de saber quantos dos que, a partir de supostas posições de esquerda e humanistas, atacaram a nosso povo pelas medidas legais que, em ato de legítima defesa, nos vimos obrigados a adotar, frente aos planos agressivos da superpotência, a poucas milhas da nossa costa e com uma base militar em nosso próprio território, quantos desses puderam ler essas palavras, tomar consciência, denunciar e condenar a política anunciada nos discursos pronunciados pelo senhor Bush a que me referi, nos quais é proclamada uma sinistra política internacional nazi-fascista, pelo chefe do país que possui a mais poderosa força militar jamais concebida, cujas armas podem destruir dez vezes a humanidade indefesa.
O mundo inteiro se mobilizou, frente às espantosas imagens de cidades, destruídas e incendiadas por atrozes bombardeios, crianças mutiladas e cadáveres destroçados de pessoas inocentes.
Deixando de lado os grupos políticos oportunistas, demagogos e politiqueiros, sobejamente conhecidos, refiro-me fundamentalmente agora aos que foram amistosos com Cuba e lutadores apreciados. Não desejamos que os que a atacaram, a nosso ver de forma injusta, por desinformação ou falta de análise meditada e profunda, tenham de passar por uma dor infinita, se um dia nossas cidades estiverem sendo destruídas, e nossas crianças e suas mães, mulheres e homens, jovens e anciãos, destroçados pelas bombas do nazi-fascismo, e vejam que suas declarações foram cinicamente utilizadas pelos agressores, para justificar um ataque militar contra Cuba.
O dano humano não pode ser medido apenas pelos números de crianças mortas e mutiladas, senão também pelos milhões de crianças e mães, mulheres e homens, jovens e anciãos que ficarão traumatizados pelo resto da vida.
Respeitamos totalmente as opiniões dos que, por razões religiosas, filosóficas ou humanitárias, opõem à pena capital, que os revolucionários cubanos também abominamos, por razões mais profundas que as que foram abordadas pelas ciências sociais sobre o delito, hoje em processo de estudo em nosso país. Llegará o dia en que possamos aceder aos desejos tão nobremente exprimidos no seu brilhante dircurso pelo Pastor Lucius Walker de acabar com esta pena. Compreende-se a especial preocupação sobre o tema, quando se sabe que a maioria das pessoas executadas nos Estados Unidos é de afro-norte-americanos e latinos, não poucas vezes inocentes, especialmente no Texas, campeão da pena capital, onde foi governador o presidente Bush e onde nunca se perdoou uma única vida.
A Revolução cubana foi posta no dilema de proteger a vida de milhões de compatriotas, sancionando com a pena capital legalmente estabelecida aos três principais seqüestradores de uma embarcação de passageiros ¿ estimulados pelo governo dos Estados Unidos, que trata de alentar o potencial delitivo de caráter comum, a assaltar barcos ou aeronaves com passageiros a bordo, pondo em grave perigo a vida destes, criando condições propícias para uma agressão a Cuba, desatando uma onda de seqüestros já em pleno desenvolvimento, que era necessário frear em seco ¿, ou cruzar os braços. Não podemos vacilar jamais, quando se trata de proteger a vida dos filhos de um povo decidido a lutar até o final, prender mercenários que servem aos agressores, e aplicar os castigos mais severos a terroristas que seqüestrem aeronaves ou embarcações de passageiros, ou que cometam atos de gravidade similar, que sejam condenado pelos tribunais, de acordo com leis preexistentes.
Nem Cristo, que expulsou os vendilhões do templo a chicotadas, deixaria de optar pela defesa do povo.
Por Sua Santidade Papa João Paulo II, sinto um sincero e profundo respeito. Compreendo e admiro sua nobre luta pela vida e pela paz. Ninguém se opôs tanto e tão tenazmente como ele à guerra contra o Iraque. Estou absolutamente seguro de que nunca teria aconselhado os xiitas e sunitas a deixar-se matar sem se defender; tampouco aconselharia algo parecido aos cubanos. Ele sabe perfeitamente que este não é um problema entre cubanos; é um problema entre o povo de Cuba e o governo dos Estados Unidos.
A política do governo dos Estados Unidos é tão provocadora e desavergonhada, que o passado dia 25 de abril o Senhor Kevin Whitaker, chefe do Burô Cuba do Departamento de Estado, disse ao chefe da nossa Rapartição de Interesses em Washington, que o Escritório de Segurança Doméstica, pertencente ao Conselho de Segurança Nacional, considerava que os continuados seqüestros desde Cuba constituiam uma séria ameaça para a segurança Nacional dos Estados Unidos, e solicitava ao governo de Cuba que tomasse todas as medidas necessárias para evitar fatos desta natureza, como se eles não fossem quem provocaram e estimularam esses seqüestros, e não fóssemos nós os que, para proteger a vida e a segurança dos passageiros e conhecendo desde há bastante tempo os planos criminais da extrema direita fascista contra Cuba, tomamos as medidas drásticas para impedi-lo. Sabido por eles esse contato do dia 25, criou um grande alvoroço na máfia terrorista de Miami. Ainda não compreendem que as suas ameaçam diretas ou indiretas contra Cuba não lhe tiram o sono a ninguém.
A hipocrisia da política ocidental e de um numeroso grupo de líderes medíocres é tão grande, que não caberia no fundo do Oceano Atlântico. Qualquer medida que Cuba adote em sua legítima defesa é publicada entre as primeiras notícias de quase todos os meios de difusão de massa. Sem dúvida, quando denunciamos que, sob o mandato de um chefe do governo espanhol, dezenas de militantes do ETA foram executados extrajudicialmente, sem que ninguém protestasse nem o denunciasse diante da Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas, e outro chefe de governo, num momento difícil da guerra de Kosovo, aconselhou ao Presidente dos Estados Unidos intensificar a guerra, multiplicar os bombardeios e atacar os objetivos civis, causando a morte de centenas de inocentes, e imenso sacrifício a milhões de pessoas, a imprensa diz apenas: "Castro arremeteu contra Felipe e Aznar". Do conteúdo real, nem uma palavra.
Em Miami e em Washington discute-se hoje onde, como e quando se atacará a Cuba, ou se resolverá o problema da Revolução.
De imediato, fala-se de medidas econômicas que endureçam o brutal bloqueio, mas ainda não sabem qual escolher, com quem se resignam a brigar e que efetividade podem ter. Restam-lhe bem poucas. Já gastaram quase todas.
Um cínico rufião, mal chamado Lincoln, e Díaz-Balart como sobrenome, amigo íntimo e conselheiro do presidente Bush, declarou a uma cadeia de televisão de Miami as seguintes palavras enigmáticas: "Não posso entrar em detalhes, mas estamos tratando de romper esse círculo vicioso".
A qual dos métodos para manejar o círculo vicioso se refere? Eliminar-me fisicamente, a partir dos sofisticados meios modernos que desenvolveram, como lhes prometeu o senhor Bush, no Texas, antes das eleições, ou atacar a Cuba, no estilo Iraque?
Se fosse o primeiro, não me preocupa em absoluto. As idéias pelas quais lutei durante toda a vida não poderão morrer, e viverão durante muito tempo.
Se a fórmula fosse atacar a Cuba como ao Iraque, me doeria muito, pelo custo em vidas e pela enorme destruição que significaria para Cuba. Mas talvez seja esse o último dos ataques fascistas desta administração, porque a luta duraria muito tempo, com os agressores enfrentando não apenas a um exército, mas a milhares de exércitos que se reproduziriam constantemente, e fariam o adversário pagar um custo tão grande em baixas, que estaria muito acima do preço em vidas de seus filhos que o povo norte-americano estaria disposto a pagar, pelas aventuras e idéias do presidente Bush, hoje com apoio majoritário, mas decrescente, e amanhã reduzido a zero.
O próprio povo norte-americano, os milhões de pessoas com elevada cultura que ali raciocinam e pensam, seus princípios éticos básicos, dezenas de milhões de computadores para se comunicar, centenas de vezes mais que ao final da guerra do Vietnã, demonstrarão que não se pode enganar a todo o povo, e talvez nem sequer a uma parte do povo, durante todo o tempo. E um dia porá uma camisa-de-força a quem for necessário, antes que possam pôr fim à vida no planeta.
Em nome do milhão de pessoas aqui reunidas, neste Primeiro de Maio, desejo enviar uma mensagem ao mundo e ao povo norte-americano:
Não desejamos que o sangue de cubanos e norte-americanos seja derramado numa guerra; não desejamos que um incalculável número de vidas de pessoas que podem ser amistosas se perca numa contenda. Mas nunca um povo teve coisas tão sagradas a defender, nem convicções tão profundas pelas quais lutar, a ponto de preferir desaparecer da face da Terra, antes de renunciar à obra nobre e generosa pela qual muitas gerações de cubanos pagaram o elevado custo de muitas vidas de seus melhores filhos.
Acompanha-nos a convicção mais profunda de que as idéias podem mais que as armas, por sofisticadas e poderosas que estas sejam.
Digamos como o Che, ao despedir-se de nós:
Até a vitória sempre!
Ao longo de quase 15 anos, Cuba ocupou um lugar de honra na solidariedade com o heróico povo do Vietnã, numa guerra bárbara e brutal dos Estados Unidos, que matou a quatro milhões de vietnamitas, fora o número de feridos e mutilados de guerra; que inundou seu solo de produtos químicos, causando incalculáveis danos, ainda presentes. Pretexto: o Vietnã, um país pobre e subdesenvolvido, situado a 20 mil quilômetros dos Estados Unidos, constituía um perigo para a segurança nacional desse país.
Sangue cubano foi derramado, junto com o sangue de cidadãos de vários países latino-americanos, e junto com o sangue cubano e latino-americano do Che, assassinado por instrução dos agentes dos Estados Unidos na Bolívia, quando se encontrava ferido e prisioneiro, e sua arma tinha sido inutilizada por um balaço no combate.
Sangue cubano de operários da construção, que já estavam a ponto de concluir um aeroporto internacional que era vital para a economia de uma pequeníssima ilha que vivia do turismo, foi derramado combatendo em defesa de Granada, invadida pelos Estados Unidos com cínicos pretextos.
Sangue cubano foi derramado na Nicarágua, quando instrutores de nossas Forças Armadas treinavam os bravos soldados nicaragüenses, que enfrentavam a guerra suja organizada e armada pelos Estados Unidos contra a Revolução sandinista.
E não mencionei todos os exemplos.
Passam de dois mil, os heróicos combatentes internacionalistas cubanos que deram sua vida, cumprindo o sagrado dever de apoiar a luta de libertação, pela independência de outros povos irmãos. Em nenhum desses países, existe uma propriedade cubana.
Nenhum outro país de nossa época conta com tão brilhante folha de solidariedade sincera e desinteressada.
Cuba sempre predicou com seu exemplo. Jamais claudicou. Jamais vendeu a causa de outro povo. Jamais fez concessões. Jamais traiu princípios. Por alguma razão, foi reeleita por aclamação, há apenas 48 horas, no Conselho Econômico e Social das Nações Unidas, como membro por mais três anos da Comissão de Direitos Humanos, integrando esse órgão, de maneira ininterrupta, durante 15 anos.
Mais de meio milhão de cubanos cumpriram missões internacionalistas como combatentes, como professores, como técnicos ou como médicos e trabalhadores da saúde. Dezenas de milhares desses últimos prestaram serviços e salvaram a milhões de vidas, ao longo de mais de 40 anos. Atualmente, três mil especialistas em Medicina Geral Integral e outros trabalhadores da saúde laboram nos lugares mais recônditos de 18 países do Terceiro Mundo, onde, mediante métodos preventivos e terapêuticos, salvam, a cada ano, a centenas de milhares de vidas. e preservam ou devolvem a saúde a milhões de pessoas, sem cobrar um único centavo por seus serviços.
Sem os médicos cubanos oferecidos à Organização das Nações Unidas, caso esta obtenha os fundos necessários ¿ sem os quais, nações inteiras e até regiões completas da África ao Sul do Sara correm o risco de perecer ¿, os imprescindíveis e urgentes programas de luta contra a AIDS não poderiam ser realizados.
O mundo capitalista desenvolvido criou abundante capital financeiro, mas não criou o mínimo capital humano que o Terceiro Mundo necessita desesperadamente.
Cuba desenvolveu técnicas para ensinar por rádio a ler e escrever, com textos hoje elaborados em cinco idiomas: o crioulo do Caribe, português, francês, inglês e espanhol, que já estão sendo postos em prática em alguns países. Está a ponto de concluir um programa similar em espanhol, de excepcional qualidade, para alfabetizar por televisão. São programas idealizados por Cuba e genuinamente cubanos. Não nos interessa a exclusividade da patente. Estamos dispostos a oferecê-los a todos os países do Terceiro Mundo, onde se concentra o maior número de analfabetos, sem cobrar um único centavo. Em cinco anos, os 800 milhões de analfabetos poderiam reduzir-se em 80 por cento, a um custo mínimo.
Quando a URSS e o campo socialista desapareceram, ninguém apostava um centavo na sobrevivência da Revolução Cubana. Os Estados Unidos intensificaram o bloqueio. Surgiram as leis Torricelli e Helms-Burton, esta última de caráter extraterritorial. Nossos mercados e fontes de fornecimentos fundamentais desapareceram abruptamente. O consumo de calorias e proteínas se reduziu quase à metade. O país resistiu e avançou consideravelmente no campo social. Hoje já recuperou grande parte de seus requerimentos nutritivos e avança aceleradamente em outros campos. Mesmo nessas condições, a obra realizada e a consciência criada durante anos operaram o milagre. Por que resistimos? Porque a Revolução sempre contou, conta e contará, cada vez mais, com o apoio do povo, um povo inteligente, cada vez mais unido, mais culto e mais combativo.
Cuba, que foi o primeiro país a solidarizar-se com o povo norte-americano, em 11 de setembro de 2001, foi também o primeiro a advertir sobre o caráter neofascista que a política da extrema-direita dos Estados Unidos, que assumiu fraudulentamente o poder em novembro do ano 2000, propunha-se a impor ao mundo. Essa política não surge movida pelo atroz ataque terrorista contra o povo dos Estados Unidos, cometido por membros de uma organização fanática que, em tempos passados, serviu a outras administrações norte-americanas. Era um pensamento friamente concebido e elaborado, que explica o rearmamento e os colossais gastos em armamentos, quando a guerra fria já não existia, e estava longe de acontecer o sucesso de setembro. Os fatos do dia 11 daquele fatídico mês do ano de 2001 serviram de pretexto ideal para colocá-lo em marcha.
Em 20 de setembro desse ano, o presidente Bush expressou-o abertamente, diante de um Congresso abalado pelos trágicos acontecimentos de nove dias antes. Utilizando estranhos termos, falou de "justiça infinita", como objetivo de uma guerra aparentemente também infinita:
"O país não deve esperar apenas uma batalha, mas uma campanha prolongada, uma campanha sem paralelo em nossa história".
"Vamos utilizar qualquer arma de guerra que seja necessária".
"Qualquer nação, em qualquer lugar, tem agora de tomar uma decisão: ou estão conosco, ou estão com o terrorismo".
"Pedi às Forças Armadas que fiquem em alerta, e há uma razão para isso: aproxima-se a hora de entrarmos em ação".
"Esta é uma luta da civilização".
"As conquistas de nossos tempos e as esperanças de todos os tempos dependem de nós".
"Não sabemos qual será o roteiro deste conflito, mas sim qual será o desenlace [...] E sabemos que Deus não é neutro".
Falava um estadista ou um fanático incontrolável?
Dois dias depois, em 22 de setembro, Cuba denunciou esse discurso como o desenho da idéia de uma ditadura militar mundial, sob a égide da força bruta, sem leis nem instituições internacionais de qualquer índole.
"... A Organização das Nações Unidas, absolutamente ignorada na crise atual, não teria nenhuma autoridade ou prerrogativa; haveria um só chefe, um só juiz, uma só lei".
Meses mais tarde, ao cumprir-se o 200º aniversário da Academia de West Point, no ato de graduação de 958 cadetes, celebrado em 3 de junho de 2002, o presidente Bush aprofundou seu pensamento, numa ardente arenga aos jovens militares que se formavam naquele dia, em que estão contidas suas idéias fixas essenciais:
"Nossa segurança exigirá que transformemos a força militar que vocês dirigirão numa força que deve estar pronta para atacar imediatamente em qualquer obscuro rincão do mundo. E nossa segurança exigirá que estejamos prontos para o ataque preventivo, quando seja necessário defender nossa liberdade e defender nossas vidas".
"Devemos descobrir células terroristas em 60 países ou mais...".
"Enviaremos vocês, nossos soldados, aonde vocês sejam necessários".
"Não deixaremos a segurança da América e a paz do planeta à mercê de um punhado de terroristas e tiranos loucos. Eliminaremos essa sombria ameaça de nosso país e do mundo".
"A alguns, preocupa que seja pouco diplomático ou descortês falar em termos de bem e mal: Não estou de acordo. [...] Estamos diante de um conflito entre o bem e o mal, e a América sempre chamará o mal por seu nome. Quando enfrentamos o mal e regimes anárquicos, não criamos um problema, senão que revelamos um problema. E dirigiremos o mundo na luta contra o problema".
No discurso que pronunciei na Tribuna Aberta realizada na Praça da Revolução "Antonio Maceo", de Santiago de Cuba, em 8 de junho de 2002, diante de meio milhão de santiagueiros, disse:
"Como se vê, no discurso não aparece uma só menção à organização das Nações Unidas, nem uma frase referente ao direito dos povos à segurança e à paz, à necessidade de um mundo regido por normas e princípios".
"A humanidade conheceu, há apenas dois terços de século, a amarga experiência do nazismo. Hitler teve como aliado inseparável o medo que foi capaz de impor a seus adversários. [...] Já possuidor de uma temível força militar, deflagrou uma guerra que incendiou o mundo. A falta de visão e a covardia dos estadistas das mais fortes potências européias daquela época deram lugar a uma grande tragédia".
"Não creio que possa instaurar-se, nos Estados Unidos, um regime fascista. Dentro de seu sistema político foram cometidos graves erros e injustiças ¿ muitas das quais ainda perduram ¿, mas o povo norte-americano conta com determinadas instituições, tradições, valores educativos, culturais e éticos que praticamente o impossibilitam. O risco está na esfera internacional. São tais as faculdades e prerrogativas de um presidente, e tão imensa a rede de poder militar, econômico e tecnológico desse Estado, que, de fato, em virtude de circunstâncias completamente alheias à vontade do povo norte-americano, o mundo está começando a ser regido por métodos e concepções nazistas".
"Os miseráveis insetos que habitam 60 ou mais nações do mundo, selecionadas por ele, seus colaboradores íntimos e, no caso de Cuba, por seus amigos de Miami, não interessam em nada. Constituem os ¿obscuros rincões do mundo¿, que podem ser objeto de seus ataques ¿preventivos e de surpresa¿. Dentre eles, está Cuba, que, ademais, foi incluída entre os que patrocinam o terrorismo".
Mencionei pela primeira vez a idéia duma tirania mundial, um ano, três meses e 19 dias antes do ataque ao Iraque.
Nos dias anteriores ao início da guerra, o presidente Bush voltou a repetir que utilizaria, se for necessário, qualquer meio do arsenal norte-americano, ou seja, armas nucleares, armas químicas e armas biológicas.
Antes já tinha se realizado o ataque e ocupação do Afeganistão.
Hoje, os chamados "dissidentes", mercenários a soldo do governo hitleriano de Bush, atraiçoam não apenas a sua Pátria, senão também à humanidade.
Diante dos planos sinistros contra nossa Pátria, por parte dessa extrema-direita neofascista e seus aliados da máfia terrorista de Miami, que lhe deram a vitória com a fraude eleitoral, gostaríamos de saber quantos dos que, a partir de supostas posições de esquerda e humanistas, atacaram a nosso povo pelas medidas legais que, em ato de legítima defesa, nos vimos obrigados a adotar, frente aos planos agressivos da superpotência, a poucas milhas da nossa costa e com uma base militar em nosso próprio território, quantos desses puderam ler essas palavras, tomar consciência, denunciar e condenar a política anunciada nos discursos pronunciados pelo senhor Bush a que me referi, nos quais é proclamada uma sinistra política internacional nazi-fascista, pelo chefe do país que possui a mais poderosa força militar jamais concebida, cujas armas podem destruir dez vezes a humanidade indefesa.
O mundo inteiro se mobilizou, frente às espantosas imagens de cidades, destruídas e incendiadas por atrozes bombardeios, crianças mutiladas e cadáveres destroçados de pessoas inocentes.
Deixando de lado os grupos políticos oportunistas, demagogos e politiqueiros, sobejamente conhecidos, refiro-me fundamentalmente agora aos que foram amistosos com Cuba e lutadores apreciados. Não desejamos que os que a atacaram, a nosso ver de forma injusta, por desinformação ou falta de análise meditada e profunda, tenham de passar por uma dor infinita, se um dia nossas cidades estiverem sendo destruídas, e nossas crianças e suas mães, mulheres e homens, jovens e anciãos, destroçados pelas bombas do nazi-fascismo, e vejam que suas declarações foram cinicamente utilizadas pelos agressores, para justificar um ataque militar contra Cuba.
O dano humano não pode ser medido apenas pelos números de crianças mortas e mutiladas, senão também pelos milhões de crianças e mães, mulheres e homens, jovens e anciãos que ficarão traumatizados pelo resto da vida.
Respeitamos totalmente as opiniões dos que, por razões religiosas, filosóficas ou humanitárias, opõem à pena capital, que os revolucionários cubanos também abominamos, por razões mais profundas que as que foram abordadas pelas ciências sociais sobre o delito, hoje em processo de estudo em nosso país. Llegará o dia en que possamos aceder aos desejos tão nobremente exprimidos no seu brilhante dircurso pelo Pastor Lucius Walker de acabar com esta pena. Compreende-se a especial preocupação sobre o tema, quando se sabe que a maioria das pessoas executadas nos Estados Unidos é de afro-norte-americanos e latinos, não poucas vezes inocentes, especialmente no Texas, campeão da pena capital, onde foi governador o presidente Bush e onde nunca se perdoou uma única vida.
A Revolução cubana foi posta no dilema de proteger a vida de milhões de compatriotas, sancionando com a pena capital legalmente estabelecida aos três principais seqüestradores de uma embarcação de passageiros ¿ estimulados pelo governo dos Estados Unidos, que trata de alentar o potencial delitivo de caráter comum, a assaltar barcos ou aeronaves com passageiros a bordo, pondo em grave perigo a vida destes, criando condições propícias para uma agressão a Cuba, desatando uma onda de seqüestros já em pleno desenvolvimento, que era necessário frear em seco ¿, ou cruzar os braços. Não podemos vacilar jamais, quando se trata de proteger a vida dos filhos de um povo decidido a lutar até o final, prender mercenários que servem aos agressores, e aplicar os castigos mais severos a terroristas que seqüestrem aeronaves ou embarcações de passageiros, ou que cometam atos de gravidade similar, que sejam condenado pelos tribunais, de acordo com leis preexistentes.
Nem Cristo, que expulsou os vendilhões do templo a chicotadas, deixaria de optar pela defesa do povo.
Por Sua Santidade Papa João Paulo II, sinto um sincero e profundo respeito. Compreendo e admiro sua nobre luta pela vida e pela paz. Ninguém se opôs tanto e tão tenazmente como ele à guerra contra o Iraque. Estou absolutamente seguro de que nunca teria aconselhado os xiitas e sunitas a deixar-se matar sem se defender; tampouco aconselharia algo parecido aos cubanos. Ele sabe perfeitamente que este não é um problema entre cubanos; é um problema entre o povo de Cuba e o governo dos Estados Unidos.
A política do governo dos Estados Unidos é tão provocadora e desavergonhada, que o passado dia 25 de abril o Senhor Kevin Whitaker, chefe do Burô Cuba do Departamento de Estado, disse ao chefe da nossa Rapartição de Interesses em Washington, que o Escritório de Segurança Doméstica, pertencente ao Conselho de Segurança Nacional, considerava que os continuados seqüestros desde Cuba constituiam uma séria ameaça para a segurança Nacional dos Estados Unidos, e solicitava ao governo de Cuba que tomasse todas as medidas necessárias para evitar fatos desta natureza, como se eles não fossem quem provocaram e estimularam esses seqüestros, e não fóssemos nós os que, para proteger a vida e a segurança dos passageiros e conhecendo desde há bastante tempo os planos criminais da extrema direita fascista contra Cuba, tomamos as medidas drásticas para impedi-lo. Sabido por eles esse contato do dia 25, criou um grande alvoroço na máfia terrorista de Miami. Ainda não compreendem que as suas ameaçam diretas ou indiretas contra Cuba não lhe tiram o sono a ninguém.
A hipocrisia da política ocidental e de um numeroso grupo de líderes medíocres é tão grande, que não caberia no fundo do Oceano Atlântico. Qualquer medida que Cuba adote em sua legítima defesa é publicada entre as primeiras notícias de quase todos os meios de difusão de massa. Sem dúvida, quando denunciamos que, sob o mandato de um chefe do governo espanhol, dezenas de militantes do ETA foram executados extrajudicialmente, sem que ninguém protestasse nem o denunciasse diante da Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas, e outro chefe de governo, num momento difícil da guerra de Kosovo, aconselhou ao Presidente dos Estados Unidos intensificar a guerra, multiplicar os bombardeios e atacar os objetivos civis, causando a morte de centenas de inocentes, e imenso sacrifício a milhões de pessoas, a imprensa diz apenas: "Castro arremeteu contra Felipe e Aznar". Do conteúdo real, nem uma palavra.
Em Miami e em Washington discute-se hoje onde, como e quando se atacará a Cuba, ou se resolverá o problema da Revolução.
De imediato, fala-se de medidas econômicas que endureçam o brutal bloqueio, mas ainda não sabem qual escolher, com quem se resignam a brigar e que efetividade podem ter. Restam-lhe bem poucas. Já gastaram quase todas.
Um cínico rufião, mal chamado Lincoln, e Díaz-Balart como sobrenome, amigo íntimo e conselheiro do presidente Bush, declarou a uma cadeia de televisão de Miami as seguintes palavras enigmáticas: "Não posso entrar em detalhes, mas estamos tratando de romper esse círculo vicioso".
A qual dos métodos para manejar o círculo vicioso se refere? Eliminar-me fisicamente, a partir dos sofisticados meios modernos que desenvolveram, como lhes prometeu o senhor Bush, no Texas, antes das eleições, ou atacar a Cuba, no estilo Iraque?
Se fosse o primeiro, não me preocupa em absoluto. As idéias pelas quais lutei durante toda a vida não poderão morrer, e viverão durante muito tempo.
Se a fórmula fosse atacar a Cuba como ao Iraque, me doeria muito, pelo custo em vidas e pela enorme destruição que significaria para Cuba. Mas talvez seja esse o último dos ataques fascistas desta administração, porque a luta duraria muito tempo, com os agressores enfrentando não apenas a um exército, mas a milhares de exércitos que se reproduziriam constantemente, e fariam o adversário pagar um custo tão grande em baixas, que estaria muito acima do preço em vidas de seus filhos que o povo norte-americano estaria disposto a pagar, pelas aventuras e idéias do presidente Bush, hoje com apoio majoritário, mas decrescente, e amanhã reduzido a zero.
O próprio povo norte-americano, os milhões de pessoas com elevada cultura que ali raciocinam e pensam, seus princípios éticos básicos, dezenas de milhões de computadores para se comunicar, centenas de vezes mais que ao final da guerra do Vietnã, demonstrarão que não se pode enganar a todo o povo, e talvez nem sequer a uma parte do povo, durante todo o tempo. E um dia porá uma camisa-de-força a quem for necessário, antes que possam pôr fim à vida no planeta.
Em nome do milhão de pessoas aqui reunidas, neste Primeiro de Maio, desejo enviar uma mensagem ao mundo e ao povo norte-americano:
Não desejamos que o sangue de cubanos e norte-americanos seja derramado numa guerra; não desejamos que um incalculável número de vidas de pessoas que podem ser amistosas se perca numa contenda. Mas nunca um povo teve coisas tão sagradas a defender, nem convicções tão profundas pelas quais lutar, a ponto de preferir desaparecer da face da Terra, antes de renunciar à obra nobre e generosa pela qual muitas gerações de cubanos pagaram o elevado custo de muitas vidas de seus melhores filhos.
Acompanha-nos a convicção mais profunda de que as idéias podem mais que as armas, por sofisticadas e poderosas que estas sejam.
Digamos como o Che, ao despedir-se de nós:
Até a vitória sempre!
Ao longo de quase 15 anos, Cuba ocupou um lugar de honra na solidariedade com o heróico povo do Vietnã, numa guerra bárbara e brutal dos Estados Unidos, que matou a quatro milhões de vietnamitas, fora o número de feridos e mutilados de guerra; que inundou seu solo de produtos químicos, causando incalculáveis danos, ainda presentes. Pretexto: o Vietnã, um país pobre e subdesenvolvido, situado a 20 mil quilômetros dos Estados Unidos, constituía um perigo para a segurança nacional desse país.
Sangue cubano foi derramado, junto com o sangue de cidadãos de vários países latino-americanos, e junto com o sangue cubano e latino-americano do Che, assassinado por instrução dos agentes dos Estados Unidos na Bolívia, quando se encontrava ferido e prisioneiro, e sua arma tinha sido inutilizada por um balaço no combate.
Sangue cubano de operários da construção, que já estavam a ponto de concluir um aeroporto internacional que era vital para a economia de uma pequeníssima ilha que vivia do turismo, foi derramado combatendo em defesa de Granada, invadida pelos Estados Unidos com cínicos pretextos.
Sangue cubano foi derramado na Nicarágua, quando instrutores de nossas Forças Armadas treinavam os bravos soldados nicaragüenses, que enfrentavam a guerra suja organizada e armada pelos Estados Unidos contra a Revolução sandinista.
E não mencionei todos os exemplos.
Passam de dois mil, os heróicos combatentes internacionalistas cubanos que deram sua vida, cumprindo o sagrado dever de apoiar a luta de libertação, pela independência de outros povos irmãos. Em nenhum desses países, existe uma propriedade cubana.
Nenhum outro país de nossa época conta com tão brilhante folha de solidariedade sincera e desinteressada.
Cuba sempre predicou com seu exemplo. Jamais claudicou. Jamais vendeu a causa de outro povo. Jamais fez concessões. Jamais traiu princípios. Por alguma razão, foi reeleita por aclamação, há apenas 48 horas, no Conselho Econômico e Social das Nações Unidas, como membro por mais três anos da Comissão de Direitos Humanos, integrando esse órgão, de maneira ininterrupta, durante 15 anos.
Mais de meio milhão de cubanos cumpriram missões internacionalistas como combatentes, como professores, como técnicos ou como médicos e trabalhadores da saúde. Dezenas de milhares desses últimos prestaram serviços e salvaram a milhões de vidas, ao longo de mais de 40 anos. Atualmente, três mil especialistas em Medicina Geral Integral e outros trabalhadores da saúde laboram nos lugares mais recônditos de 18 países do Terceiro Mundo, onde, mediante métodos preventivos e terapêuticos, salvam, a cada ano, a centenas de milhares de vidas. e preservam ou devolvem a saúde a milhões de pessoas, sem cobrar um único centavo por seus serviços.
Sem os médicos cubanos oferecidos à Organização das Nações Unidas, caso esta obtenha os fundos necessários ¿ sem os quais, nações inteiras e até regiões completas da África ao Sul do Sara correm o risco de perecer ¿, os imprescindíveis e urgentes programas de luta contra a AIDS não poderiam ser realizados.
O mundo capitalista desenvolvido criou abundante capital financeiro, mas não criou o mínimo capital humano que o Terceiro Mundo necessita desesperadamente.
Cuba desenvolveu técnicas para ensinar por rádio a ler e escrever, com textos hoje elaborados em cinco idiomas: o crioulo do Caribe, português, francês, inglês e espanhol, que já estão sendo postos em prática em alguns países. Está a ponto de concluir um programa similar em espanhol, de excepcional qualidade, para alfabetizar por televisão. São programas idealizados por Cuba e genuinamente cubanos. Não nos interessa a exclusividade da patente. Estamos dispostos a oferecê-los a todos os países do Terceiro Mundo, onde se concentra o maior número de analfabetos, sem cobrar um único centavo. Em cinco anos, os 800 milhões de analfabetos poderiam reduzir-se em 80 por cento, a um custo mínimo.
Quando a URSS e o campo socialista desapareceram, ninguém apostava um centavo na sobrevivência da Revolução Cubana. Os Estados Unidos intensificaram o bloqueio. Surgiram as leis Torricelli e Helms-Burton, esta última de caráter extraterritorial. Nossos mercados e fontes de fornecimentos fundamentais desapareceram abruptamente. O consumo de calorias e proteínas se reduziu quase à metade. O país resistiu e avançou consideravelmente no campo social. Hoje já recuperou grande parte de seus requerimentos nutritivos e avança aceleradamente em outros campos. Mesmo nessas condições, a obra realizada e a consciência criada durante anos operaram o milagre. Por que resistimos? Porque a Revolução sempre contou, conta e contará, cada vez mais, com o apoio do povo, um povo inteligente, cada vez mais unido, mais culto e mais combativo.
Cuba, que foi o primeiro país a solidarizar-se com o povo norte-americano, em 11 de setembro de 2001, foi também o primeiro a advertir sobre o caráter neofascista que a política da extrema-direita dos Estados Unidos, que assumiu fraudulentamente o poder em novembro do ano 2000, propunha-se a impor ao mundo. Essa política não surge movida pelo atroz ataque terrorista contra o povo dos Estados Unidos, cometido por membros de uma organização fanática que, em tempos passados, serviu a outras administrações norte-americanas. Era um pensamento friamente concebido e elaborado, que explica o rearmamento e os colossais gastos em armamentos, quando a guerra fria já não existia, e estava longe de acontecer o sucesso de setembro. Os fatos do dia 11 daquele fatídico mês do ano de 2001 serviram de pretexto ideal para colocá-lo em marcha.
Em 20 de setembro desse ano, o presidente Bush expressou-o abertamente, diante de um Congresso abalado pelos trágicos acontecimentos de nove dias antes. Utilizando estranhos termos, falou de "justiça infinita", como objetivo de uma guerra aparentemente também infinita:
"O país não deve esperar apenas uma batalha, mas uma campanha prolongada, uma campanha sem paralelo em nossa história".
"Vamos utilizar qualquer arma de guerra que seja necessária".
"Qualquer nação, em qualquer lugar, tem agora de tomar uma decisão: ou estão conosco, ou estão com o terrorismo".
"Pedi às Forças Armadas que fiquem em alerta, e há uma razão para isso: aproxima-se a hora de entrarmos em ação".
"Esta é uma luta da civilização".
"As conquistas de nossos tempos e as esperanças de todos os tempos dependem de nós".
"Não sabemos qual será o roteiro deste conflito, mas sim qual será o desenlace [...] E sabemos que Deus não é neutro".
Falava um estadista ou um fanático incontrolável?
Dois dias depois, em 22 de setembro, Cuba denunciou esse discurso como o desenho da idéia de uma ditadura militar mundial, sob a égide da força bruta, sem leis nem instituições internacionais de qualquer índole.
"... A Organização das Nações Unidas, absolutamente ignorada na crise atual, não teria nenhuma autoridade ou prerrogativa; haveria um só chefe, um só juiz, uma só lei".
Meses mais tarde, ao cumprir-se o 200º aniversário da Academia de West Point, no ato de graduação de 958 cadetes, celebrado em 3 de junho de 2002, o presidente Bush aprofundou seu pensamento, numa ardente arenga aos jovens militares que se formavam naquele dia, em que estão contidas suas idéias fixas essenciais:
"Nossa segurança exigirá que transformemos a força militar que vocês dirigirão numa força que deve estar pronta para atacar imediatamente em qualquer obscuro rincão do mundo. E nossa segurança exigirá que estejamos prontos para o ataque preventivo, quando seja necessário defender nossa liberdade e defender nossas vidas".
"Devemos descobrir células terroristas em 60 países ou mais...".
"Enviaremos vocês, nossos soldados, aonde vocês sejam necessários".
"Não deixaremos a segurança da América e a paz do planeta à mercê de um punhado de terroristas e tiranos loucos. Eliminaremos essa sombria ameaça de nosso país e do mundo".
"A alguns, preocupa que seja pouco diplomático ou descortês falar em termos de bem e mal: Não estou de acordo. [...] Estamos diante de um conflito entre o bem e o mal, e a América sempre chamará o mal por seu nome. Quando enfrentamos o mal e regimes anárquicos, não criamos um problema, senão que revelamos um problema. E dirigiremos o mundo na luta contra o problema".
No discurso que pronunciei na Tribuna Aberta realizada na Praça da Revolução "Antonio Maceo", de Santiago de Cuba, em 8 de junho de 2002, diante de meio milhão de santiagueiros, disse:
"Como se vê, no discurso não aparece uma só menção à organização das Nações Unidas, nem uma frase referente ao direito dos povos à segurança e à paz, à necessidade de um mundo regido por normas e princípios".
"A humanidade conheceu, há apenas dois terços de século, a amarga experiência do nazismo. Hitler teve como aliado inseparável o medo que foi capaz de impor a seus adversários. [...] Já possuidor de uma temível força militar, deflagrou uma guerra que incendiou o mundo. A falta de visão e a covardia dos estadistas das mais fortes potências européias daquela época deram lugar a uma grande tragédia".
"Não creio que possa instaurar-se, nos Estados Unidos, um regime fascista. Dentro de seu sistema político foram cometidos graves erros e injustiças ¿ muitas das quais ainda perduram ¿, mas o povo norte-americano conta com determinadas instituições, tradições, valores educativos, culturais e éticos que praticamente o impossibilitam. O risco está na esfera internacional. São tais as faculdades e prerrogativas de um presidente, e tão imensa a rede de poder militar, econômico e tecnológico desse Estado, que, de fato, em virtude de circunstâncias completamente alheias à vontade do povo norte-americano, o mundo está começando a ser regido por métodos e concepções nazistas".
"Os miseráveis insetos que habitam 60 ou mais nações do mundo, selecionadas por ele, seus colaboradores íntimos e, no caso de Cuba, por seus amigos de Miami, não interessam em nada. Constituem os ¿obscuros rincões do mundo¿, que podem ser objeto de seus ataques ¿preventivos e de surpresa¿. Dentre eles, está Cuba, que, ademais, foi incluída entre os que patrocinam o terrorismo".
Mencionei pela primeira vez a idéia duma tirania mundial, um ano, três meses e 19 dias antes do ataque ao Iraque.
Nos dias anteriores ao início da guerra, o presidente Bush voltou a repetir que utilizaria, se for necessário, qualquer meio do arsenal norte-americano, ou seja, armas nucleares, armas químicas e armas biológicas.
Antes já tinha se realizado o ataque e ocupação do Afeganistão.
Hoje, os chamados "dissidentes", mercenários a soldo do governo hitleriano de Bush, atraiçoam não apenas a sua Pátria, senão também à humanidade.
Diante dos planos sinistros contra nossa Pátria, por parte dessa extrema-direita neofascista e seus aliados da máfia terrorista de Miami, que lhe deram a vitória com a fraude eleitoral, gostaríamos de saber quantos dos que, a partir de supostas posições de esquerda e humanistas, atacaram a nosso povo pelas medidas legais que, em ato de legítima defesa, nos vimos obrigados a adotar, frente aos planos agressivos da superpotência, a poucas milhas da nossa costa e com uma base militar em nosso próprio território, quantos desses puderam ler essas palavras, tomar consciência, denunciar e condenar a política anunciada nos discursos pronunciados pelo senhor Bush a que me referi, nos quais é proclamada uma sinistra política internacional nazi-fascista, pelo chefe do país que possui a mais poderosa força militar jamais concebida, cujas armas podem destruir dez vezes a humanidade indefesa.
O mundo inteiro se mobilizou, frente às espantosas imagens de cidades, destruídas e incendiadas por atrozes bombardeios, crianças mutiladas e cadáveres destroçados de pessoas inocentes.
Deixando de lado os grupos políticos oportunistas, demagogos e politiqueiros, sobejamente conhecidos, refiro-me fundamentalmente agora aos que foram amistosos com Cuba e lutadores apreciados. Não desejamos que os que a atacaram, a nosso ver de forma injusta, por desinformação ou falta de análise meditada e profunda, tenham de passar por uma dor infinita, se um dia nossas cidades estiverem sendo destruídas, e nossas crianças e suas mães, mulheres e homens, jovens e anciãos, destroçados pelas bombas do nazi-fascismo, e vejam que suas declarações foram cinicamente utilizadas pelos agressores, para justificar um ataque militar contra Cuba.
O dano humano não pode ser medido apenas pelos números de crianças mortas e mutiladas, senão também pelos milhões de crianças e mães, mulheres e homens, jovens e anciãos que ficarão traumatizados pelo resto da vida.
Respeitamos totalmente as opiniões dos que, por razões religiosas, filosóficas ou humanitárias, opõem à pena capital, que os revolucionários cubanos também abominamos, por razões mais profundas que as que foram abordadas pelas ciências sociais sobre o delito, hoje em processo de estudo em nosso país. Llegará o dia en que possamos aceder aos desejos tão nobremente exprimidos no seu brilhante dircurso pelo Pastor Lucius Walker de acabar com esta pena. Compreende-se a especial preocupação sobre o tema, quando se sabe que a maioria das pessoas executadas nos Estados Unidos é de afro-norte-americanos e latinos, não poucas vezes inocentes, especialmente no Texas, campeão da pena capital, onde foi governador o presidente Bush e onde nunca se perdoou uma única vida.
A Revolução cubana foi posta no dilema de proteger a vida de milhões de compatriotas, sancionando com a pena capital legalmente estabelecida aos três principais seqüestradores de uma embarcação de passageiros ¿ estimulados pelo governo dos Estados Unidos, que trata de alentar o potencial delitivo de caráter comum, a assaltar barcos ou aeronaves com passageiros a bordo, pondo em grave perigo a vida destes, criando condições propícias para uma agressão a Cuba, desatando uma onda de seqüestros já em pleno desenvolvimento, que era necessário frear em seco ¿, ou cruzar os braços. Não podemos vacilar jamais, quando se trata de proteger a vida dos filhos de um povo decidido a lutar até o final, prender mercenários que servem aos agressores, e aplicar os castigos mais severos a terroristas que seqüestrem aeronaves ou embarcações de passageiros, ou que cometam atos de gravidade similar, que sejam condenado pelos tribunais, de acordo com leis preexistentes.
Nem Cristo, que expulsou os vendilhões do templo a chicotadas, deixaria de optar pela defesa do povo.
Por Sua Santidade Papa João Paulo II, sinto um sincero e profundo respeito. Compreendo e admiro sua nobre luta pela vida e pela paz. Ninguém se opôs tanto e tão tenazmente como ele à guerra contra o Iraque. Estou absolutamente seguro de que nunca teria aconselhado os xiitas e sunitas a deixar-se matar sem se defender; tampouco aconselharia algo parecido aos cubanos. Ele sabe perfeitamente que este não é um problema entre cubanos; é um problema entre o povo de Cuba e o governo dos Estados Unidos.
A política do governo dos Estados Unidos é tão provocadora e desavergonhada, que o passado dia 25 de abril o Senhor Kevin Whitaker, chefe do Burô Cuba do Departamento de Estado, disse ao chefe da nossa Rapartição de Interesses em Washington, que o Escritório de Segurança Doméstica, pertencente ao Conselho de Segurança Nacional, considerava que os continuados seqüestros desde Cuba constituiam uma séria ameaça para a segurança Nacional dos Estados Unidos, e solicitava ao governo de Cuba que tomasse todas as medidas necessárias para evitar fatos desta natureza, como se eles não fossem quem provocaram e estimularam esses seqüestros, e não fóssemos nós os que, para proteger a vida e a segurança dos passageiros e conhecendo desde há bastante tempo os planos criminais da extrema direita fascista contra Cuba, tomamos as medidas drásticas para impedi-lo. Sabido por eles esse contato do dia 25, criou um grande alvoroço na máfia terrorista de Miami. Ainda não compreendem que as suas ameaçam diretas ou indiretas contra Cuba não lhe tiram o sono a ninguém.
A hipocrisia da política ocidental e de um numeroso grupo de líderes medíocres é tão grande, que não caberia no fundo do Oceano Atlântico. Qualquer medida que Cuba adote em sua legítima defesa é publicada entre as primeiras notícias de quase todos os meios de difusão de massa. Sem dúvida, quando denunciamos que, sob o mandato de um chefe do governo espanhol, dezenas de militantes do ETA foram executados extrajudicialmente, sem que ninguém protestasse nem o denunciasse diante da Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas, e outro chefe de governo, num momento difícil da guerra de Kosovo, aconselhou ao Presidente dos Estados Unidos intensificar a guerra, multiplicar os bombardeios e atacar os objetivos civis, causando a morte de centenas de inocentes, e imenso sacrifício a milhões de pessoas, a imprensa diz apenas: "Castro arremeteu contra Felipe e Aznar". Do conteúdo real, nem uma palavra.
Em Miami e em Washington discute-se hoje onde, como e quando se atacará a Cuba, ou se resolverá o problema da Revolução.
De imediato, fala-se de medidas econômicas que endureçam o brutal bloqueio, mas ainda não sabem qual escolher, com quem se resignam a brigar e que efetividade podem ter. Restam-lhe bem poucas. Já gastaram quase todas.
Um cínico rufião, mal chamado Lincoln, e Díaz-Balart como sobrenome, amigo íntimo e conselheiro do presidente Bush, declarou a uma cadeia de televisão de Miami as seguintes palavras enigmáticas: "Não posso entrar em detalhes, mas estamos tratando de romper esse círculo vicioso".
A qual dos métodos para manejar o círculo vicioso se refere? Eliminar-me fisicamente, a partir dos sofisticados meios modernos que desenvolveram, como lhes prometeu o senhor Bush, no Texas, antes das eleições, ou atacar a Cuba, no estilo Iraque?
Se fosse o primeiro, não me preocupa em absoluto. As idéias pelas quais lutei durante toda a vida não poderão morrer, e viverão durante muito tempo.
Se a fórmula fosse atacar a Cuba como ao Iraque, me doeria muito, pelo custo em vidas e pela enorme destruição que significaria para Cuba. Mas talvez seja esse o último dos ataques fascistas desta administração, porque a luta duraria muito tempo, com os agressores enfrentando não apenas a um exército, mas a milhares de exércitos que se reproduziriam constantemente, e fariam o adversário pagar um custo tão grande em baixas, que estaria muito acima do preço em vidas de seus filhos que o povo norte-americano estaria disposto a pagar, pelas aventuras e idéias do presidente Bush, hoje com apoio majoritário, mas decrescente, e amanhã reduzido a zero.
O próprio povo norte-americano, os milhões de pessoas com elevada cultura que ali raciocinam e pensam, seus princípios éticos básicos, dezenas de milhões de computadores para se comunicar, centenas de vezes mais que ao final da guerra do Vietnã, demonstrarão que não se pode enganar a todo o povo, e talvez nem sequer a uma parte do povo, durante todo o tempo. E um dia porá uma camisa-de-força a quem for necessário, antes que possam pôr fim à vida no planeta.
Em nome do milhão de pessoas aqui reunidas, neste Primeiro de Maio, desejo enviar uma mensagem ao mundo e ao povo norte-americano:
Não desejamos que o sangue de cubanos e norte-americanos seja derramado numa guerra; não desejamos que um incalculável número de vidas de pessoas que podem ser amistosas se perca numa contenda. Mas nunca um povo teve coisas tão sagradas a defender, nem convicções tão profundas pelas quais lutar, a ponto de preferir desaparecer da face da Terra, antes de renunciar à obra nobre e generosa pela qual muitas gerações de cubanos pagaram o elevado custo de muitas vidas de seus melhores filhos.
Acompanha-nos a convicção mais profunda de que as idéias podem mais que as armas, por sofisticadas e poderosas que estas sejam.
Digamos como o Che, ao despedir-se de nós:
Até a vitória sempre!
Ao longo de quase 15 anos, Cuba ocupou um lugar de honra na solidariedade com o heróico povo do Vietnã, numa guerra bárbara e brutal dos Estados Unidos, que matou a quatro milhões de vietnamitas, fora o número de feridos e mutilados de guerra; que inundou seu solo de produtos químicos, causando incalculáveis danos, ainda presentes. Pretexto: o Vietnã, um país pobre e subdesenvolvido, situado a 20 mil quilômetros dos Estados Unidos, constituía um perigo para a segurança nacional desse país.
Ao longo de quase 15 anos, Cuba ocupou um lugar de honra na solidariedade com o heróico povo do Vietnã, numa guerra bárbara e brutal dos Estados Unidos, que matou a quatro milhões de vietnamitas, fora o número de feridos e mutilados de guerra; que inundou seu solo de produtos químicos, causando incalculáveis danos, ainda presentes. Pretexto: o Vietnã, um país pobre e subdesenvolvido, situado a 20 mil quilômetros dos Estados Unidos, constituía um perigo para a segurança nacional desse país.
Sangue cubano foi derramado, junto com o sangue de cidadãos de vários países latino-americanos, e junto com o sangue cubano e latino-americano do Che, assassinado por instrução dos agentes dos Estados Unidos na Bolívia, quando se encontrava ferido e prisioneiro, e sua arma tinha sido inutilizada por um balaço no combate.
Sangue cubano de operários da construção, que já estavam a ponto de concluir um aeroporto internacional que era vital para a economia de uma pequeníssima ilha que vivia do turismo, foi derramado combatendo em defesa de Granada, invadida pelos Estados Unidos com cínicos pretextos.
Sangue cubano foi derramado na Nicarágua, quando instrutores de nossas Forças Armadas treinavam os bravos soldados nicaragüenses, que enfrentavam a guerra suja organizada e armada pelos Estados Unidos contra a Revolução sandinista.
E não mencionei todos os exemplos.
Passam de dois mil, os heróicos combatentes internacionalistas cubanos que deram sua vida, cumprindo o sagrado dever de apoiar a luta de libertação, pela independência de outros povos irmãos. Em nenhum desses países, existe uma propriedade cubana.
Nenhum outro país de nossa época conta com tão brilhante folha de solidariedade sincera e desinteressada.
Cuba sempre predicou com seu exemplo. Jamais claudicou. Jamais vendeu a causa de outro povo. Jamais fez concessões. Jamais traiu princípios. Por alguma razão, foi reeleita por aclamação, há apenas 48 horas, no Conselho Econômico e Social das Nações Unidas, como membro por mais três anos da Comissão de Direitos Humanos, integrando esse órgão, de maneira ininterrupta, durante 15 anos.
Mais de meio milhão de cubanos cumpriram missões internacionalistas como combatentes, como professores, como técnicos ou como médicos e trabalhadores da saúde. Dezenas de milhares desses últimos prestaram serviços e salvaram a milhões de vidas, ao longo de mais de 40 anos. Atualmente, três mil especialistas em Medicina Geral Integral e outros trabalhadores da saúde laboram nos lugares mais recônditos de 18 países do Terceiro Mundo, onde, mediante métodos preventivos e terapêuticos, salvam, a cada ano, a centenas de milhares de vidas. e preservam ou devolvem a saúde a milhões de pessoas, sem cobrar um único centavo por seus serviços.
Sem os médicos cubanos oferecidos à Organização das Nações Unidas, caso esta obtenha os fundos necessários ¿ sem os quais, nações inteiras e até regiões completas da África ao Sul do Sara correm o risco de perecer ¿, os imprescindíveis e urgentes programas de luta contra a AIDS não poderiam ser realizados.
O mundo capitalista desenvolvido criou abundante capital financeiro, mas não criou o mínimo capital humano que o Terceiro Mundo necessita desesperadamente.
Cuba desenvolveu técnicas para ensinar por rádio a ler e escrever, com textos hoje elaborados em cinco idiomas: o crioulo do Caribe, português, francês, inglês e espanhol, que já estão sendo postos em prática em alguns países. Está a ponto de concluir um programa similar em espanhol, de excepcional qualidade, para alfabetizar por televisão. São programas idealizados por Cuba e genuinamente cubanos. Não nos interessa a exclusividade da patente. Estamos dispostos a oferecê-los a todos os países do Terceiro Mundo, onde se concentra o maior número de analfabetos, sem cobrar um único centavo. Em cinco anos, os 800 milhões de analfabetos poderiam reduzir-se em 80 por cento, a um custo mínimo.
Quando a URSS e o campo socialista desapareceram, ninguém apostava um centavo na sobrevivência da Revolução Cubana. Os Estados Unidos intensificaram o bloqueio. Surgiram as leis Torricelli e Helms-Burton, esta última de caráter extraterritorial. Nossos mercados e fontes de fornecimentos fundamentais desapareceram abruptamente. O consumo de calorias e proteínas se reduziu quase à metade. O país resistiu e avançou consideravelmente no campo social. Hoje já recuperou grande parte de seus requerimentos nutritivos e avança aceleradamente em outros campos. Mesmo nessas condições, a obra realizada e a consciência criada durante anos operaram o milagre. Por que resistimos? Porque a Revolução sempre contou, conta e contará, cada vez mais, com o apoio do povo, um povo inteligente, cada vez mais unido, mais culto e mais combativo.
Cuba, que foi o primeiro país a solidarizar-se com o povo norte-americano, em 11 de setembro de 2001, foi também o primeiro a advertir sobre o caráter neofascista que a política da extrema-direita dos Estados Unidos, que assumiu fraudulentamente o poder em novembro do ano 2000, propunha-se a impor ao mundo. Essa política não surge movida pelo atroz ataque terrorista contra o povo dos Estados Unidos, cometido por membros de uma organização fanática que, em tempos passados, serviu a outras administrações norte-americanas. Era um pensamento friamente concebido e elaborado, que explica o rearmamento e os colossais gastos em armamentos, quando a guerra fria já não existia, e estava longe de acontecer o sucesso de setembro. Os fatos do dia 11 daquele fatídico mês do ano de 2001 serviram de pretexto ideal para colocá-lo em marcha.
Em 20 de setembro desse ano, o presidente Bush expressou-o abertamente, diante de um Congresso abalado pelos trágicos acontecimentos de nove dias antes. Utilizando estranhos termos, falou de "justiça infinita", como objetivo de uma guerra aparentemente também infinita:
"O país não deve esperar apenas uma batalha, mas uma campanha prolongada, uma campanha sem paralelo em nossa história".
"Vamos utilizar qualquer arma de guerra que seja necessária".
"Qualquer nação, em qualquer lugar, tem agora de tomar uma decisão: ou estão conosco, ou estão com o terrorismo".
"Pedi às Forças Armadas que fiquem em alerta, e há uma razão para isso: aproxima-se a hora de entrarmos em ação".
"Esta é uma luta da civilização".
"As conquistas de nossos tempos e as esperanças de todos os tempos dependem de nós".
"Não sabemos qual será o roteiro deste conflito, mas sim qual será o desenlace [...] E sabemos que Deus não é neutro".
Falava um estadista ou um fanático incontrolável?
Dois dias depois, em 22 de setembro, Cuba denunciou esse discurso como o desenho da idéia de uma ditadura militar mundial, sob a égide da força bruta, sem leis nem instituições internacionais de qualquer índole.
"... A Organização das Nações Unidas, absolutamente ignorada na crise atual, não teria nenhuma autoridade ou prerrogativa; haveria um só chefe, um só juiz, uma só lei".
Meses mais tarde, ao cumprir-se o 200º aniversário da Academia de West Point, no ato de graduação de 958 cadetes, celebrado em 3 de junho de 2002, o presidente Bush aprofundou seu pensamento, numa ardente arenga aos jovens militares que se formavam naquele dia, em que estão contidas suas idéias fixas essenciais:
"Nossa segurança exigirá que transformemos a força militar que vocês dirigirão numa força que deve estar pronta para atacar imediatamente em qualquer obscuro rincão do mundo. E nossa segurança exigirá que estejamos prontos para o ataque preventivo, quando seja necessário defender nossa liberdade e defender nossas vidas".
"Devemos descobrir células terroristas em 60 países ou mais...".
"Enviaremos vocês, nossos soldados, aonde vocês sejam necessários".
"Não deixaremos a segurança da América e a paz do planeta à mercê de um punhado de terroristas e tiranos loucos. Eliminaremos essa sombria ameaça de nosso país e do mundo".
"A alguns, preocupa que seja pouco diplomático ou descortês falar em termos de bem e mal: Não estou de acordo. [...] Estamos diante de um conflito entre o bem e o mal, e a América sempre chamará o mal por seu nome. Quando enfrentamos o mal e regimes anárquicos, não criamos um problema, senão que revelamos um problema. E dirigiremos o mundo na luta contra o problema".
No discurso que pronunciei na Tribuna Aberta realizada na Praça da Revolução "Antonio Maceo", de Santiago de Cuba, em 8 de junho de 2002, diante de meio milhão de santiagueiros, disse:
"Como se vê, no discurso não aparece uma só menção à organização das Nações Unidas, nem uma frase referente ao direito dos povos à segurança e à paz, à necessidade de um mundo regido por normas e princípios".
"A humanidade conheceu, há apenas dois terços de século, a amarga experiência do nazismo. Hitler teve como aliado inseparável o medo que foi capaz de impor a seus adversários. [...] Já possuidor de uma temível força militar, deflagrou uma guerra que incendiou o mundo. A falta de visão e a covardia dos estadistas das mais fortes potências européias daquela época deram lugar a uma grande tragédia".
"Não creio que possa instaurar-se, nos Estados Unidos, um regime fascista. Dentro de seu sistema político foram cometidos graves erros e injustiças ¿ muitas das quais ainda perduram ¿, mas o povo norte-americano conta com determinadas instituições, tradições, valores educativos, culturais e éticos que praticamente o impossibilitam. O risco está na esfera internacional. São tais as faculdades e prerrogativas de um presidente, e tão imensa a rede de poder militar, econômico e tecnológico desse Estado, que, de fato, em virtude de circunstâncias completamente alheias à vontade do povo norte-americano, o mundo está começando a ser regido por métodos e concepções nazistas".
"Os miseráveis insetos que habitam 60 ou mais nações do mundo, selecionadas por ele, seus colaboradores íntimos e, no caso de Cuba, por seus amigos de Miami, não interessam em nada. Constituem os ¿obscuros rincões do mundo¿, que podem ser objeto de seus ataques ¿preventivos e de surpresa¿. Dentre eles, está Cuba, que, ademais, foi incluída entre os que patrocinam o terrorismo".
Mencionei pela primeira vez a idéia duma tirania mundial, um ano, três meses e 19 dias antes do ataque ao Iraque.
Nos dias anteriores ao início da guerra, o presidente Bush voltou a repetir que utilizaria, se for necessário, qualquer meio do arsenal norte-americano, ou seja, armas nucleares, armas químicas e armas biológicas.
Antes já tinha se realizado o ataque e ocupação do Afeganistão.
Hoje, os chamados "dissidentes", mercenários a soldo do governo hitleriano de Bush, atraiçoam não apenas a sua Pátria, senão também à humanidade.
Diante dos planos sinistros contra nossa Pátria, por parte dessa extrema-direita neofascista e seus aliados da máfia terrorista de Miami, que lhe deram a vitória com a fraude eleitoral, gostaríamos de saber quantos dos que, a partir de supostas posições de esquerda e humanistas, atacaram a nosso povo pelas medidas legais que, em ato de legítima defesa, nos vimos obrigados a adotar, frente aos planos agressivos da superpotência, a poucas milhas da nossa costa e com uma base militar em nosso próprio território, quantos desses puderam ler essas palavras, tomar consciência, denunciar e condenar a política anunciada nos discursos pronunciados pelo senhor Bush a que me referi, nos quais é proclamada uma sinistra política internacional nazi-fascista, pelo chefe do país que possui a mais poderosa força militar jamais concebida, cujas armas podem destruir dez vezes a humanidade indefesa.
O mundo inteiro se mobilizou, frente às espantosas imagens de cidades, destruídas e incendiadas por atrozes bombardeios, crianças mutiladas e cadáveres destroçados de pessoas inocentes.
Deixando de lado os grupos políticos oportunistas, demagogos e politiqueiros, sobejamente conhecidos, refiro-me fundamentalmente agora aos que foram amistosos com Cuba e lutadores apreciados. Não desejamos que os que a atacaram, a nosso ver de forma injusta, por desinformação ou falta de análise meditada e profunda, tenham de passar por uma dor infinita, se um dia nossas cidades estiverem sendo destruídas, e nossas crianças e suas mães, mulheres e homens, jovens e anciãos, destroçados pelas bombas do nazi-fascismo, e vejam que suas declarações foram cinicamente utilizadas pelos agressores, para justificar um ataque militar contra Cuba.
O dano humano não pode ser medido apenas pelos números de crianças mortas e mutiladas, senão também pelos milhões de crianças e mães, mulheres e homens, jovens e anciãos que ficarão traumatizados pelo resto da vida.
Respeitamos totalmente as opiniões dos que, por razões religiosas, filosóficas ou humanitárias, opõem à pena capital, que os revolucionários cubanos também abominamos, por razões mais profundas que as que foram abordadas pelas ciências sociais sobre o delito, hoje em processo de estudo em nosso país. Llegará o dia en que possamos aceder aos desejos tão nobremente exprimidos no seu brilhante dircurso pelo Pastor Lucius Walker de acabar com esta pena. Compreende-se a especial preocupação sobre o tema, quando se sabe que a maioria das pessoas executadas nos Estados Unidos é de afro-norte-americanos e latinos, não poucas vezes inocentes, especialmente no Texas, campeão da pena capital, onde foi governador o presidente Bush e onde nunca se perdoou uma única vida.
A Revolução cubana foi posta no dilema de proteger a vida de milhões de compatriotas, sancionando com a pena capital legalmente estabelecida aos três principais seqüestradores de uma embarcação de passageiros ¿ estimulados pelo governo dos Estados Unidos, que trata de alentar o potencial delitivo de caráter comum, a assaltar barcos ou aeronaves com passageiros a bordo, pondo em grave perigo a vida destes, criando condições propícias para uma agressão a Cuba, desatando uma onda de seqüestros já em pleno desenvolvimento, que era necessário frear em seco ¿, ou cruzar os braços. Não podemos vacilar jamais, quando se trata de proteger a vida dos filhos de um povo decidido a lutar até o final, prender mercenários que servem aos agressores, e aplicar os castigos mais severos a terroristas que seqüestrem aeronaves ou embarcações de passageiros, ou que cometam atos de gravidade similar, que sejam condenado pelos tribunais, de acordo com leis preexistentes.
Nem Cristo, que expulsou os vendilhões do templo a chicotadas, deixaria de optar pela defesa do povo.
Por Sua Santidade Papa João Paulo II, sinto um sincero e profundo respeito. Compreendo e admiro sua nobre luta pela vida e pela paz. Ninguém se opôs tanto e tão tenazmente como ele à guerra contra o Iraque. Estou absolutamente seguro de que nunca teria aconselhado os xiitas e sunitas a deixar-se matar sem se defender; tampouco aconselharia algo parecido aos cubanos. Ele sabe perfeitamente que este não é um problema entre cubanos; é um problema entre o povo de Cuba e o governo dos Estados Unidos.
A política do governo dos Estados Unidos é tão provocadora e desavergonhada, que o passado dia 25 de abril o Senhor Kevin Whitaker, chefe do Burô Cuba do Departamento de Estado, disse ao chefe da nossa Rapartição de Interesses em Washington, que o Escritório de Segurança Doméstica, pertencente ao Conselho de Segurança Nacional, considerava que os continuados seqüestros desde Cuba constituiam uma séria ameaça para a segurança Nacional dos Estados Unidos, e solicitava ao governo de Cuba que tomasse todas as medidas necessárias para evitar fatos desta natureza, como se eles não fossem quem provocaram e estimularam esses seqüestros, e não fóssemos nós os que, para proteger a vida e a segurança dos passageiros e conhecendo desde há bastante tempo os planos criminais da extrema direita fascista contra Cuba, tomamos as medidas drásticas para impedi-lo. Sabido por eles esse contato do dia 25, criou um grande alvoroço na máfia terrorista de Miami. Ainda não compreendem que as suas ameaçam diretas ou indiretas contra Cuba não lhe tiram o sono a ninguém.
A hipocrisia da política ocidental e de um numeroso grupo de líderes medíocres é tão grande, que não caberia no fundo do Oceano Atlântico. Qualquer medida que Cuba adote em sua legítima defesa é publicada entre as primeiras notícias de quase todos os meios de difusão de massa. Sem dúvida, quando denunciamos que, sob o mandato de um chefe do governo espanhol, dezenas de militantes do ETA foram executados extrajudicialmente, sem que ninguém protestasse nem o denunciasse diante da Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas, e outro chefe de governo, num momento difícil da guerra de Kosovo, aconselhou ao Presidente dos Estados Unidos intensificar a guerra, multiplicar os bombardeios e atacar os objetivos civis, causando a morte de centenas de inocentes, e imenso sacrifício a milhões de pessoas, a imprensa diz apenas: "Castro arremeteu contra Felipe e Aznar". Do conteúdo real, nem uma palavra.
Em Miami e em Washington discute-se hoje onde, como e quando se atacará a Cuba, ou se resolverá o problema da Revolução.
De imediato, fala-se de medidas econômicas que endureçam o brutal bloqueio, mas ainda não sabem qual escolher, com quem se resignam a brigar e que efetividade podem ter. Restam-lhe bem poucas. Já gastaram quase todas.
Um cínico rufião, mal chamado Lincoln, e Díaz-Balart como sobrenome, amigo íntimo e conselheiro do presidente Bush, declarou a uma cadeia de televisão de Miami as seguintes palavras enigmáticas: "Não posso entrar em detalhes, mas estamos tratando de romper esse círculo vicioso".
A qual dos métodos para manejar o círculo vicioso se refere? Eliminar-me fisicamente, a partir dos sofisticados meios modernos que desenvolveram, como lhes prometeu o senhor Bush, no Texas, antes das eleições, ou atacar a Cuba, no estilo Iraque?
Se fosse o primeiro, não me preocupa em absoluto. As idéias pelas quais lutei durante toda a vida não poderão morrer, e viverão durante muito tempo.
Se a fórmula fosse atacar a Cuba como ao Iraque, me doeria muito, pelo custo em vidas e pela enorme destruição que significaria para Cuba. Mas talvez seja esse o último dos ataques fascistas desta administração, porque a luta duraria muito tempo, com os agressores enfrentando não apenas a um exército, mas a milhares de exércitos que se reproduziriam constantemente, e fariam o adversário pagar um custo tão grande em baixas, que estaria muito acima do preço em vidas de seus filhos que o povo norte-americano estaria disposto a pagar, pelas aventuras e idéias do presidente Bush, hoje com apoio majoritário, mas decrescente, e amanhã reduzido a zero.
O próprio povo norte-americano, os milhões de pessoas com elevada cultura que ali raciocinam e pensam, seus princípios éticos básicos, dezenas de milhões de computadores para se comunicar, centenas de vezes mais que ao final da guerra do Vietnã, demonstrarão que não se pode enganar a todo o povo, e talvez nem sequer a uma parte do povo, durante todo o tempo. E um dia porá uma camisa-de-força a quem for necessário, antes que possam pôr fim à vida no planeta.
Em nome do milhão de pessoas aqui reunidas, neste Primeiro de Maio, desejo enviar uma mensagem ao mundo e ao povo norte-americano:
Não desejamos que o sangue de cubanos e norte-americanos seja derramado numa guerra; não desejamos que um incalculável número de vidas de pessoas que podem ser amistosas se perca numa contenda. Mas nunca um povo teve coisas tão sagradas a defender, nem convicções tão profundas pelas quais lutar, a ponto de preferir desaparecer da face da Terra, antes de renunciar à obra nobre e generosa pela qual muitas gerações de cubanos pagaram o elevado custo de muitas vidas de seus melhores filhos.
Acompanha-nos a convicção mais profunda de que as idéias podem mais que as armas, por sofisticadas e poderosas que estas sejam.
Digamos como o Che, ao despedir-se de nós:
Até a vitória sempre!
Sangue cubano de operários da construção, que já estavam a ponto de concluir um aeroporto internacional que era vital para a economia de uma pequeníssima ilha que vivia do turismo, foi derramado combatendo em defesa de Granada, invadida pelos Estados Unidos com cínicos pretextos.
Sangue cubano foi derramado na Nicarágua, quando instrutores de nossas Forças Armadas treinavam os bravos soldados nicaragüenses, que enfrentavam a guerra suja organizada e armada pelos Estados Unidos contra a Revolução sandinista.
E não mencionei todos os exemplos.
Passam de dois mil, os heróicos combatentes internacionalistas cubanos que deram sua vida, cumprindo o sagrado dever de apoiar a luta de libertação, pela independência de outros povos irmãos. Em nenhum desses países, existe uma propriedade cubana.
Nenhum outro país de nossa época conta com tão brilhante folha de solidariedade sincera e desinteressada.
Cuba sempre predicou com seu exemplo. Jamais claudicou. Jamais vendeu a causa de outro povo. Jamais fez concessões. Jamais traiu princípios. Por alguma razão, foi reeleita por aclamação, há apenas 48 horas, no Conselho Econômico e Social das Nações Unidas, como membro por mais três anos da Comissão de Direitos Humanos, integrando esse órgão, de maneira ininterrupta, durante 15 anos.
Mais de meio milhão de cubanos cumpriram missões internacionalistas como combatentes, como professores, como técnicos ou como médicos e trabalhadores da saúde. Dezenas de milhares desses últimos prestaram serviços e salvaram a milhões de vidas, ao longo de mais de 40 anos. Atualmente, três mil especialistas em Medicina Geral Integral e outros trabalhadores da saúde laboram nos lugares mais recônditos de 18 países do Terceiro Mundo, onde, mediante métodos preventivos e terapêuticos, salvam, a cada ano, a centenas de milhares de vidas. e preservam ou devolvem a saúde a milhões de pessoas, sem cobrar um único centavo por seus serviços.
Sem os médicos cubanos oferecidos à Organização das Nações Unidas, caso esta obtenha os fundos necessários ¿ sem os quais, nações inteiras e até regiões completas da África ao Sul do Sara correm o risco de perecer ¿, os imprescindíveis e urgentes programas de luta contra a AIDS não poderiam ser realizados.
O mundo capitalista desenvolvido criou abundante capital financeiro, mas não criou o mínimo capital humano que o Terceiro Mundo necessita desesperadamente.
Cuba desenvolveu técnicas para ensinar por rádio a ler e escrever, com textos hoje elaborados em cinco idiomas: o crioulo do Caribe, português, francês, inglês e espanhol, que já estão sendo postos em prática em alguns países. Está a ponto de concluir um programa similar em espanhol, de excepcional qualidade, para alfabetizar por televisão. São programas idealizados por Cuba e genuinamente cubanos. Não nos interessa a exclusividade da patente. Estamos dispostos a oferecê-los a todos os países do Terceiro Mundo, onde se concentra o maior número de analfabetos, sem cobrar um único centavo. Em cinco anos, os 800 milhões de analfabetos poderiam reduzir-se em 80 por cento, a um custo mínimo.
Quando a URSS e o campo socialista desapareceram, ninguém apostava um centavo na sobrevivência da Revolução Cubana. Os Estados Unidos intensificaram o bloqueio. Surgiram as leis Torricelli e Helms-Burton, esta última de caráter extraterritorial. Nossos mercados e fontes de fornecimentos fundamentais desapareceram abruptamente. O consumo de calorias e proteínas se reduziu quase à metade. O país resistiu e avançou consideravelmente no campo social. Hoje já recuperou grande parte de seus requerimentos nutritivos e avança aceleradamente em outros campos. Mesmo nessas condições, a obra realizada e a consciência criada durante anos operaram o milagre. Por que resistimos? Porque a Revolução sempre contou, conta e contará, cada vez mais, com o apoio do povo, um povo inteligente, cada vez mais unido, mais culto e mais combativo.
Cuba, que foi o primeiro país a solidarizar-se com o povo norte-americano, em 11 de setembro de 2001, foi também o primeiro a advertir sobre o caráter neofascista que a política da extrema-direita dos Estados Unidos, que assumiu fraudulentamente o poder em novembro do ano 2000, propunha-se a impor ao mundo. Essa política não surge movida pelo atroz ataque terrorista contra o povo dos Estados Unidos, cometido por membros de uma organização fanática que, em tempos passados, serviu a outras administrações norte-americanas. Era um pensamento friamente concebido e elaborado, que explica o rearmamento e os colossais gastos em armamentos, quando a guerra fria já não existia, e estava longe de acontecer o sucesso de setembro. Os fatos do dia 11 daquele fatídico mês do ano de 2001 serviram de pretexto ideal para colocá-lo em marcha.
Em 20 de setembro desse ano, o presidente Bush expressou-o abertamente, diante de um Congresso abalado pelos trágicos acontecimentos de nove dias antes. Utilizando estranhos termos, falou de "justiça infinita", como objetivo de uma guerra aparentemente também infinita:
"O país não deve esperar apenas uma batalha, mas uma campanha prolongada, uma campanha sem paralelo em nossa história".
"Vamos utilizar qualquer arma de guerra que seja necessária".
"Qualquer nação, em qualquer lugar, tem agora de tomar uma decisão: ou estão conosco, ou estão com o terrorismo".
"Pedi às Forças Armadas que fiquem em alerta, e há uma razão para isso: aproxima-se a hora de entrarmos em ação".
"Esta é uma luta da civilização".
"As conquistas de nossos tempos e as esperanças de todos os tempos dependem de nós".
"Não sabemos qual será o roteiro deste conflito, mas sim qual será o desenlace [...] E sabemos que Deus não é neutro".
Falava um estadista ou um fanático incontrolável?
Dois dias depois, em 22 de setembro, Cuba denunciou esse discurso como o desenho da idéia de uma ditadura militar mundial, sob a égide da força bruta, sem leis nem instituições internacionais de qualquer índole.
"... A Organização das Nações Unidas, absolutamente ignorada na crise atual, não teria nenhuma autoridade ou prerrogativa; haveria um só chefe, um só juiz, uma só lei".
Meses mais tarde, ao cumprir-se o 200º aniversário da Academia de West Point, no ato de graduação de 958 cadetes, celebrado em 3 de junho de 2002, o presidente Bush aprofundou seu pensamento, numa ardente arenga aos jovens militares que se formavam naquele dia, em que estão contidas suas idéias fixas essenciais:
"Nossa segurança exigirá que transformemos a força militar que vocês dirigirão numa força que deve estar pronta para atacar imediatamente em qualquer obscuro rincão do mundo. E nossa segurança exigirá que estejamos prontos para o ataque preventivo, quando seja necessário defender nossa liberdade e defender nossas vidas".
"Devemos descobrir células terroristas em 60 países ou mais...".
"Enviaremos vocês, nossos soldados, aonde vocês sejam necessários".
"Não deixaremos a segurança da América e a paz do planeta à mercê de um punhado de terroristas e tiranos loucos. Eliminaremos essa sombria ameaça de nosso país e do mundo".
"A alguns, preocupa que seja pouco diplomático ou descortês falar em termos de bem e mal: Não estou de acordo. [...] Estamos diante de um conflito entre o bem e o mal, e a América sempre chamará o mal por seu nome. Quando enfrentamos o mal e regimes anárquicos, não criamos um problema, senão que revelamos um problema. E dirigiremos o mundo na luta contra o problema".
No discurso que pronunciei na Tribuna Aberta realizada na Praça da Revolução "Antonio Maceo", de Santiago de Cuba, em 8 de junho de 2002, diante de meio milhão de santiagueiros, disse:
"Como se vê, no discurso não aparece uma só menção à organização das Nações Unidas, nem uma frase referente ao direito dos povos à segurança e à paz, à necessidade de um mundo regido por normas e princípios".
"A humanidade conheceu, há apenas dois terços de século, a amarga experiência do nazismo. Hitler teve como aliado inseparável o medo que foi capaz de impor a seus adversários. [...] Já possuidor de uma temível força militar, deflagrou uma guerra que incendiou o mundo. A falta de visão e a covardia dos estadistas das mais fortes potências européias daquela época deram lugar a uma grande tragédia".
"Não creio que possa instaurar-se, nos Estados Unidos, um regime fascista. Dentro de seu sistema político foram cometidos graves erros e injustiças ¿ muitas das quais ainda perduram ¿, mas o povo norte-americano conta com determinadas instituições, tradições, valores educativos, culturais e éticos que praticamente o impossibilitam. O risco está na esfera internacional. São tais as faculdades e prerrogativas de um presidente, e tão imensa a rede de poder militar, econômico e tecnológico desse Estado, que, de fato, em virtude de circunstâncias completamente alheias à vontade do povo norte-americano, o mundo está começando a ser regido por métodos e concepções nazistas".
"Os miseráveis insetos que habitam 60 ou mais nações do mundo, selecionadas por ele, seus colaboradores íntimos e, no caso de Cuba, por seus amigos de Miami, não interessam em nada. Constituem os ¿obscuros rincões do mundo¿, que podem ser objeto de seus ataques ¿preventivos e de surpresa¿. Dentre eles, está Cuba, que, ademais, foi incluída entre os que patrocinam o terrorismo".
Mencionei pela primeira vez a idéia duma tirania mundial, um ano, três meses e 19 dias antes do ataque ao Iraque.
Nos dias anteriores ao início da guerra, o presidente Bush voltou a repetir que utilizaria, se for necessário, qualquer meio do arsenal norte-americano, ou seja, armas nucleares, armas químicas e armas biológicas.
Antes já tinha se realizado o ataque e ocupação do Afeganistão.
Hoje, os chamados "dissidentes", mercenários a soldo do governo hitleriano de Bush, atraiçoam não apenas a sua Pátria, senão também à humanidade.
Diante dos planos sinistros contra nossa Pátria, por parte dessa extrema-direita neofascista e seus aliados da máfia terrorista de Miami, que lhe deram a vitória com a fraude eleitoral, gostaríamos de saber quantos dos que, a partir de supostas posições de esquerda e humanistas, atacaram a nosso povo pelas medidas legais que, em ato de legítima defesa, nos vimos obrigados a adotar, frente aos planos agressivos da superpotência, a poucas milhas da nossa costa e com uma base militar em nosso próprio território, quantos desses puderam ler essas palavras, tomar consciência, denunciar e condenar a política anunciada nos discursos pronunciados pelo senhor Bush a que me referi, nos quais é proclamada uma sinistra política internacional nazi-fascista, pelo chefe do país que possui a mais poderosa força militar jamais concebida, cujas armas podem destruir dez vezes a humanidade indefesa.
O mundo inteiro se mobilizou, frente às espantosas imagens de cidades, destruídas e incendiadas por atrozes bombardeios, crianças mutiladas e cadáveres destroçados de pessoas inocentes.
Deixando de lado os grupos políticos oportunistas, demagogos e politiqueiros, sobejamente conhecidos, refiro-me fundamentalmente agora aos que foram amistosos com Cuba e lutadores apreciados. Não desejamos que os que a atacaram, a nosso ver de forma injusta, por desinformação ou falta de análise meditada e profunda, tenham de passar por uma dor infinita, se um dia nossas cidades estiverem sendo destruídas, e nossas crianças e suas mães, mulheres e homens, jovens e anciãos, destroçados pelas bombas do nazi-fascismo, e vejam que suas declarações foram cinicamente utilizadas pelos agressores, para justificar um ataque militar contra Cuba.
O dano humano não pode ser medido apenas pelos números de crianças mortas e mutiladas, senão também pelos milhões de crianças e mães, mulheres e homens, jovens e anciãos que ficarão traumatizados pelo resto da vida.
Respeitamos totalmente as opiniões dos que, por razões religiosas, filosóficas ou humanitárias, opõem à pena capital, que os revolucionários cubanos também abominamos, por razões mais profundas que as que foram abordadas pelas ciências sociais sobre o delito, hoje em processo de estudo em nosso país. Llegará o dia en que possamos aceder aos desejos tão nobremente exprimidos no seu brilhante dircurso pelo Pastor Lucius Walker de acabar com esta pena. Compreende-se a especial preocupação sobre o tema, quando se sabe que a maioria das pessoas executadas nos Estados Unidos é de afro-norte-americanos e latinos, não poucas vezes inocentes, especialmente no Texas, campeão da pena capital, onde foi governador o presidente Bush e onde nunca se perdoou uma única vida.
A Revolução cubana foi posta no dilema de proteger a vida de milhões de compatriotas, sancionando com a pena capital legalmente estabelecida aos três principais seqüestradores de uma embarcação de passageiros ¿ estimulados pelo governo dos Estados Unidos, que trata de alentar o potencial delitivo de caráter comum, a assaltar barcos ou aeronaves com passageiros a bordo, pondo em grave perigo a vida destes, criando condições propícias para uma agressão a Cuba, desatando uma onda de seqüestros já em pleno desenvolvimento, que era necessário frear em seco ¿, ou cruzar os braços. Não podemos vacilar jamais, quando se trata de proteger a vida dos filhos de um povo decidido a lutar até o final, prender mercenários que servem aos agressores, e aplicar os castigos mais severos a terroristas que seqüestrem aeronaves ou embarcações de passageiros, ou que cometam atos de gravidade similar, que sejam condenado pelos tribunais, de acordo com leis preexistentes.
Nem Cristo, que expulsou os vendilhões do templo a chicotadas, deixaria de optar pela defesa do povo.
Por Sua Santidade Papa João Paulo II, sinto um sincero e profundo respeito. Compreendo e admiro sua nobre luta pela vida e pela paz. Ninguém se opôs tanto e tão tenazmente como ele à guerra contra o Iraque. Estou absolutamente seguro de que nunca teria aconselhado os xiitas e sunitas a deixar-se matar sem se defender; tampouco aconselharia algo parecido aos cubanos. Ele sabe perfeitamente que este não é um problema entre cubanos; é um problema entre o povo de Cuba e o governo dos Estados Unidos.
A política do governo dos Estados Unidos é tão provocadora e desavergonhada, que o passado dia 25 de abril o Senhor Kevin Whitaker, chefe do Burô Cuba do Departamento de Estado, disse ao chefe da nossa Rapartição de Interesses em Washington, que o Escritório de Segurança Doméstica, pertencente ao Conselho de Segurança Nacional, considerava que os continuados seqüestros desde Cuba constituiam uma séria ameaça para a segurança Nacional dos Estados Unidos, e solicitava ao governo de Cuba que tomasse todas as medidas necessárias para evitar fatos desta natureza, como se eles não fossem quem provocaram e estimularam esses seqüestros, e não fóssemos nós os que, para proteger a vida e a segurança dos passageiros e conhecendo desde há bastante tempo os planos criminais da extrema direita fascista contra Cuba, tomamos as medidas drásticas para impedi-lo. Sabido por eles esse contato do dia 25, criou um grande alvoroço na máfia terrorista de Miami. Ainda não compreendem que as suas ameaçam diretas ou indiretas contra Cuba não lhe tiram o sono a ninguém.
A hipocrisia da política ocidental e de um numeroso grupo de líderes medíocres é tão grande, que não caberia no fundo do Oceano Atlântico. Qualquer medida que Cuba adote em sua legítima defesa é publicada entre as primeiras notícias de quase todos os meios de difusão de massa. Sem dúvida, quando denunciamos que, sob o mandato de um chefe do governo espanhol, dezenas de militantes do ETA foram executados extrajudicialmente, sem que ninguém protestasse nem o denunciasse diante da Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas, e outro chefe de governo, num momento difícil da guerra de Kosovo, aconselhou ao Presidente dos Estados Unidos intensificar a guerra, multiplicar os bombardeios e atacar os objetivos civis, causando a morte de centenas de inocentes, e imenso sacrifício a milhões de pessoas, a imprensa diz apenas: "Castro arremeteu contra Felipe e Aznar". Do conteúdo real, nem uma palavra.
Em Miami e em Washington discute-se hoje onde, como e quando se atacará a Cuba, ou se resolverá o problema da Revolução.
De imediato, fala-se de medidas econômicas que endureçam o brutal bloqueio, mas ainda não sabem qual escolher, com quem se resignam a brigar e que efetividade podem ter. Restam-lhe bem poucas. Já gastaram quase todas.
Um cínico rufião, mal chamado Lincoln, e Díaz-Balart como sobrenome, amigo íntimo e conselheiro do presidente Bush, declarou a uma cadeia de televisão de Miami as seguintes palavras enigmáticas: "Não posso entrar em detalhes, mas estamos tratando de romper esse círculo vicioso".
A qual dos métodos para manejar o círculo vicioso se refere? Eliminar-me fisicamente, a partir dos sofisticados meios modernos que desenvolveram, como lhes prometeu o senhor Bush, no Texas, antes das eleições, ou atacar a Cuba, no estilo Iraque?
Se fosse o primeiro, não me preocupa em absoluto. As idéias pelas quais lutei durante toda a vida não poderão morrer, e viverão durante muito tempo.
Se a fórmula fosse atacar a Cuba como ao Iraque, me doeria muito, pelo custo em vidas e pela enorme destruição que significaria para Cuba. Mas talvez seja esse o último dos ataques fascistas desta administração, porque a luta duraria muito tempo, com os agressores enfrentando não apenas a um exército, mas a milhares de exércitos que se reproduziriam constantemente, e fariam o adversário pagar um custo tão grande em baixas, que estaria muito acima do preço em vidas de seus filhos que o povo norte-americano estaria disposto a pagar, pelas aventuras e idéias do presidente Bush, hoje com apoio majoritário, mas decrescente, e amanhã reduzido a zero.
O próprio povo norte-americano, os milhões de pessoas com elevada cultura que ali raciocinam e pensam, seus princípios éticos básicos, dezenas de milhões de computadores para se comunicar, centenas de vezes mais que ao final da guerra do Vietnã, demonstrarão que não se pode enganar a todo o povo, e talvez nem sequer a uma parte do povo, durante todo o tempo. E um dia porá uma camisa-de-força a quem for necessário, antes que possam pôr fim à vida no planeta.
Em nome do milhão de pessoas aqui reunidas, neste Primeiro de Maio, desejo enviar uma mensagem ao mundo e ao povo norte-americano:
Não desejamos que o sangue de cubanos e norte-americanos seja derramado numa guerra; não desejamos que um incalculável número de vidas de pessoas que podem ser amistosas se perca numa contenda. Mas nunca um povo teve coisas tão sagradas a defender, nem convicções tão profundas pelas quais lutar, a ponto de preferir desaparecer da face da Terra, antes de renunciar à obra nobre e generosa pela qual muitas gerações de cubanos pagaram o elevado custo de muitas vidas de seus melhores filhos.
Acompanha-nos a convicção mais profunda de que as idéias podem mais que as armas, por sofisticadas e poderosas que estas sejam.
Digamos como o Che, ao despedir-se de nós:
Até a vitória sempre!
Sangue cubano foi derramado, junto com o sangue de cidadãos de vários países latino-americanos, e junto com o sangue cubano e latino-americano do Che, assassinado por instrução dos agentes dos Estados Unidos na Bolívia, quando se encontrava ferido e prisioneiro, e sua arma tinha sido inutilizada por um balaço no combate.
Sangue cubano de operários da construção, que já estavam a ponto de concluir um aeroporto internacional que era vital para a economia de uma pequeníssima ilha que vivia do turismo, foi derramado combatendo em defesa de Granada, invadida pelos Estados Unidos com cínicos pretextos.
Sangue cubano foi derramado na Nicarágua, quando instrutores de nossas Forças Armadas treinavam os bravos soldados nicaragüenses, que enfrentavam a guerra suja organizada e armada pelos Estados Unidos contra a Revolução sandinista.
E não mencionei todos os exemplos.
Passam de dois mil, os heróicos combatentes internacionalistas cubanos que deram sua vida, cumprindo o sagrado dever de apoiar a luta de libertação, pela independência de outros povos irmãos. Em nenhum desses países, existe uma propriedade cubana.
Nenhum outro país de nossa época conta com tão brilhante folha de solidariedade sincera e desinteressada.
Cuba sempre predicou com seu exemplo. Jamais claudicou. Jamais vendeu a causa de outro povo. Jamais fez concessões. Jamais traiu princípios. Por alguma razão, foi reeleita por aclamação, há apenas 48 horas, no Conselho Econômico e Social das Nações Unidas, como membro por mais três anos da Comissão de Direitos Humanos, integrando esse órgão, de maneira ininterrupta, durante 15 anos.
Mais de meio milhão de cubanos cumpriram missões internacionalistas como combatentes, como professores, como técnicos ou como médicos e trabalhadores da saúde. Dezenas de milhares desses últimos prestaram serviços e salvaram a milhões de vidas, ao longo de mais de 40 anos. Atualmente, três mil especialistas em Medicina Geral Integral e outros trabalhadores da saúde laboram nos lugares mais recônditos de 18 países do Terceiro Mundo, onde, mediante métodos preventivos e terapêuticos, salvam, a cada ano, a centenas de milhares de vidas. e preservam ou devolvem a saúde a milhões de pessoas, sem cobrar um único centavo por seus serviços.
Sem os médicos cubanos oferecidos à Organização das Nações Unidas, caso esta obtenha os fundos necessários ¿ sem os quais, nações inteiras e até regiões completas da África ao Sul do Sara correm o risco de perecer ¿, os imprescindíveis e urgentes programas de luta contra a AIDS não poderiam ser realizados.
O mundo capitalista desenvolvido criou abundante capital financeiro, mas não criou o mínimo capital humano que o Terceiro Mundo necessita desesperadamente.
Cuba desenvolveu técnicas para ensinar por rádio a ler e escrever, com textos hoje elaborados em cinco idiomas: o crioulo do Caribe, português, francês, inglês e espanhol, que já estão sendo postos em prática em alguns países. Está a ponto de concluir um programa similar em espanhol, de excepcional qualidade, para alfabetizar por televisão. São programas idealizados por Cuba e genuinamente cubanos. Não nos interessa a exclusividade da patente. Estamos dispostos a oferecê-los a todos os países do Terceiro Mundo, onde se concentra o maior número de analfabetos, sem cobrar um único centavo. Em cinco anos, os 800 milhões de analfabetos poderiam reduzir-se em 80 por cento, a um custo mínimo.
Quando a URSS e o campo socialista desapareceram, ninguém apostava um centavo na sobrevivência da Revolução Cubana. Os Estados Unidos intensificaram o bloqueio. Surgiram as leis Torricelli e Helms-Burton, esta última de caráter extraterritorial. Nossos mercados e fontes de fornecimentos fundamentais desapareceram abruptamente. O consumo de calorias e proteínas se reduziu quase à metade. O país resistiu e avançou consideravelmente no campo social. Hoje já recuperou grande parte de seus requerimentos nutritivos e avança aceleradamente em outros campos. Mesmo nessas condições, a obra realizada e a consciência criada durante anos operaram o milagre. Por que resistimos? Porque a Revolução sempre contou, conta e contará, cada vez mais, com o apoio do povo, um povo inteligente, cada vez mais unido, mais culto e mais combativo.
Cuba, que foi o primeiro país a solidarizar-se com o povo norte-americano, em 11 de setembro de 2001, foi também o primeiro a advertir sobre o caráter neofascista que a política da extrema-direita dos Estados Unidos, que assumiu fraudulentamente o poder em novembro do ano 2000, propunha-se a impor ao mundo. Essa política não surge movida pelo atroz ataque terrorista contra o povo dos Estados Unidos, cometido por membros de uma organização fanática que, em tempos passados, serviu a outras administrações norte-americanas. Era um pensamento friamente concebido e elaborado, que explica o rearmamento e os colossais gastos em armamentos, quando a guerra fria já não existia, e estava longe de acontecer o sucesso de setembro. Os fatos do dia 11 daquele fatídico mês do ano de 2001 serviram de pretexto ideal para colocá-lo em marcha.
Em 20 de setembro desse ano, o presidente Bush expressou-o abertamente, diante de um Congresso abalado pelos trágicos acontecimentos de nove dias antes. Utilizando estranhos termos, falou de "justiça infinita", como objetivo de uma guerra aparentemente também infinita:
"O país não deve esperar apenas uma batalha, mas uma campanha prolongada, uma campanha sem paralelo em nossa história".
"Vamos utilizar qualquer arma de guerra que seja necessária".
"Qualquer nação, em qualquer lugar, tem agora de tomar uma decisão: ou estão conosco, ou estão com o terrorismo".
"Pedi às Forças Armadas que fiquem em alerta, e há uma razão para isso: aproxima-se a hora de entrarmos em ação".
"Esta é uma luta da civilização".
"As conquistas de nossos tempos e as esperanças de todos os tempos dependem de nós".
"Não sabemos qual será o roteiro deste conflito, mas sim qual será o desenlace [...] E sabemos que Deus não é neutro".
Falava um estadista ou um fanático incontrolável?
Dois dias depois, em 22 de setembro, Cuba denunciou esse discurso como o desenho da idéia de uma ditadura militar mundial, sob a égide da força bruta, sem leis nem instituições internacionais de qualquer índole.
"... A Organização das Nações Unidas, absolutamente ignorada na crise atual, não teria nenhuma autoridade ou prerrogativa; haveria um só chefe, um só juiz, uma só lei".
Meses mais tarde, ao cumprir-se o 200º aniversário da Academia de West Point, no ato de graduação de 958 cadetes, celebrado em 3 de junho de 2002, o presidente Bush aprofundou seu pensamento, numa ardente arenga aos jovens militares que se formavam naquele dia, em que estão contidas suas idéias fixas essenciais:
"Nossa segurança exigirá que transformemos a força militar que vocês dirigirão numa força que deve estar pronta para atacar imediatamente em qualquer obscuro rincão do mundo. E nossa segurança exigirá que estejamos prontos para o ataque preventivo, quando seja necessário defender nossa liberdade e defender nossas vidas".
"Devemos descobrir células terroristas em 60 países ou mais...".
"Enviaremos vocês, nossos soldados, aonde vocês sejam necessários".
"Não deixaremos a segurança da América e a paz do planeta à mercê de um punhado de terroristas e tiranos loucos. Eliminaremos essa sombria ameaça de nosso país e do mundo".
"A alguns, preocupa que seja pouco diplomático ou descortês falar em termos de bem e mal: Não estou de acordo. [...] Estamos diante de um conflito entre o bem e o mal, e a América sempre chamará o mal por seu nome. Quando enfrentamos o mal e regimes anárquicos, não criamos um problema, senão que revelamos um problema. E dirigiremos o mundo na luta contra o problema".
No discurso que pronunciei na Tribuna Aberta realizada na Praça da Revolução "Antonio Maceo", de Santiago de Cuba, em 8 de junho de 2002, diante de meio milhão de santiagueiros, disse:
"Como se vê, no discurso não aparece uma só menção à organização das Nações Unidas, nem uma frase referente ao direito dos povos à segurança e à paz, à necessidade de um mundo regido por normas e princípios".
"A humanidade conheceu, há apenas dois terços de século, a amarga experiência do nazismo. Hitler teve como aliado inseparável o medo que foi capaz de impor a seus adversários. [...] Já possuidor de uma temível força militar, deflagrou uma guerra que incendiou o mundo. A falta de visão e a covardia dos estadistas das mais fortes potências européias daquela época deram lugar a uma grande tragédia".
"Não creio que possa instaurar-se, nos Estados Unidos, um regime fascista. Dentro de seu sistema político foram cometidos graves erros e injustiças ¿ muitas das quais ainda perduram ¿, mas o povo norte-americano conta com determinadas instituições, tradições, valores educativos, culturais e éticos que praticamente o impossibilitam. O risco está na esfera internacional. São tais as faculdades e prerrogativas de um presidente, e tão imensa a rede de poder militar, econômico e tecnológico desse Estado, que, de fato, em virtude de circunstâncias completamente alheias à vontade do povo norte-americano, o mundo está começando a ser regido por métodos e concepções nazistas".
"Os miseráveis insetos que habitam 60 ou mais nações do mundo, selecionadas por ele, seus colaboradores íntimos e, no caso de Cuba, por seus amigos de Miami, não interessam em nada. Constituem os ¿obscuros rincões do mundo¿, que podem ser objeto de seus ataques ¿preventivos e de surpresa¿. Dentre eles, está Cuba, que, ademais, foi incluída entre os que patrocinam o terrorismo".
Mencionei pela primeira vez a idéia duma tirania mundial, um ano, três meses e 19 dias antes do ataque ao Iraque.
Nos dias anteriores ao início da guerra, o presidente Bush voltou a repetir que utilizaria, se for necessário, qualquer meio do arsenal norte-americano, ou seja, armas nucleares, armas químicas e armas biológicas.
Antes já tinha se realizado o ataque e ocupação do Afeganistão.
Hoje, os chamados "dissidentes", mercenários a soldo do governo hitleriano de Bush, atraiçoam não apenas a sua Pátria, senão também à humanidade.
Diante dos planos sinistros contra nossa Pátria, por parte dessa extrema-direita neofascista e seus aliados da máfia terrorista de Miami, que lhe deram a vitória com a fraude eleitoral, gostaríamos de saber quantos dos que, a partir de supostas posições de esquerda e humanistas, atacaram a nosso povo pelas medidas legais que, em ato de legítima defesa, nos vimos obrigados a adotar, frente aos planos agressivos da superpotência, a poucas milhas da nossa costa e com uma base militar em nosso próprio território, quantos desses puderam ler essas palavras, tomar consciência, denunciar e condenar a política anunciada nos discursos pronunciados pelo senhor Bush a que me referi, nos quais é proclamada uma sinistra política internacional nazi-fascista, pelo chefe do país que possui a mais poderosa força militar jamais concebida, cujas armas podem destruir dez vezes a humanidade indefesa.
O mundo inteiro se mobilizou, frente às espantosas imagens de cidades, destruídas e incendiadas por atrozes bombardeios, crianças mutiladas e cadáveres destroçados de pessoas inocentes.
Deixando de lado os grupos políticos oportunistas, demagogos e politiqueiros, sobejamente conhecidos, refiro-me fundamentalmente agora aos que foram amistosos com Cuba e lutadores apreciados. Não desejamos que os que a atacaram, a nosso ver de forma injusta, por desinformação ou falta de análise meditada e profunda, tenham de passar por uma dor infinita, se um dia nossas cidades estiverem sendo destruídas, e nossas crianças e suas mães, mulheres e homens, jovens e anciãos, destroçados pelas bombas do nazi-fascismo, e vejam que suas declarações foram cinicamente utilizadas pelos agressores, para justificar um ataque militar contra Cuba.
O dano humano não pode ser medido apenas pelos números de crianças mortas e mutiladas, senão também pelos milhões de crianças e mães, mulheres e homens, jovens e anciãos que ficarão traumatizados pelo resto da vida.
Respeitamos totalmente as opiniões dos que, por razões religiosas, filosóficas ou humanitárias, opõem à pena capital, que os revolucionários cubanos também abominamos, por razões mais profundas que as que foram abordadas pelas ciências sociais sobre o delito, hoje em processo de estudo em nosso país. Llegará o dia en que possamos aceder aos desejos tão nobremente exprimidos no seu brilhante dircurso pelo Pastor Lucius Walker de acabar com esta pena. Compreende-se a especial preocupação sobre o tema, quando se sabe que a maioria das pessoas executadas nos Estados Unidos é de afro-norte-americanos e latinos, não poucas vezes inocentes, especialmente no Texas, campeão da pena capital, onde foi governador o presidente Bush e onde nunca se perdoou uma única vida.
A Revolução cubana foi posta no dilema de proteger a vida de milhões de compatriotas, sancionando com a pena capital legalmente estabelecida aos três principais seqüestradores de uma embarcação de passageiros ¿ estimulados pelo governo dos Estados Unidos, que trata de alentar o potencial delitivo de caráter comum, a assaltar barcos ou aeronaves com passageiros a bordo, pondo em grave perigo a vida destes, criando condições propícias para uma agressão a Cuba, desatando uma onda de seqüestros já em pleno desenvolvimento, que era necessário frear em seco ¿, ou cruzar os braços. Não podemos vacilar jamais, quando se trata de proteger a vida dos filhos de um povo decidido a lutar até o final, prender mercenários que servem aos agressores, e aplicar os castigos mais severos a terroristas que seqüestrem aeronaves ou embarcações de passageiros, ou que cometam atos de gravidade similar, que sejam condenado pelos tribunais, de acordo com leis preexistentes.
Nem Cristo, que expulsou os vendilhões do templo a chicotadas, deixaria de optar pela defesa do povo.
Por Sua Santidade Papa João Paulo II, sinto um sincero e profundo respeito. Compreendo e admiro sua nobre luta pela vida e pela paz. Ninguém se opôs tanto e tão tenazmente como ele à guerra contra o Iraque. Estou absolutamente seguro de que nunca teria aconselhado os xiitas e sunitas a deixar-se matar sem se defender; tampouco aconselharia algo parecido aos cubanos. Ele sabe perfeitamente que este não é um problema entre cubanos; é um problema entre o povo de Cuba e o governo dos Estados Unidos.
A política do governo dos Estados Unidos é tão provocadora e desavergonhada, que o passado dia 25 de abril o Senhor Kevin Whitaker, chefe do Burô Cuba do Departamento de Estado, disse ao chefe da nossa Rapartição de Interesses em Washington, que o Escritório de Segurança Doméstica, pertencente ao Conselho de Segurança Nacional, considerava que os continuados seqüestros desde Cuba constituiam uma séria ameaça para a segurança Nacional dos Estados Unidos, e solicitava ao governo de Cuba que tomasse todas as medidas necessárias para evitar fatos desta natureza, como se eles não fossem quem provocaram e estimularam esses seqüestros, e não fóssemos nós os que, para proteger a vida e a segurança dos passageiros e conhecendo desde há bastante tempo os planos criminais da extrema direita fascista contra Cuba, tomamos as medidas drásticas para impedi-lo. Sabido por eles esse contato do dia 25, criou um grande alvoroço na máfia terrorista de Miami. Ainda não compreendem que as suas ameaçam diretas ou indiretas contra Cuba não lhe tiram o sono a ninguém.
A hipocrisia da política ocidental e de um numeroso grupo de líderes medíocres é tão grande, que não caberia no fundo do Oceano Atlântico. Qualquer medida que Cuba adote em sua legítima defesa é publicada entre as primeiras notícias de quase todos os meios de difusão de massa. Sem dúvida, quando denunciamos que, sob o mandato de um chefe do governo espanhol, dezenas de militantes do ETA foram executados extrajudicialmente, sem que ninguém protestasse nem o denunciasse diante da Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas, e outro chefe de governo, num momento difícil da guerra de Kosovo, aconselhou ao Presidente dos Estados Unidos intensificar a guerra, multiplicar os bombardeios e atacar os objetivos civis, causando a morte de centenas de inocentes, e imenso sacrifício a milhões de pessoas, a imprensa diz apenas: "Castro arremeteu contra Felipe e Aznar". Do conteúdo real, nem uma palavra.
Em Miami e em Washington discute-se hoje onde, como e quando se atacará a Cuba, ou se resolverá o problema da Revolução.
De imediato, fala-se de medidas econômicas que endureçam o brutal bloqueio, mas ainda não sabem qual escolher, com quem se resignam a brigar e que efetividade podem ter. Restam-lhe bem poucas. Já gastaram quase todas.
Um cínico rufião, mal chamado Lincoln, e Díaz-Balart como sobrenome, amigo íntimo e conselheiro do presidente Bush, declarou a uma cadeia de televisão de Miami as seguintes palavras enigmáticas: "Não posso entrar em detalhes, mas estamos tratando de romper esse círculo vicioso".
A qual dos métodos para manejar o círculo vicioso se refere? Eliminar-me fisicamente, a partir dos sofisticados meios modernos que desenvolveram, como lhes prometeu o senhor Bush, no Texas, antes das eleições, ou atacar a Cuba, no estilo Iraque?
Se fosse o primeiro, não me preocupa em absoluto. As idéias pelas quais lutei durante toda a vida não poderão morrer, e viverão durante muito tempo.
Se a fórmula fosse atacar a Cuba como ao Iraque, me doeria muito, pelo custo em vidas e pela enorme destruição que significaria para Cuba. Mas talvez seja esse o último dos ataques fascistas desta administração, porque a luta duraria muito tempo, com os agressores enfrentando não apenas a um exército, mas a milhares de exércitos que se reproduziriam constantemente, e fariam o adversário pagar um custo tão grande em baixas, que estaria muito acima do preço em vidas de seus filhos que o povo norte-americano estaria disposto a pagar, pelas aventuras e idéias do presidente Bush, hoje com apoio majoritário, mas decrescente, e amanhã reduzido a zero.
O próprio povo norte-americano, os milhões de pessoas com elevada cultura que ali raciocinam e pensam, seus princípios éticos básicos, dezenas de milhões de computadores para se comunicar, centenas de vezes mais que ao final da guerra do Vietnã, demonstrarão que não se pode enganar a todo o povo, e talvez nem sequer a uma parte do povo, durante todo o tempo. E um dia porá uma camisa-de-força a quem for necessário, antes que possam pôr fim à vida no planeta.
Em nome do milhão de pessoas aqui reunidas, neste Primeiro de Maio, desejo enviar uma mensagem ao mundo e ao povo norte-americano:
Não desejamos que o sangue de cubanos e norte-americanos seja derramado numa guerra; não desejamos que um incalculável número de vidas de pessoas que podem ser amistosas se perca numa contenda. Mas nunca um povo teve coisas tão sagradas a defender, nem convicções tão profundas pelas quais lutar, a ponto de preferir desaparecer da face da Terra, antes de renunciar à obra nobre e generosa pela qual muitas gerações de cubanos pagaram o elevado custo de muitas vidas de seus melhores filhos.
Acompanha-nos a convicção mais profunda de que as idéias podem mais que as armas, por sofisticadas e poderosas que estas sejam.
Digamos como o Che, ao despedir-se de nós:
Até a vitória sempre!
Sangue cubano foi derramado, junto com o sangue de cidadãos de vários países latino-americanos, e junto com o sangue cubano e latino-americano do Che, assassinado por instrução dos agentes dos Estados Unidos na Bolívia, quando se encontrava ferido e prisioneiro, e sua arma tinha sido inutilizada por um balaço no combate.
Sangue cubano de operários da construção, que já estavam a ponto de concluir um aeroporto internacional que era vital para a economia de uma pequeníssima ilha que vivia do turismo, foi derramado combatendo em defesa de Granada, invadida pelos Estados Unidos com cínicos pretextos.
Sangue cubano foi derramado na Nicarágua, quando instrutores de nossas Forças Armadas treinavam os bravos soldados nicaragüenses, que enfrentavam a guerra suja organizada e armada pelos Estados Unidos contra a Revolução sandinista.
E não mencionei todos os exemplos.
Passam de dois mil, os heróicos combatentes internacionalistas cubanos que deram sua vida, cumprindo o sagrado dever de apoiar a luta de libertação, pela independência de outros povos irmãos. Em nenhum desses países, existe uma propriedade cubana.
Nenhum outro país de nossa época conta com tão brilhante folha de solidariedade sincera e desinteressada.
Cuba sempre predicou com seu exemplo. Jamais claudicou. Jamais vendeu a causa de outro povo. Jamais fez concessões. Jamais traiu princípios. Por alguma razão, foi reeleita por aclamação, há apenas 48 horas, no Conselho Econômico e Social das Nações Unidas, como membro por mais três anos da Comissão de Direitos Humanos, integrando esse órgão, de maneira ininterrupta, durante 15 anos.
Mais de meio milhão de cubanos cumpriram missões internacionalistas como combatentes, como professores, como técnicos ou como médicos e trabalhadores da saúde. Dezenas de milhares desses últimos prestaram serviços e salvaram a milhões de vidas, ao longo de mais de 40 anos. Atualmente, três mil especialistas em Medicina Geral Integral e outros trabalhadores da saúde laboram nos lugares mais recônditos de 18 países do Terceiro Mundo, onde, mediante métodos preventivos e terapêuticos, salvam, a cada ano, a centenas de milhares de vidas. e preservam ou devolvem a saúde a milhões de pessoas, sem cobrar um único centavo por seus serviços.
Sem os médicos cubanos oferecidos à Organização das Nações Unidas, caso esta obtenha os fundos necessários ¿ sem os quais, nações inteiras e até regiões completas da África ao Sul do Sara correm o risco de perecer ¿, os imprescindíveis e urgentes programas de luta contra a AIDS não poderiam ser realizados.
O mundo capitalista desenvolvido criou abundante capital financeiro, mas não criou o mínimo capital humano que o Terceiro Mundo necessita desesperadamente.
Cuba desenvolveu técnicas para ensinar por rádio a ler e escrever, com textos hoje elaborados em cinco idiomas: o crioulo do Caribe, português, francês, inglês e espanhol, que já estão sendo postos em prática em alguns países. Está a ponto de concluir um programa similar em espanhol, de excepcional qualidade, para alfabetizar por televisão. São programas idealizados por Cuba e genuinamente cubanos. Não nos interessa a exclusividade da patente. Estamos dispostos a oferecê-los a todos os países do Terceiro Mundo, onde se concentra o maior número de analfabetos, sem cobrar um único centavo. Em cinco anos, os 800 milhões de analfabetos poderiam reduzir-se em 80 por cento, a um custo mínimo.
Quando a URSS e o campo socialista desapareceram, ninguém apostava um centavo na sobrevivência da Revolução Cubana. Os Estados Unidos intensificaram o bloqueio. Surgiram as leis Torricelli e Helms-Burton, esta última de caráter extraterritorial. Nossos mercados e fontes de fornecimentos fundamentais desapareceram abruptamente. O consumo de calorias e proteínas se reduziu quase à metade. O país resistiu e avançou consideravelmente no campo social. Hoje já recuperou grande parte de seus requerimentos nutritivos e avança aceleradamente em outros campos. Mesmo nessas condições, a obra realizada e a consciência criada durante anos operaram o milagre. Por que resistimos? Porque a Revolução sempre contou, conta e contará, cada vez mais, com o apoio do povo, um povo inteligente, cada vez mais unido, mais culto e mais combativo.
Cuba, que foi o primeiro país a solidarizar-se com o povo norte-americano, em 11 de setembro de 2001, foi também o primeiro a advertir sobre o caráter neofascista que a política da extrema-direita dos Estados Unidos, que assumiu fraudulentamente o poder em novembro do ano 2000, propunha-se a impor ao mundo. Essa política não surge movida pelo atroz ataque terrorista contra o povo dos Estados Unidos, cometido por membros de uma organização fanática que, em tempos passados, serviu a outras administrações norte-americanas. Era um pensamento friamente concebido e elaborado, que explica o rearmamento e os colossais gastos em armamentos, quando a guerra fria já não existia, e estava longe de acontecer o sucesso de setembro. Os fatos do dia 11 daquele fatídico mês do ano de 2001 serviram de pretexto ideal para colocá-lo em marcha.
Em 20 de setembro desse ano, o presidente Bush expressou-o abertamente, diante de um Congresso abalado pelos trágicos acontecimentos de nove dias antes. Utilizando estranhos termos, falou de "justiça infinita", como objetivo de uma guerra aparentemente também infinita:
"O país não deve esperar apenas uma batalha, mas uma campanha prolongada, uma campanha sem paralelo em nossa história".
"Vamos utilizar qualquer arma de guerra que seja necessária".
"Qualquer nação, em qualquer lugar, tem agora de tomar uma decisão: ou estão conosco, ou estão com o terrorismo".
"Pedi às Forças Armadas que fiquem em alerta, e há uma razão para isso: aproxima-se a hora de entrarmos em ação".
"Esta é uma luta da civilização".
"As conquistas de nossos tempos e as esperanças de todos os tempos dependem de nós".
"Não sabemos qual será o roteiro deste conflito, mas sim qual será o desenlace [...] E sabemos que Deus não é neutro".
Falava um estadista ou um fanático incontrolável?
Dois dias depois, em 22 de setembro, Cuba denunciou esse discurso como o desenho da idéia de uma ditadura militar mundial, sob a égide da força bruta, sem leis nem instituições internacionais de qualquer índole.
"... A Organização das Nações Unidas, absolutamente ignorada na crise atual, não teria nenhuma autoridade ou prerrogativa; haveria um só chefe, um só juiz, uma só lei".
Meses mais tarde, ao cumprir-se o 200º aniversário da Academia de West Point, no ato de graduação de 958 cadetes, celebrado em 3 de junho de 2002, o presidente Bush aprofundou seu pensamento, numa ardente arenga aos jovens militares que se formavam naquele dia, em que estão contidas suas idéias fixas essenciais:
"Nossa segurança exigirá que transformemos a força militar que vocês dirigirão numa força que deve estar pronta para atacar imediatamente em qualquer obscuro rincão do mundo. E nossa segurança exigirá que estejamos prontos para o ataque preventivo, quando seja necessário defender nossa liberdade e defender nossas vidas".
"Devemos descobrir células terroristas em 60 países ou mais...".
"Enviaremos vocês, nossos soldados, aonde vocês sejam necessários".
"Não deixaremos a segurança da América e a paz do planeta à mercê de um punhado de terroristas e tiranos loucos. Eliminaremos essa sombria ameaça de nosso país e do mundo".
"A alguns, preocupa que seja pouco diplomático ou descortês falar em termos de bem e mal: Não estou de acordo. [...] Estamos diante de um conflito entre o bem e o mal, e a América sempre chamará o mal por seu nome. Quando enfrentamos o mal e regimes anárquicos, não criamos um problema, senão que revelamos um problema. E dirigiremos o mundo na luta contra o problema".
No discurso que pronunciei na Tribuna Aberta realizada na Praça da Revolução "Antonio Maceo", de Santiago de Cuba, em 8 de junho de 2002, diante de meio milhão de santiagueiros, disse:
"Como se vê, no discurso não aparece uma só menção à organização das Nações Unidas, nem uma frase referente ao direito dos povos à segurança e à paz, à necessidade de um mundo regido por normas e princípios".
"A humanidade conheceu, há apenas dois terços de século, a amarga experiência do nazismo. Hitler teve como aliado inseparável o medo que foi capaz de impor a seus adversários. [...] Já possuidor de uma temível força militar, deflagrou uma guerra que incendiou o mundo. A falta de visão e a covardia dos estadistas das mais fortes potências européias daquela época deram lugar a uma grande tragédia".
"Não creio que possa instaurar-se, nos Estados Unidos, um regime fascista. Dentro de seu sistema político foram cometidos graves erros e injustiças ¿ muitas das quais ainda perduram ¿, mas o povo norte-americano conta com determinadas instituições, tradições, valores educativos, culturais e éticos que praticamente o impossibilitam. O risco está na esfera internacional. São tais as faculdades e prerrogativas de um presidente, e tão imensa a rede de poder militar, econômico e tecnológico desse Estado, que, de fato, em virtude de circunstâncias completamente alheias à vontade do povo norte-americano, o mundo está começando a ser regido por métodos e concepções nazistas".
"Os miseráveis insetos que habitam 60 ou mais nações do mundo, selecionadas por ele, seus colaboradores íntimos e, no caso de Cuba, por seus amigos de Miami, não interessam em nada. Constituem os ¿obscuros rincões do mundo¿, que podem ser objeto de seus ataques ¿preventivos e de surpresa¿. Dentre eles, está Cuba, que, ademais, foi incluída entre os que patrocinam o terrorismo".
Mencionei pela primeira vez a idéia duma tirania mundial, um ano, três meses e 19 dias antes do ataque ao Iraque.
Nos dias anteriores ao início da guerra, o presidente Bush voltou a repetir que utilizaria, se for necessário, qualquer meio do arsenal norte-americano, ou seja, armas nucleares, armas químicas e armas biológicas.
Antes já tinha se realizado o ataque e ocupação do Afeganistão.
Hoje, os chamados "dissidentes", mercenários a soldo do governo hitleriano de Bush, atraiçoam não apenas a sua Pátria, senão também à humanidade.
Diante dos planos sinistros contra nossa Pátria, por parte dessa extrema-direita neofascista e seus aliados da máfia terrorista de Miami, que lhe deram a vitória com a fraude eleitoral, gostaríamos de saber quantos dos que, a partir de supostas posições de esquerda e humanistas, atacaram a nosso povo pelas medidas legais que, em ato de legítima defesa, nos vimos obrigados a adotar, frente aos planos agressivos da superpotência, a poucas milhas da nossa costa e com uma base militar em nosso próprio território, quantos desses puderam ler essas palavras, tomar consciência, denunciar e condenar a política anunciada nos discursos pronunciados pelo senhor Bush a que me referi, nos quais é proclamada uma sinistra política internacional nazi-fascista, pelo chefe do país que possui a mais poderosa força militar jamais concebida, cujas armas podem destruir dez vezes a humanidade indefesa.
O mundo inteiro se mobilizou, frente às espantosas imagens de cidades, destruídas e incendiadas por atrozes bombardeios, crianças mutiladas e cadáveres destroçados de pessoas inocentes.
Deixando de lado os grupos políticos oportunistas, demagogos e politiqueiros, sobejamente conhecidos, refiro-me fundamentalmente agora aos que foram amistosos com Cuba e lutadores apreciados. Não desejamos que os que a atacaram, a nosso ver de forma injusta, por desinformação ou falta de análise meditada e profunda, tenham de passar por uma dor infinita, se um dia nossas cidades estiverem sendo destruídas, e nossas crianças e suas mães, mulheres e homens, jovens e anciãos, destroçados pelas bombas do nazi-fascismo, e vejam que suas declarações foram cinicamente utilizadas pelos agressores, para justificar um ataque militar contra Cuba.
O dano humano não pode ser medido apenas pelos números de crianças mortas e mutiladas, senão também pelos milhões de crianças e mães, mulheres e homens, jovens e anciãos que ficarão traumatizados pelo resto da vida.
Respeitamos totalmente as opiniões dos que, por razões religiosas, filosóficas ou humanitárias, opõem à pena capital, que os revolucionários cubanos também abominamos, por razões mais profundas que as que foram abordadas pelas ciências sociais sobre o delito, hoje em processo de estudo em nosso país. Llegará o dia en que possamos aceder aos desejos tão nobremente exprimidos no seu brilhante dircurso pelo Pastor Lucius Walker de acabar com esta pena. Compreende-se a especial preocupação sobre o tema, quando se sabe que a maioria das pessoas executadas nos Estados Unidos é de afro-norte-americanos e latinos, não poucas vezes inocentes, especialmente no Texas, campeão da pena capital, onde foi governador o presidente Bush e onde nunca se perdoou uma única vida.
A Revolução cubana foi posta no dilema de proteger a vida de milhões de compatriotas, sancionando com a pena capital legalmente estabelecida aos três principais seqüestradores de uma embarcação de passageiros ¿ estimulados pelo governo dos Estados Unidos, que trata de alentar o potencial delitivo de caráter comum, a assaltar barcos ou aeronaves com passageiros a bordo, pondo em grave perigo a vida destes, criando condições propícias para uma agressão a Cuba, desatando uma onda de seqüestros já em pleno desenvolvimento, que era necessário frear em seco ¿, ou cruzar os braços. Não podemos vacilar jamais, quando se trata de proteger a vida dos filhos de um povo decidido a lutar até o final, prender mercenários que servem aos agressores, e aplicar os castigos mais severos a terroristas que seqüestrem aeronaves ou embarcações de passageiros, ou que cometam atos de gravidade similar, que sejam condenado pelos tribunais, de acordo com leis preexistentes.
Nem Cristo, que expulsou os vendilhões do templo a chicotadas, deixaria de optar pela defesa do povo.
Por Sua Santidade Papa João Paulo II, sinto um sincero e profundo respeito. Compreendo e admiro sua nobre luta pela vida e pela paz. Ninguém se opôs tanto e tão tenazmente como ele à guerra contra o Iraque. Estou absolutamente seguro de que nunca teria aconselhado os xiitas e sunitas a deixar-se matar sem se defender; tampouco aconselharia algo parecido aos cubanos. Ele sabe perfeitamente que este não é um problema entre cubanos; é um problema entre o povo de Cuba e o governo dos Estados Unidos.
A política do governo dos Estados Unidos é tão provocadora e desavergonhada, que o passado dia 25 de abril o Senhor Kevin Whitaker, chefe do Burô Cuba do Departamento de Estado, disse ao chefe da nossa Rapartição de Interesses em Washington, que o Escritório de Segurança Doméstica, pertencente ao Conselho de Segurança Nacional, considerava que os continuados seqüestros desde Cuba constituiam uma séria ameaça para a segurança Nacional dos Estados Unidos, e solicitava ao governo de Cuba que tomasse todas as medidas necessárias para evitar fatos desta natureza, como se eles não fossem quem provocaram e estimularam esses seqüestros, e não fóssemos nós os que, para proteger a vida e a segurança dos passageiros e conhecendo desde há bastante tempo os planos criminais da extrema direita fascista contra Cuba, tomamos as medidas drásticas para impedi-lo. Sabido por eles esse contato do dia 25, criou um grande alvoroço na máfia terrorista de Miami. Ainda não compreendem que as suas ameaçam diretas ou indiretas contra Cuba não lhe tiram o sono a ninguém.
A hipocrisia da política ocidental e de um numeroso grupo de líderes medíocres é tão grande, que não caberia no fundo do Oceano Atlântico. Qualquer medida que Cuba adote em sua legítima defesa é publicada entre as primeiras notícias de quase todos os meios de difusão de massa. Sem dúvida, quando denunciamos que, sob o mandato de um chefe do governo espanhol, dezenas de militantes do ETA foram executados extrajudicialmente, sem que ninguém protestasse nem o denunciasse diante da Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas, e outro chefe de governo, num momento difícil da guerra de Kosovo, aconselhou ao Presidente dos Estados Unidos intensificar a guerra, multiplicar os bombardeios e atacar os objetivos civis, causando a morte de centenas de inocentes, e imenso sacrifício a milhões de pessoas, a imprensa diz apenas: "Castro arremeteu contra Felipe e Aznar". Do conteúdo real, nem uma palavra.
Em Miami e em Washington discute-se hoje onde, como e quando se atacará a Cuba, ou se resolverá o problema da Revolução.
De imediato, fala-se de medidas econômicas que endureçam o brutal bloqueio, mas ainda não sabem qual escolher, com quem se resignam a brigar e que efetividade podem ter. Restam-lhe bem poucas. Já gastaram quase todas.
Um cínico rufião, mal chamado Lincoln, e Díaz-Balart como sobrenome, amigo íntimo e conselheiro do presidente Bush, declarou a uma cadeia de televisão de Miami as seguintes palavras enigmáticas: "Não posso entrar em detalhes, mas estamos tratando de romper esse círculo vicioso".
A qual dos métodos para manejar o círculo vicioso se refere? Eliminar-me fisicamente, a partir dos sofisticados meios modernos que desenvolveram, como lhes prometeu o senhor Bush, no Texas, antes das eleições, ou atacar a Cuba, no estilo Iraque?
Se fosse o primeiro, não me preocupa em absoluto. As idéias pelas quais lutei durante toda a vida não poderão morrer, e viverão durante muito tempo.
Se a fórmula fosse atacar a Cuba como ao Iraque, me doeria muito, pelo custo em vidas e pela enorme destruição que significaria para Cuba. Mas talvez seja esse o último dos ataques fascistas desta administração, porque a luta duraria muito tempo, com os agressores enfrentando não apenas a um exército, mas a milhares de exércitos que se reproduziriam constantemente, e fariam o adversário pagar um custo tão grande em baixas, que estaria muito acima do preço em vidas de seus filhos que o povo norte-americano estaria disposto a pagar, pelas aventuras e idéias do presidente Bush, hoje com apoio majoritário, mas decrescente, e amanhã reduzido a zero.
O próprio povo norte-americano, os milhões de pessoas com elevada cultura que ali raciocinam e pensam, seus princípios éticos básicos, dezenas de milhões de computadores para se comunicar, centenas de vezes mais que ao final da guerra do Vietnã, demonstrarão que não se pode enganar a todo o povo, e talvez nem sequer a uma parte do povo, durante todo o tempo. E um dia porá uma camisa-de-força a quem for necessário, antes que possam pôr fim à vida no planeta.
Em nome do milhão de pessoas aqui reunidas, neste Primeiro de Maio, desejo enviar uma mensagem ao mundo e ao povo norte-americano:
Não desejamos que o sangue de cubanos e norte-americanos seja derramado numa guerra; não desejamos que um incalculável número de vidas de pessoas que podem ser amistosas se perca numa contenda. Mas nunca um povo teve coisas tão sagradas a defender, nem convicções tão profundas pelas quais lutar, a ponto de preferir desaparecer da face da Terra, antes de renunciar à obra nobre e generosa pela qual muitas gerações de cubanos pagaram o elevado custo de muitas vidas de seus melhores filhos.
Acompanha-nos a convicção mais profunda de que as idéias podem mais que as armas, por sofisticadas e poderosas que estas sejam.
Digamos como o Che, ao despedir-se de nós:
Até a vitória sempre!
Ao longo de quase 15 anos, Cuba ocupou um lugar de honra na solidariedade com o heróico povo do Vietnã, numa guerra bárbara e brutal dos Estados Unidos, que matou a quatro milhões de vietnamitas, fora o número de feridos e mutilados de guerra; que inundou seu solo de produtos químicos, causando incalculáveis danos, ainda presentes. Pretexto: o Vietnã, um país pobre e subdesenvolvido, situado a 20 mil quilômetros dos Estados Unidos, constituía um perigo para a segurança nacional desse país.
Sangue cubano foi derramado, junto com o sangue de cidadãos de vários países latino-americanos, e junto com o sangue cubano e latino-americano do Che, assassinado por instrução dos agentes dos Estados Unidos na Bolívia, quando se encontrava ferido e prisioneiro, e sua arma tinha sido inutilizada por um balaço no combate.
Sangue cubano de operários da construção, que já estavam a ponto de concluir um aeroporto internacional que era vital para a economia de uma pequeníssima ilha que vivia do turismo, foi derramado combatendo em defesa de Granada, invadida pelos Estados Unidos com cínicos pretextos.
Sangue cubano foi derramado na Nicarágua, quando instrutores de nossas Forças Armadas treinavam os bravos soldados nicaragüenses, que enfrentavam a guerra suja organizada e armada pelos Estados Unidos contra a Revolução sandinista.
E não mencionei todos os exemplos.
Passam de dois mil, os heróicos combatentes internacionalistas cubanos que deram sua vida, cumprindo o sagrado dever de apoiar a luta de libertação, pela independência de outros povos irmãos. Em nenhum desses países, existe uma propriedade cubana.
Nenhum outro país de nossa época conta com tão brilhante folha de solidariedade sincera e desinteressada.
Cuba sempre predicou com seu exemplo. Jamais claudicou. Jamais vendeu a causa de outro povo. Jamais fez concessões. Jamais traiu princípios. Por alguma razão, foi reeleita por aclamação, há apenas 48 horas, no Conselho Econômico e Social das Nações Unidas, como membro por mais três anos da Comissão de Direitos Humanos, integrando esse órgão, de maneira ininterrupta, durante 15 anos.
Mais de meio milhão de cubanos cumpriram missões internacionalistas como combatentes, como professores, como técnicos ou como médicos e trabalhadores da saúde. Dezenas de milhares desses últimos prestaram serviços e salvaram a milhões de vidas, ao longo de mais de 40 anos. Atualmente, três mil especialistas em Medicina Geral Integral e outros trabalhadores da saúde laboram nos lugares mais recônditos de 18 países do Terceiro Mundo, onde, mediante métodos preventivos e terapêuticos, salvam, a cada ano, a centenas de milhares de vidas. e preservam ou devolvem a saúde a milhões de pessoas, sem cobrar um único centavo por seus serviços.
Sem os médicos cubanos oferecidos à Organização das Nações Unidas, caso esta obtenha os fundos necessários ¿ sem os quais, nações inteiras e até regiões completas da África ao Sul do Sara correm o risco de perecer ¿, os imprescindíveis e urgentes programas de luta contra a AIDS não poderiam ser realizados.
O mundo capitalista desenvolvido criou abundante capital financeiro, mas não criou o mínimo capital humano que o Terceiro Mundo necessita desesperadamente.
Cuba desenvolveu técnicas para ensinar por rádio a ler e escrever, com textos hoje elaborados em cinco idiomas: o crioulo do Caribe, português, francês, inglês e espanhol, que já estão sendo postos em prática em alguns países. Está a ponto de concluir um programa similar em espanhol, de excepcional qualidade, para alfabetizar por televisão. São programas idealizados por Cuba e genuinamente cubanos. Não nos interessa a exclusividade da patente. Estamos dispostos a oferecê-los a todos os países do Terceiro Mundo, onde se concentra o maior número de analfabetos, sem cobrar um único centavo. Em cinco anos, os 800 milhões de analfabetos poderiam reduzir-se em 80 por cento, a um custo mínimo.
Quando a URSS e o campo socialista desapareceram, ninguém apostava um centavo na sobrevivência da Revolução Cubana. Os Estados Unidos intensificaram o bloqueio. Surgiram as leis Torricelli e Helms-Burton, esta última de caráter extraterritorial. Nossos mercados e fontes de fornecimentos fundamentais desapareceram abruptamente. O consumo de calorias e proteínas se reduziu quase à metade. O país resistiu e avançou consideravelmente no campo social. Hoje já recuperou grande parte de seus requerimentos nutritivos e avança aceleradamente em outros campos. Mesmo nessas condições, a obra realizada e a consciência criada durante anos operaram o milagre. Por que resistimos? Porque a Revolução sempre contou, conta e contará, cada vez mais, com o apoio do povo, um povo inteligente, cada vez mais unido, mais culto e mais combativo.
Cuba, que foi o primeiro país a solidarizar-se com o povo norte-americano, em 11 de setembro de 2001, foi também o primeiro a advertir sobre o caráter neofascista que a política da extrema-direita dos Estados Unidos, que assumiu fraudulentamente o poder em novembro do ano 2000, propunha-se a impor ao mundo. Essa política não surge movida pelo atroz ataque terrorista contra o povo dos Estados Unidos, cometido por membros de uma organização fanática que, em tempos passados, serviu a outras administrações norte-americanas. Era um pensamento friamente concebido e elaborado, que explica o rearmamento e os colossais gastos em armamentos, quando a guerra fria já não existia, e estava longe de acontecer o sucesso de setembro. Os fatos do dia 11 daquele fatídico mês do ano de 2001 serviram de pretexto ideal para colocá-lo em marcha.
Em 20 de setembro desse ano, o presidente Bush expressou-o abertamente, diante de um Congresso abalado pelos trágicos acontecimentos de nove dias antes. Utilizando estranhos termos, falou de "justiça infinita", como objetivo de uma guerra aparentemente também infinita:
"O país não deve esperar apenas uma batalha, mas uma campanha prolongada, uma campanha sem paralelo em nossa história".
"Vamos utilizar qualquer arma de guerra que seja necessária".
"Qualquer nação, em qualquer lugar, tem agora de tomar uma decisão: ou estão conosco, ou estão com o terrorismo".
"Pedi às Forças Armadas que fiquem em alerta, e há uma razão para isso: aproxima-se a hora de entrarmos em ação".
"Esta é uma luta da civilização".
"As conquistas de nossos tempos e as esperanças de todos os tempos dependem de nós".
"Não sabemos qual será o roteiro deste conflito, mas sim qual será o desenlace [...] E sabemos que Deus não é neutro".
Falava um estadista ou um fanático incontrolável?
Dois dias depois, em 22 de setembro, Cuba denunciou esse discurso como o desenho da idéia de uma ditadura militar mundial, sob a égide da força bruta, sem leis nem instituições internacionais de qualquer índole.
"... A Organização das Nações Unidas, absolutamente ignorada na crise atual, não teria nenhuma autoridade ou prerrogativa; haveria um só chefe, um só juiz, uma só lei".
Meses mais tarde, ao cumprir-se o 200º aniversário da Academia de West Point, no ato de graduação de 958 cadetes, celebrado em 3 de junho de 2002, o presidente Bush aprofundou seu pensamento, numa ardente arenga aos jovens militares que se formavam naquele dia, em que estão contidas suas idéias fixas essenciais:
"Nossa segurança exigirá que transformemos a força militar que vocês dirigirão numa força que deve estar pronta para atacar imediatamente em qualquer obscuro rincão do mundo. E nossa segurança exigirá que estejamos prontos para o ataque preventivo, quando seja necessário defender nossa liberdade e defender nossas vidas".
"Devemos descobrir células terroristas em 60 países ou mais...".
"Enviaremos vocês, nossos soldados, aonde vocês sejam necessários".
"Não deixaremos a segurança da América e a paz do planeta à mercê de um punhado de terroristas e tiranos loucos. Eliminaremos essa sombria ameaça de nosso país e do mundo".
"A alguns, preocupa que seja pouco diplomático ou descortês falar em termos de bem e mal: Não estou de acordo. [...] Estamos diante de um conflito entre o bem e o mal, e a América sempre chamará o mal por seu nome. Quando enfrentamos o mal e regimes anárquicos, não criamos um problema, senão que revelamos um problema. E dirigiremos o mundo na luta contra o problema".
No discurso que pronunciei na Tribuna Aberta realizada na Praça da Revolução "Antonio Maceo", de Santiago de Cuba, em 8 de junho de 2002, diante de meio milhão de santiagueiros, disse:
"Como se vê, no discurso não aparece uma só menção à organização das Nações Unidas, nem uma frase referente ao direito dos povos à segurança e à paz, à necessidade de um mundo regido por normas e princípios".
"A humanidade conheceu, há apenas dois terços de século, a amarga experiência do nazismo. Hitler teve como aliado inseparável o medo que foi capaz de impor a seus adversários. [...] Já possuidor de uma temível força militar, deflagrou uma guerra que incendiou o mundo. A falta de visão e a covardia dos estadistas das mais fortes potências européias daquela época deram lugar a uma grande tragédia".
"Não creio que possa instaurar-se, nos Estados Unidos, um regime fascista. Dentro de seu sistema político foram cometidos graves erros e injustiças ¿ muitas das quais ainda perduram ¿, mas o povo norte-americano conta com determinadas instituições, tradições, valores educativos, culturais e éticos que praticamente o impossibilitam. O risco está na esfera internacional. São tais as faculdades e prerrogativas de um presidente, e tão imensa a rede de poder militar, econômico e tecnológico desse Estado, que, de fato, em virtude de circunstâncias completamente alheias à vontade do povo norte-americano, o mundo está começando a ser regido por métodos e concepções nazistas".
"Os miseráveis insetos que habitam 60 ou mais nações do mundo, selecionadas por ele, seus colaboradores íntimos e, no caso de Cuba, por seus amigos de Miami, não interessam em nada. Constituem os ¿obscuros rincões do mundo¿, que podem ser objeto de seus ataques ¿preventivos e de surpresa¿. Dentre eles, está Cuba, que, ademais, foi incluída entre os que patrocinam o terrorismo".
Mencionei pela primeira vez a idéia duma tirania mundial, um ano, três meses e 19 dias antes do ataque ao Iraque.
Nos dias anteriores ao início da guerra, o presidente Bush voltou a repetir que utilizaria, se for necessário, qualquer meio do arsenal norte-americano, ou seja, armas nucleares, armas químicas e armas biológicas.
Antes já tinha se realizado o ataque e ocupação do Afeganistão.
Hoje, os chamados "dissidentes", mercenários a soldo do governo hitleriano de Bush, atraiçoam não apenas a sua Pátria, senão também à humanidade.
Diante dos planos sinistros contra nossa Pátria, por parte dessa extrema-direita neofascista e seus aliados da máfia terrorista de Miami, que lhe deram a vitória com a fraude eleitoral, gostaríamos de saber quantos dos que, a partir de supostas posições de esquerda e humanistas, atacaram a nosso povo pelas medidas legais que, em ato de legítima defesa, nos vimos obrigados a adotar, frente aos planos agressivos da superpotência, a poucas milhas da nossa costa e com uma base militar em nosso próprio território, quantos desses puderam ler essas palavras, tomar consciência, denunciar e condenar a política anunciada nos discursos pronunciados pelo senhor Bush a que me referi, nos quais é proclamada uma sinistra política internacional nazi-fascista, pelo chefe do país que possui a mais poderosa força militar jamais concebida, cujas armas podem destruir dez vezes a humanidade indefesa.
O mundo inteiro se mobilizou, frente às espantosas imagens de cidades, destruídas e incendiadas por atrozes bombardeios, crianças mutiladas e cadáveres destroçados de pessoas inocentes.
Deixando de lado os grupos políticos oportunistas, demagogos e politiqueiros, sobejamente conhecidos, refiro-me fundamentalmente agora aos que foram amistosos com Cuba e lutadores apreciados. Não desejamos que os que a atacaram, a nosso ver de forma injusta, por desinformação ou falta de análise meditada e profunda, tenham de passar por uma dor infinita, se um dia nossas cidades estiverem sendo destruídas, e nossas crianças e suas mães, mulheres e homens, jovens e anciãos, destroçados pelas bombas do nazi-fascismo, e vejam que suas declarações foram cinicamente utilizadas pelos agressores, para justificar um ataque militar contra Cuba.
O dano humano não pode ser medido apenas pelos números de crianças mortas e mutiladas, senão também pelos milhões de crianças e mães, mulheres e homens, jovens e anciãos que ficarão traumatizados pelo resto da vida.
Respeitamos totalmente as opiniões dos que, por razões religiosas, filosóficas ou humanitárias, opõem à pena capital, que os revolucionários cubanos também abominamos, por razões mais profundas que as que foram abordadas pelas ciências sociais sobre o delito, hoje em processo de estudo em nosso país. Llegará o dia en que possamos aceder aos desejos tão nobremente exprimidos no seu brilhante dircurso pelo Pastor Lucius Walker de acabar com esta pena. Compreende-se a especial preocupação sobre o tema, quando se sabe que a maioria das pessoas executadas nos Estados Unidos é de afro-norte-americanos e latinos, não poucas vezes inocentes, especialmente no Texas, campeão da pena capital, onde foi governador o presidente Bush e onde nunca se perdoou uma única vida.
A Revolução cubana foi posta no dilema de proteger a vida de milhões de compatriotas, sancionando com a pena capital legalmente estabelecida aos três principais seqüestradores de uma embarcação de passageiros ¿ estimulados pelo governo dos Estados Unidos, que trata de alentar o potencial delitivo de caráter comum, a assaltar barcos ou aeronaves com passageiros a bordo, pondo em grave perigo a vida destes, criando condições propícias para uma agressão a Cuba, desatando uma onda de seqüestros já em pleno desenvolvimento, que era necessário frear em seco ¿, ou cruzar os braços. Não podemos vacilar jamais, quando se trata de proteger a vida dos filhos de um povo decidido a lutar até o final, prender mercenários que servem aos agressores, e aplicar os castigos mais severos a terroristas que seqüestrem aeronaves ou embarcações de passageiros, ou que cometam atos de gravidade similar, que sejam condenado pelos tribunais, de acordo com leis preexistentes.
Nem Cristo, que expulsou os vendilhões do templo a chicotadas, deixaria de optar pela defesa do povo.
Por Sua Santidade Papa João Paulo II, sinto um sincero e profundo respeito. Compreendo e admiro sua nobre luta pela vida e pela paz. Ninguém se opôs tanto e tão tenazmente como ele à guerra contra o Iraque. Estou absolutamente seguro de que nunca teria aconselhado os xiitas e sunitas a deixar-se matar sem se defender; tampouco aconselharia algo parecido aos cubanos. Ele sabe perfeitamente que este não é um problema entre cubanos; é um problema entre o povo de Cuba e o governo dos Estados Unidos.
A política do governo dos Estados Unidos é tão provocadora e desavergonhada, que o passado dia 25 de abril o Senhor Kevin Whitaker, chefe do Burô Cuba do Departamento de Estado, disse ao chefe da nossa Rapartição de Interesses em Washington, que o Escritório de Segurança Doméstica, pertencente ao Conselho de Segurança Nacional, considerava que os continuados seqüestros desde Cuba constituiam uma séria ameaça para a segurança Nacional dos Estados Unidos, e solicitava ao governo de Cuba que tomasse todas as medidas necessárias para evitar fatos desta natureza, como se eles não fossem quem provocaram e estimularam esses seqüestros, e não fóssemos nós os que, para proteger a vida e a segurança dos passageiros e conhecendo desde há bastante tempo os planos criminais da extrema direita fascista contra Cuba, tomamos as medidas drásticas para impedi-lo. Sabido por eles esse contato do dia 25, criou um grande alvoroço na máfia terrorista de Miami. Ainda não compreendem que as suas ameaçam diretas ou indiretas contra Cuba não lhe tiram o sono a ninguém.
A hipocrisia da política ocidental e de um numeroso grupo de líderes medíocres é tão grande, que não caberia no fundo do Oceano Atlântico. Qualquer medida que Cuba adote em sua legítima defesa é publicada entre as primeiras notícias de quase todos os meios de difusão de massa. Sem dúvida, quando denunciamos que, sob o mandato de um chefe do governo espanhol, dezenas de militantes do ETA foram executados extrajudicialmente, sem que ninguém protestasse nem o denunciasse diante da Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas, e outro chefe de governo, num momento difícil da guerra de Kosovo, aconselhou ao Presidente dos Estados Unidos intensificar a guerra, multiplicar os bombardeios e atacar os objetivos civis, causando a morte de centenas de inocentes, e imenso sacrifício a milhões de pessoas, a imprensa diz apenas: "Castro arremeteu contra Felipe e Aznar". Do conteúdo real, nem uma palavra.
Em Miami e em Washington discute-se hoje onde, como e quando se atacará a Cuba, ou se resolverá o problema da Revolução.
De imediato, fala-se de medidas econômicas que endureçam o brutal bloqueio, mas ainda não sabem qual escolher, com quem se resignam a brigar e que efetividade podem ter. Restam-lhe bem poucas. Já gastaram quase todas.
Um cínico rufião, mal chamado Lincoln, e Díaz-Balart como sobrenome, amigo íntimo e conselheiro do presidente Bush, declarou a uma cadeia de televisão de Miami as seguintes palavras enigmáticas: "Não posso entrar em detalhes, mas estamos tratando de romper esse círculo vicioso".
A qual dos métodos para manejar o círculo vicioso se refere? Eliminar-me fisicamente, a partir dos sofisticados meios modernos que desenvolveram, como lhes prometeu o senhor Bush, no Texas, antes das eleições, ou atacar a Cuba, no estilo Iraque?
Se fosse o primeiro, não me preocupa em absoluto. As idéias pelas quais lutei durante toda a vida não poderão morrer, e viverão durante muito tempo.
Se a fórmula fosse atacar a Cuba como ao Iraque, me doeria muito, pelo custo em vidas e pela enorme destruição que significaria para Cuba. Mas talvez seja esse o último dos ataques fascistas desta administração, porque a luta duraria muito tempo, com os agressores enfrentando não apenas a um exército, mas a milhares de exércitos que se reproduziriam constantemente, e fariam o adversário pagar um custo tão grande em baixas, que estaria muito acima do preço em vidas de seus filhos que o povo norte-americano estaria disposto a pagar, pelas aventuras e idéias do presidente Bush, hoje com apoio majoritário, mas decrescente, e amanhã reduzido a zero.
O próprio povo norte-americano, os milhões de pessoas com elevada cultura que ali raciocinam e pensam, seus princípios éticos básicos, dezenas de milhões de computadores para se comunicar, centenas de vezes mais que ao final da guerra do Vietnã, demonstrarão que não se pode enganar a todo o povo, e talvez nem sequer a uma parte do povo, durante todo o tempo. E um dia porá uma camisa-de-força a quem for necessário, antes que possam pôr fim à vida no planeta.
Em nome do milhão de pessoas aqui reunidas, neste Primeiro de Maio, desejo enviar uma mensagem ao mundo e ao povo norte-americano:
Não desejamos que o sangue de cubanos e norte-americanos seja derramado numa guerra; não desejamos que um incalculável número de vidas de pessoas que podem ser amistosas se perca numa contenda. Mas nunca um povo teve coisas tão sagradas a defender, nem convicções tão profundas pelas quais lutar, a ponto de preferir desaparecer da face da Terra, antes de renunciar à obra nobre e generosa pela qual muitas gerações de cubanos pagaram o elevado custo de muitas vidas de seus melhores filhos.
Acompanha-nos a convicção mais profunda de que as idéias podem mais que as armas, por sofisticadas e poderosas que estas sejam.
Digamos como o Che, ao despedir-se de nós:
Até a vitória sempre!
Ao longo de quase 15 anos, Cuba ocupou um lugar de honra na solidariedade com o heróico povo do Vietnã, numa guerra bárbara e brutal dos Estados Unidos, que matou a quatro milhões de vietnamitas, fora o número de feridos e mutilados de guerra; que inundou seu solo de produtos químicos, causando incalculáveis danos, ainda presentes. Pretexto: o Vietnã, um país pobre e subdesenvolvido, situado a 20 mil quilômetros dos Estados Unidos, constituía um perigo para a segurança nacional desse país.
Sangue cubano foi derramado, junto com o sangue de cidadãos de vários países latino-americanos, e junto com o sangue cubano e latino-americano do Che, assassinado por instrução dos agentes dos Estados Unidos na Bolívia, quando se encontrava ferido e prisioneiro, e sua arma tinha sido inutilizada por um balaço no combate.
Sangue cubano de operários da construção, que já estavam a ponto de concluir um aeroporto internacional que era vital para a economia de uma pequeníssima ilha que vivia do turismo, foi derramado combatendo em defesa de Granada, invadida pelos Estados Unidos com cínicos pretextos.
Sangue cubano foi derramado na Nicarágua, quando instrutores de nossas Forças Armadas treinavam os bravos soldados nicaragüenses, que enfrentavam a guerra suja organizada e armada pelos Estados Unidos contra a Revolução sandinista.
E não mencionei todos os exemplos.
Passam de dois mil, os heróicos combatentes internacionalistas cubanos que deram sua vida, cumprindo o sagrado dever de apoiar a luta de libertação, pela independência de outros povos irmãos. Em nenhum desses países, existe uma propriedade cubana.
Nenhum outro país de nossa época conta com tão brilhante folha de solidariedade sincera e desinteressada.
Cuba sempre predicou com seu exemplo. Jamais claudicou. Jamais vendeu a causa de outro povo. Jamais fez concessões. Jamais traiu princípios. Por alguma razão, foi reeleita por aclamação, há apenas 48 horas, no Conselho Econômico e Social das Nações Unidas, como membro por mais três anos da Comissão de Direitos Humanos, integrando esse órgão, de maneira ininterrupta, durante 15 anos.
Mais de meio milhão de cubanos cumpriram missões internacionalistas como combatentes, como professores, como técnicos ou como médicos e trabalhadores da saúde. Dezenas de milhares desses últimos prestaram serviços e salvaram a milhões de vidas, ao longo de mais de 40 anos. Atualmente, três mil especialistas em Medicina Geral Integral e outros trabalhadores da saúde laboram nos lugares mais recônditos de 18 países do Terceiro Mundo, onde, mediante métodos preventivos e terapêuticos, salvam, a cada ano, a centenas de milhares de vidas. e preservam ou devolvem a saúde a milhões de pessoas, sem cobrar um único centavo por seus serviços.
Sem os médicos cubanos oferecidos à Organização das Nações Unidas, caso esta obtenha os fundos necessários ¿ sem os quais, nações inteiras e até regiões completas da África ao Sul do Sara correm o risco de perecer ¿, os imprescindíveis e urgentes programas de luta contra a AIDS não poderiam ser realizados.
O mundo capitalista desenvolvido criou abundante capital financeiro, mas não criou o mínimo capital humano que o Terceiro Mundo necessita desesperadamente.
Cuba desenvolveu técnicas para ensinar por rádio a ler e escrever, com textos hoje elaborados em cinco idiomas: o crioulo do Caribe, português, francês, inglês e espanhol, que já estão sendo postos em prática em alguns países. Está a ponto de concluir um programa similar em espanhol, de excepcional qualidade, para alfabetizar por televisão. São programas idealizados por Cuba e genuinamente cubanos. Não nos interessa a exclusividade da patente. Estamos dispostos a oferecê-los a todos os países do Terceiro Mundo, onde se concentra o maior número de analfabetos, sem cobrar um único centavo. Em cinco anos, os 800 milhões de analfabetos poderiam reduzir-se em 80 por cento, a um custo mínimo.
Quando a URSS e o campo socialista desapareceram, ninguém apostava um centavo na sobrevivência da Revolução Cubana. Os Estados Unidos intensificaram o bloqueio. Surgiram as leis Torricelli e Helms-Burton, esta última de caráter extraterritorial. Nossos mercados e fontes de fornecimentos fundamentais desapareceram abruptamente. O consumo de calorias e proteínas se reduziu quase à metade. O país resistiu e avançou consideravelmente no campo social. Hoje já recuperou grande parte de seus requerimentos nutritivos e avança aceleradamente em outros campos. Mesmo nessas condições, a obra realizada e a consciência criada durante anos operaram o milagre. Por que resistimos? Porque a Revolução sempre contou, conta e contará, cada vez mais, com o apoio do povo, um povo inteligente, cada vez mais unido, mais culto e mais combativo.
Cuba, que foi o primeiro país a solidarizar-se com o povo norte-americano, em 11 de setembro de 2001, foi também o primeiro a advertir sobre o caráter neofascista que a política da extrema-direita dos Estados Unidos, que assumiu fraudulentamente o poder em novembro do ano 2000, propunha-se a impor ao mundo. Essa política não surge movida pelo atroz ataque terrorista contra o povo dos Estados Unidos, cometido por membros de uma organização fanática que, em tempos passados, serviu a outras administrações norte-americanas. Era um pensamento friamente concebido e elaborado, que explica o rearmamento e os colossais gastos em armamentos, quando a guerra fria já não existia, e estava longe de acontecer o sucesso de setembro. Os fatos do dia 11 daquele fatídico mês do ano de 2001 serviram de pretexto ideal para colocá-lo em marcha.
Em 20 de setembro desse ano, o presidente Bush expressou-o abertamente, diante de um Congresso abalado pelos trágicos acontecimentos de nove dias antes. Utilizando estranhos termos, falou de "justiça infinita", como objetivo de uma guerra aparentemente também infinita:
"O país não deve esperar apenas uma batalha, mas uma campanha prolongada, uma campanha sem paralelo em nossa história".
"Vamos utilizar qualquer arma de guerra que seja necessária".
"Qualquer nação, em qualquer lugar, tem agora de tomar uma decisão: ou estão conosco, ou estão com o terrorismo".
"Pedi às Forças Armadas que fiquem em alerta, e há uma razão para isso: aproxima-se a hora de entrarmos em ação".
"Esta é uma luta da civilização".
"As conquistas de nossos tempos e as esperanças de todos os tempos dependem de nós".
"Não sabemos qual será o roteiro deste conflito, mas sim qual será o desenlace [...] E sabemos que Deus não é neutro".
Falava um estadista ou um fanático incontrolável?
Dois dias depois, em 22 de setembro, Cuba denunciou esse discurso como o desenho da idéia de uma ditadura militar mundial, sob a égide da força bruta, sem leis nem instituições internacionais de qualquer índole.
"... A Organização das Nações Unidas, absolutamente ignorada na crise atual, não teria nenhuma autoridade ou prerrogativa; haveria um só chefe, um só juiz, uma só lei".
Meses mais tarde, ao cumprir-se o 200º aniversário da Academia de West Point, no ato de graduação de 958 cadetes, celebrado em 3 de junho de 2002, o presidente Bush aprofundou seu pensamento, numa ardente arenga aos jovens militares que se formavam naquele dia, em que estão contidas suas idéias fixas essenciais:
"Nossa segurança exigirá que transformemos a força militar que vocês dirigirão numa força que deve estar pronta para atacar imediatamente em qualquer obscuro rincão do mundo. E nossa segurança exigirá que estejamos prontos para o ataque preventivo, quando seja necessário defender nossa liberdade e defender nossas vidas".
"Devemos descobrir células terroristas em 60 países ou mais...".
"Enviaremos vocês, nossos soldados, aonde vocês sejam necessários".
"Não deixaremos a segurança da América e a paz do planeta à mercê de um punhado de terroristas e tiranos loucos. Eliminaremos essa sombria ameaça de nosso país e do mundo".
"A alguns, preocupa que seja pouco diplomático ou descortês falar em termos de bem e mal: Não estou de acordo. [...] Estamos diante de um conflito entre o bem e o mal, e a América sempre chamará o mal por seu nome. Quando enfrentamos o mal e regimes anárquicos, não criamos um problema, senão que revelamos um problema. E dirigiremos o mundo na luta contra o problema".
No discurso que pronunciei na Tribuna Aberta realizada na Praça da Revolução "Antonio Maceo", de Santiago de Cuba, em 8 de junho de 2002, diante de meio milhão de santiagueiros, disse:
"Como se vê, no discurso não aparece uma só menção à organização das Nações Unidas, nem uma frase referente ao direito dos povos à segurança e à paz, à necessidade de um mundo regido por normas e princípios".
"A humanidade conheceu, há apenas dois terços de século, a amarga experiência do nazismo. Hitler teve como aliado inseparável o medo que foi capaz de impor a seus adversários. [...] Já possuidor de uma temível força militar, deflagrou uma guerra que incendiou o mundo. A falta de visão e a covardia dos estadistas das mais fortes potências européias daquela época deram lugar a uma grande tragédia".
"Não creio que possa instaurar-se, nos Estados Unidos, um regime fascista. Dentro de seu sistema político foram cometidos graves erros e injustiças ¿ muitas das quais ainda perduram ¿, mas o povo norte-americano conta com determinadas instituições, tradições, valores educativos, culturais e éticos que praticamente o impossibilitam. O risco está na esfera internacional. São tais as faculdades e prerrogativas de um presidente, e tão imensa a rede de poder militar, econômico e tecnológico desse Estado, que, de fato, em virtude de circunstâncias completamente alheias à vontade do povo norte-americano, o mundo está começando a ser regido por métodos e concepções nazistas".
"Os miseráveis insetos que habitam 60 ou mais nações do mundo, selecionadas por ele, seus colaboradores íntimos e, no caso de Cuba, por seus amigos de Miami, não interessam em nada. Constituem os ¿obscuros rincões do mundo¿, que podem ser objeto de seus ataques ¿preventivos e de surpresa¿. Dentre eles, está Cuba, que, ademais, foi incluída entre os que patrocinam o terrorismo".
Mencionei pela primeira vez a idéia duma tirania mundial, um ano, três meses e 19 dias antes do ataque ao Iraque.
Nos dias anteriores ao início da guerra, o presidente Bush voltou a repetir que utilizaria, se for necessário, qualquer meio do arsenal norte-americano, ou seja, armas nucleares, armas químicas e armas biológicas.
Antes já tinha se realizado o ataque e ocupação do Afeganistão.
Hoje, os chamados "dissidentes", mercenários a soldo do governo hitleriano de Bush, atraiçoam não apenas a sua Pátria, senão também à humanidade.
Diante dos planos sinistros contra nossa Pátria, por parte dessa extrema-direita neofascista e seus aliados da máfia terrorista de Miami, que lhe deram a vitória com a fraude eleitoral, gostaríamos de saber quantos dos que, a partir de supostas posições de esquerda e humanistas, atacaram a nosso povo pelas medidas legais que, em ato de legítima defesa, nos vimos obrigados a adotar, frente aos planos agressivos da superpotência, a poucas milhas da nossa costa e com uma base militar em nosso próprio território, quantos desses puderam ler essas palavras, tomar consciência, denunciar e condenar a política anunciada nos discursos pronunciados pelo senhor Bush a que me referi, nos quais é proclamada uma sinistra política internacional nazi-fascista, pelo chefe do país que possui a mais poderosa força militar jamais concebida, cujas armas podem destruir dez vezes a humanidade indefesa.
O mundo inteiro se mobilizou, frente às espantosas imagens de cidades, destruídas e incendiadas por atrozes bombardeios, crianças mutiladas e cadáveres destroçados de pessoas inocentes.
Deixando de lado os grupos políticos oportunistas, demagogos e politiqueiros, sobejamente conhecidos, refiro-me fundamentalmente agora aos que foram amistosos com Cuba e lutadores apreciados. Não desejamos que os que a atacaram, a nosso ver de forma injusta, por desinformação ou falta de análise meditada e profunda, tenham de passar por uma dor infinita, se um dia nossas cidades estiverem sendo destruídas, e nossas crianças e suas mães, mulheres e homens, jovens e anciãos, destroçados pelas bombas do nazi-fascismo, e vejam que suas declarações foram cinicamente utilizadas pelos agressores, para justificar um ataque militar contra Cuba.
O dano humano não pode ser medido apenas pelos números de crianças mortas e mutiladas, senão também pelos milhões de crianças e mães, mulheres e homens, jovens e anciãos que ficarão traumatizados pelo resto da vida.
Respeitamos totalmente as opiniões dos que, por razões religiosas, filosóficas ou humanitárias, opõem à pena capital, que os revolucionários cubanos também abominamos, por razões mais profundas que as que foram abordadas pelas ciências sociais sobre o delito, hoje em processo de estudo em nosso país. Llegará o dia en que possamos aceder aos desejos tão nobremente exprimidos no seu brilhante dircurso pelo Pastor Lucius Walker de acabar com esta pena. Compreende-se a especial preocupação sobre o tema, quando se sabe que a maioria das pessoas executadas nos Estados Unidos é de afro-norte-americanos e latinos, não poucas vezes inocentes, especialmente no Texas, campeão da pena capital, onde foi governador o presidente Bush e onde nunca se perdoou uma única vida.
A Revolução cubana foi posta no dilema de proteger a vida de milhões de compatriotas, sancionando com a pena capital legalmente estabelecida aos três principais seqüestradores de uma embarcação de passageiros ¿ estimulados pelo governo dos Estados Unidos, que trata de alentar o potencial delitivo de caráter comum, a assaltar barcos ou aeronaves com passageiros a bordo, pondo em grave perigo a vida destes, criando condições propícias para uma agressão a Cuba, desatando uma onda de seqüestros já em pleno desenvolvimento, que era necessário frear em seco ¿, ou cruzar os braços. Não podemos vacilar jamais, quando se trata de proteger a vida dos filhos de um povo decidido a lutar até o final, prender mercenários que servem aos agressores, e aplicar os castigos mais severos a terroristas que seqüestrem aeronaves ou embarcações de passageiros, ou que cometam atos de gravidade similar, que sejam condenado pelos tribunais, de acordo com leis preexistentes.
Nem Cristo, que expulsou os vendilhões do templo a chicotadas, deixaria de optar pela defesa do povo.
Por Sua Santidade Papa João Paulo II, sinto um sincero e profundo respeito. Compreendo e admiro sua nobre luta pela vida e pela paz. Ninguém se opôs tanto e tão tenazmente como ele à guerra contra o Iraque. Estou absolutamente seguro de que nunca teria aconselhado os xiitas e sunitas a deixar-se matar sem se defender; tampouco aconselharia algo parecido aos cubanos. Ele sabe perfeitamente que este não é um problema entre cubanos; é um problema entre o povo de Cuba e o governo dos Estados Unidos.
A política do governo dos Estados Unidos é tão provocadora e desavergonhada, que o passado dia 25 de abril o Senhor Kevin Whitaker, chefe do Burô Cuba do Departamento de Estado, disse ao chefe da nossa Rapartição de Interesses em Washington, que o Escritório de Segurança Doméstica, pertencente ao Conselho de Segurança Nacional, considerava que os continuados seqüestros desde Cuba constituiam uma séria ameaça para a segurança Nacional dos Estados Unidos, e solicitava ao governo de Cuba que tomasse todas as medidas necessárias para evitar fatos desta natureza, como se eles não fossem quem provocaram e estimularam esses seqüestros, e não fóssemos nós os que, para proteger a vida e a segurança dos passageiros e conhecendo desde há bastante tempo os planos criminais da extrema direita fascista contra Cuba, tomamos as medidas drásticas para impedi-lo. Sabido por eles esse contato do dia 25, criou um grande alvoroço na máfia terrorista de Miami. Ainda não compreendem que as suas ameaçam diretas ou indiretas contra Cuba não lhe tiram o sono a ninguém.
A hipocrisia da política ocidental e de um numeroso grupo de líderes medíocres é tão grande, que não caberia no fundo do Oceano Atlântico. Qualquer medida que Cuba adote em sua legítima defesa é publicada entre as primeiras notícias de quase todos os meios de difusão de massa. Sem dúvida, quando denunciamos que, sob o mandato de um chefe do governo espanhol, dezenas de militantes do ETA foram executados extrajudicialmente, sem que ninguém protestasse nem o denunciasse diante da Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas, e outro chefe de governo, num momento difícil da guerra de Kosovo, aconselhou ao Presidente dos Estados Unidos intensificar a guerra, multiplicar os bombardeios e atacar os objetivos civis, causando a morte de centenas de inocentes, e imenso sacrifício a milhões de pessoas, a imprensa diz apenas: "Castro arremeteu contra Felipe e Aznar". Do conteúdo real, nem uma palavra.
Em Miami e em Washington discute-se hoje onde, como e quando se atacará a Cuba, ou se resolverá o problema da Revolução.
De imediato, fala-se de medidas econômicas que endureçam o brutal bloqueio, mas ainda não sabem qual escolher, com quem se resignam a brigar e que efetividade podem ter. Restam-lhe bem poucas. Já gastaram quase todas.
Um cínico rufião, mal chamado Lincoln, e Díaz-Balart como sobrenome, amigo íntimo e conselheiro do presidente Bush, declarou a uma cadeia de televisão de Miami as seguintes palavras enigmáticas: "Não posso entrar em detalhes, mas estamos tratando de romper esse círculo vicioso".
A qual dos métodos para manejar o círculo vicioso se refere? Eliminar-me fisicamente, a partir dos sofisticados meios modernos que desenvolveram, como lhes prometeu o senhor Bush, no Texas, antes das eleições, ou atacar a Cuba, no estilo Iraque?
Se fosse o primeiro, não me preocupa em absoluto. As idéias pelas quais lutei durante toda a vida não poderão morrer, e viverão durante muito tempo.
Se a fórmula fosse atacar a Cuba como ao Iraque, me doeria muito, pelo custo em vidas e pela enorme destruição que significaria para Cuba. Mas talvez seja esse o último dos ataques fascistas desta administração, porque a luta duraria muito tempo, com os agressores enfrentando não apenas a um exército, mas a milhares de exércitos que se reproduziriam constantemente, e fariam o adversário pagar um custo tão grande em baixas, que estaria muito acima do preço em vidas de seus filhos que o povo norte-americano estaria disposto a pagar, pelas aventuras e idéias do presidente Bush, hoje com apoio majoritário, mas decrescente, e amanhã reduzido a zero.
O próprio povo norte-americano, os milhões de pessoas com elevada cultura que ali raciocinam e pensam, seus princípios éticos básicos, dezenas de milhões de computadores para se comunicar, centenas de vezes mais que ao final da guerra do Vietnã, demonstrarão que não se pode enganar a todo o povo, e talvez nem sequer a uma parte do povo, durante todo o tempo. E um dia porá uma camisa-de-força a quem for necessário, antes que possam pôr fim à vida no planeta.
Em nome do milhão de pessoas aqui reunidas, neste Primeiro de Maio, desejo enviar uma mensagem ao mundo e ao povo norte-americano:
Não desejamos que o sangue de cubanos e norte-americanos seja derramado numa guerra; não desejamos que um incalculável número de vidas de pessoas que podem ser amistosas se perca numa contenda. Mas nunca um povo teve coisas tão sagradas a defender, nem convicções tão profundas pelas quais lutar, a ponto de preferir desaparecer da face da Terra, antes de renunciar à obra nobre e generosa pela qual muitas gerações de cubanos pagaram o elevado custo de muitas vidas de seus melhores filhos.
Acompanha-nos a convicção mais profunda de que as idéias podem mais que as armas, por sofisticadas e poderosas que estas sejam.
Digamos como o Che, ao despedir-se de nós:
Até a vitória sempre!
VIVA LULA PRESIDENTE DO BRASIL.
Sábado, Outubro 11, 2003
DISCURSO PRONUNCIADO PELO COMANDANTE-EM-CHEFE FIDEL CASTRO RUIZ, PRESIDENTE DA REPÚBLICA DE CUBA, NO ATO DE ABERTURA DO ANO ESCOLAR 2003-2004. PRAÇA DA REVOLUÇÃO, 8 DE SETEMBRO DE 2003.
Queridos compatriotas:
Entre todos os países, grandes ou pequenos, ricos ou pobres, Cuba já ocupa o primeiro lugar no campo da educação. Foi possível conseguir isso, partindo de 30 por cento de pessoas com idade suficiente que não sabiam ler nem escrever, e 60 por cento de analfabetos funcionais, se consideramos os jovens e adultos desprovidos de conhecimentos e cultura, que não tinham passado da terceira ou quarta série de um ensino primário extremamente deficiente.
Não existiam professores suficientes para educar a milhões de crianças e adolescentes. Foi necessário formá-los. Não havia professores nem escolas para eles, quando a grande massa chegasse à sexta ou nona série. Foi necessário prepará-los, combinando as tarefas de uma abnegada vanguarda como estudantes de Pedagogia, saindo da décima série e, ao mesmo tempo, professores de ensino secundário, e mais tarde fazer o mesmo nos centros de ensino médio superior, com colegial completo.
Chegou-se a construir anualmente até cinqüenta mil vagas escolares para alunos do ensino médio.
Na época, dispunha-se de apenas três centros universitários, com um reduzido grupo de cursos. Foram criados, em menos de 25 anos, mais de 50 centros de ensino superior, onde atualmente são dados 85 cursos diferentes.
Hoje se estende progressivamente o ensino universitário a todos os municípios do país, como necessidade iniludível de uma pujante revolução educacional.
Não havia creches, nem escolas especiais, nem escolas esportivas, nem escolas técnicas e de formação profissional, nem escolas primárias suficientes para a massa total de crianças e adolescentes em idade escolar. A perseverança, a paciência e o heroísmo de nosso povo realizaram o milagre de criar milhares dessas escolas, onde hoje estudam 2.500.474 crianças, adolescentes e jovens, e dezenas de centros universitários, onde neste ano letivo estão matriculados mais de 300 mil estudantes.
Tudo isso a Revolução criou a um ritmo que não tem precedente nem paralelo na história.
Compare-se com o que há no Terceiro Mundo e nos próprios países desenvolvidos.
Cuba ostenta hoje, reconhecido por prestigiosas instituições, o primeiro lugar nos conhecimentos de Matemática e Linguagem dos alunos de ensino primário. Cem por cento das crianças estão matriculadas na série correspondente a sua idade, sem atraso escolar, e todas atingem a sexta série. Noventa e nove por cento chegam à nona série, e podem continuar os estudos no ensino colegial todos os que chegam a essa série.
De uma população total de 11.177.743 habitantes, apenas 0,2 por cento são analfabetos, quase todos pessoas de idade avançada, que não dispuseram do sistema educacional com que nosso país conta atualmente.
As crianças de Cuba desfrutam hoje do melhor índice de professores em sala por alunos de ensino primário: um por cada 20, ou dois, se ultrapassa esse número. Como todos sabem, o índice nesta cidade reduziu-se, em apenas dois anos, de 37 a 18 por professor e classe, com a reparação total ou novas construções de 789 escolas primárias e secundárias.
Foram criadas, no verão de 2001, quinze escolas de instrutores de arte.
Novas escolas de pintura, teatro, dança e música se espalham por todas as capitais de províncias e cidades importantes do país.
Dois novos canais de televisão educativa foram criados: um já presta serviços nacionalmente, e o segundo estará em pleno funcionamento dentro de seis meses.
A Feira do Livro, que antes ocorria somente na capital, hoje se realiza em pelo menos 30 cidades.
Novas capacidades de impressão permitirão o acesso em massa de toda a população às melhores obras literárias e de temas científicos, políticos, sociais e culturais, a um custo mínimo, mediante o sistema de bibliotecas familiares, idealizado em Cuba e que começa a se estender a outros países, da mesma maneira que os sistemas de alfabetização por rádio e televisão, chamados a revolucionar a educação no mundo.
A lista de criações e novos métodos educativos e culturais, de grande impacto social e humano, seria interminável. Nem os mais encarniçados inimigos da Revolução se atreveriam a negá-lo.
Em que condições se inicia o novo ano letivo, após os extraordinários avanços feitos nos últimos quatro anos e sem ter terminado ainda o Período Especial?
Após dez anos de pesquisa científica, nosso país aplica em todo o território nacional, desde o ano 1992-1993, o programa social "Eduque seu filho", cujo objetivo é a preparação da família para conseguir o desenvolvimento integral das crianças de zero a seis anos. É a própria família quem sistematicamente realiza as ações educativas fundamentais com seus filhos. A paulatina extensão do programa possibilitou atender, por vias institucionais e vias não-formais, como creches e classes pré-escolares, a 99,5 por cento das crianças nessa faixa etária.
Foi decisiva a integração dos médicos e enfermeiras da família, dos instrutores de cultura e esporte, das federadas [membros da Federação de Mulheres Cubanas (N. do T)], dos cederistas [membros dos Comitês de Defesa da Revolução (N. do T)], dos representantes dos sindicatos e das organizações camponeses, dos governos locais e, em particular, dos conselhos populares, em conjunto, mais de cem mil executores, como são qualificados, que são os encarregados de preparar, atender e apoiar as famílias. A formação destes está a cargo de mais de 30 mil promotores, que os preparam e assessoram. Dessa cifra, 8.286 são docentes qualificados do Ministério de Educação.
A avaliação realizada no ano de 1999 demonstrou que 87 por centro de uma amostra de 48 mil crianças atingiu todos os índices de desenvolvimento previstos para sua idade, o que representou 34,6 pontos percentuais acima da avaliação realizada em 1994. Das famílias avaliadas, 87 por cento, ou seja, mais de 47 mil, reconhecem que ocorreram mudanças de atitude nas relações com suas crianças: dedicam-lhes mais tempo, são mais carinhosos, escutam-nas, não utilizam maltrato físicos ou psíquicos. Também reconhecem a contribuição do programa ao enriquecimento cultural das famílias: 62 por cento manifestam que escutam mais música, 52 por cento incorporaram a visita a museus e instituições culturais, 44 por cento incrementaram o hábito de ler, e 64 por cento se preocupam mais em adquirir livros de histórias para seus filhos e em lê-los.
Como resultado do sistema de atenção educacional às crianças desde o seu nascimento até os seis anos, 96,8 por cento dos que saíram do ensino pré-escolar no recém terminado ano letivo atingiram um adequado nível de desenvolvimento das habilidades básicas que lhes possibilita enfrentar com sucesso o ensino escolar.
A inclusão da computação nas idades pré-escolares em nosso país constitui uma experiência inovadora e única, pelo caráter massivo que alcança, e pelos princípios e concepções científicas e pedagógicas que a fundamentam. Sua introdução generalizada é acompanhada da pesquisa que permite definir nossa posição sobre seu uso na educação das crianças pré-escolares, de acordo com a concepção assumida pelo processo educacional para prevenir, identificar, controlar e eliminar qualquer fator de risco pelo uso da computação nessas idades.
No curso recém terminado, tiveram acesso à computação, com uma freqüência semanal de 30 minutos, 117.868 crianças que cursaram o pré-escolar nas escolas primárias. A partir deste ano, serão beneficiados adicionalmente os 23.527 menores matriculados na pré-escola das escolas de educação infantil, para o que está prevista a instalação dos equipamentos pertinentes nesses centros.
Conta-se com 823 docentes que se prepararam como educadores de computação para essas idades, e que continuam sua preparação no nível superior. As observações realizadas até o momento demonstram a contribuição para o desenvolvimento da motricidade fina e de habilidades intelectuais desses menores, que constituem objetivos que devem ter atingido ao sair da educação pré-escolar e como base para seu ingresso na primeira série.
No presente ano letivo, 84 por cento das classes de ensino primário terão 20 crianças ou menos.
Conta-se com reserva de professores em todas as províncias, exceto Havana, Matanzas e Camagüey, nas quais se trabalha para superar essa dificuldade.
A excelente situação atual foi possível pela incorporação de mais de 14.662 jovens professores emergentes, que tiveram grande êxito.
Já estão com horário integral 96,6 por cento dos alunos de ensino primário de todo o país. Mas a principal transformação foi no aperfeiçoamento da organização escolar, que permitiu um horário único, em que as atividades docentes se desenvolvem tanto no período da manhã como no da tarde. Será adicionada uma aula semanal de Língua Espanhola e uma de matemática; na primeira, serão priorizados a ortografia, o uso do dicionário, a caligrafia, a produção e compreensão de textos; e na segunda, serão reforçados os conteúdos de cálculo, solução de problemas, tratamento das grandezas e Geometria.
Será incluída mais uma aula semanal de Inglês, a partir da terceira série até a quinta, e duas na sexta série, utilizando meios audiovisuais. Essas aulas começarão no mês de janeiro.
Foram elaborados 41 softwares que provocarão uma mudança fundamental no processo docente-educativo, entre o professor da classe e o professor de computação. Ambos conduzirão atividades em conjunto, tanto docentes como extradocentes, que permitirão elevar a qualidade da aprendizagem e a formação de uma cultura geral integral.
Uma avaliação da qualidade da educação na Cidade de Havana, realizada no ano de 1999, revelou que suas crianças não atingiam os conhecimentos da série com a qualidade e rapidez necessárias. Prova disso, é que na quarta série atingiram 43,3 por cento de respostas corretas em Matemática e 53,5 por cento em Língua Espanhola.
As medidas especiais aplicadas à educação na Cidade de Havana permitiram comprovar que, em junho do presente ano, as respostas se elevaram a 71 por cento em Matemática e a 86 por cento em Linguagem. Os conhecimentos da série elevaram-se em 60% em relação a 1999.
A educação especial no presente ano escolar, como vem ocorrendo há anos, assegura a atenção a todas as crianças com deficiência física ou retraso mental compatível com a possibilidade de estudar, 51.938 na atualidade, para o que se conta com 14.600 professores e especialistas. Receberão atendimento na casa, 1.386 crianças, através do professor ambulante, para o que se conta com 580 professores, e será garantido o atendimento a 372 alunos em 22 classes hospitalares.
Destaca-se nesse ensino a introdução de inovadores métodos para o tratamento de 241 crianças autistas, 106 surdo-cegas e 14 com implante coclear. Trabalha-se na introdução e validação de novos meios e equipamentos para facilitar o acesso dos alunos com determinadas deficiências à informática: tela táctil, visual voice, interruptores, teclado inteligente e scanners.
Criaram-se mais 252 vagas de intérpretes de língua de sinais e professores de apoio para estudantes surdos, cegos e deficientes físico-motores, o que permitirá elevar a qualidade da atenção que lhes é oferecida.
Neste ano letivo começou a funcionar uma moderna tipografia Braille, para a edição de livros de textos e outros, que permitirão aos cegos elevar sua cultura geral integral. Contamos com 193 grupos de diagnóstico e orientação em todo o país, com mais de 1.056 especialistas dedicados à avaliação e diagnóstico dos alunos com necessidades educativas especiais.
Continuou o desenvolvimento do programa de computação em todos os centros dos diversos ensinos, beneficiando a cem por cento dos alunos, contando com 46.290 computadores instalados na educação pré-escolar, primária e média, incluídas todas as escolas rurais, para o que foi necessário eletrificar com painéis solares a 2.368 escolas, 93 das quais contam com apenas um aluno, o que evidencia a atenção esmerada que a Revolução presta à educação de cada criança, sem qualquer exceção.
O atual plano de estudo permite que o estudante domine o funcionamento do computador, o processamento de textos, gráficos, tabelas, criação de apresentações em multimídia e páginas web, bem como a solução de problemas vinculados a diferentes áreas do conhecimento. E um fato de suma importância: incrementa-se de maneira progressiva o uso do computador como meio de ensino para a aprendizagem de outras disciplinas.
O programa conta com 19.227 professores de computação, dos quais 13.805 são novos empregos. Conta-se com duas novas coleções de softwares educativos: "Multi-saber", 41 programas para educação primária e especial, e "O Navegante", 37 programas para o ensino secundário. Isso permitirá o uso do software educativo em apoio ao desenvolvimento de todas as disciplinas da educação primária e secundária.
Esses softwares se caracterizam por serem altamente interativos, pelo emprego de recursos multimídias, como vídeos, sons, fotografias, dicionários especializados, explicações de experientes professores, exercícios e jogos instrutivos que apóiam as funções de avaliação e diagnóstico.
Nas escolas de instrutores de arte, a projeção de matrículas para esse ano é de 4.840 no primeiro ano, 4.038 no segundo, 3.605 no terceiro e 3.523 no quarto e último ano.
O corpo docente está formado por 2.929 professores, 948 deles de formação geral, e 1.981 das especialidades; deles, 1.384 combinam essa tarefa com suas atividades como profissionais da cultura.
Dos 158.800 formados na nona série no ano passado, passaram para o colegial 89.100, e 69.700 entraram na educação técnica e profissional.
Em setembro do ano 2001, criou-se o curso de superação integral para jovens. Dois anos depois de haver começado, já se pode avaliar o enorme impacto que teve na família, na comunidade, nos estudantes e docentes, a partir das mudanças no modo de agir desses jovens.
O ano passado terminou com uma matrícula de 102.005 jovens, sendo que 64.488 deles estão no colegial e 34.318 entraram na educação superior.
O programa educacional "Álvaro Reynoso" foi conformado durante o ano letivo 2002-2003, e neste ano apresenta um total de 128.377 trabalhadores incorporados, sendo que, para 38.103 deles, ou seja, 30 por cento, o emprego é o estudo; 4.786, por seu elevado nível, trabalham como professores, e os demais 85.488 combinam o trabalho com o estudo.
Neste ano que se inicia, em conseqüência dos planos da Revolução, mais de 100 mil compatriotas ingressam na educação superior. Um importante incremento ocorre com a matrícula de alunos que ingressam nos cursos dados nos municípios, como um novo paradigma da educação superior cubana em seu atual desenvolvimento.
Nos cursos pedagógicos, o modelo da universalização sustenta-se na colocação dos estudantes em 5.204 centros docentes considerados micro-universidades, sob a orientação dos tutores que os acompanharão por todo o curso, e garantiu-se a bibliografia básica, fundamentalmente com um CD por curso para cada estudante. Neste ano, participarão 41.973 docentes, entre professores de sedes e tutores.
O desenvolvimento do plano de reparação geral das 110 escolas correspondentes ao restante do país em 2003 ¿ que inclui a ampliação do número de salas de aulas, para garantir classes de 20 ou menos crianças no ensino primário, e o horário integral na secundária básica ¿, bem como a total substituição do mobiliário escolar constituíram um forte estímulo para a elevação da qualidade da educação em todas províncias.
Dessas 110 escolas do plano de 2003, 31 estão concluídas para iniciar o ano letivo, 56 estarão terminadas ainda no mês de setembro, 20 em outubro, e 3 entre novembro e dezembro. Será realizado um especial esforço, para realizar em 2004 a reparação geral de outras 200 escolas. Desejaríamos um número ainda maior, mas deve-se considerar que se está realizando, simultaneamente em todo o país, um programa de grande importância no setor da saúde, que requer numerosas atividades construtivas.
O que caracteriza e tornará histórico esse ano letivo de 2003-2004 é uma profunda e inédita revolução do ensino secundário ¿ sétima, oitava e nona séries ¿ em Cuba, que terá ressonância mundial. Esse ensino ¿ elo decisivo para a formação da personalidade e para a vida de todas as crianças e adolescentes ¿ é o de maior complexidade e constitui, na esfera da educação, um verdadeiro desastre internacional.
Num sistema de ensino em que um professor super-especializado se vê obrigado a dar aulas a 200 ou 300 estudantes divididos em grupos de 30 ou 40 alunos, ele não tem como conhecer os nomes de todos os seus discípulos, suas características individuais, seus problemas pessoais, o núcleo familiar e o meio social em que desenvolvem sua vida, nem como oferecer a atenção esmerada e diferenciada que cada adolescente necessita. Luz y Caballero já buscou expressá-lo, em sua célebre frase, tal como a interpretamos: educar é mais importante e difícil que instruir. Uma verdade irrebatível. Pensamos que hoje em nossa pátria as duas coisas podem ser realizadas. No mundo atual onde se impoe a educação em massa qualquer que for o esforço e a qualidade dos professores, o sistema tradicional não pode educar, nem pode instruir.
Um norte-americano, o Prêmio Nobel de Física em 1988, Leon Max Lederman, disse recentemente algo muito interessante: "É urgente melhorar a educação. O importante é que, quando o adolescente saia da secundária básica, tenha uma maneira científica de pensar, independentemente da profissão que vá escolher depois".
"É necessária uma reforma na secundária básica, para que os estudantes estejam à altura do século XXI, para que possam assumir o desenvolvimento acelerado e suas conseqüências sociopolíticas; têm de ser capazes de ganhar o pão e, ao mesmo tempo, estar comprometidos com a racionalidade como uma forma de vida. Lidar com um mundo em constante transformação".
"Se tudo isso se tornasse realidade" ¿ acrescenta ¿ "os novos formados da secundária sairiam mais conhecedores das ciências que aqueles que terminaram o colegial, e inclusive que os diplomados em Harvard. Sem dúvida, seriam melhores pais, filhos, políticos, trabalhadores, seres humanos. O estudante agora denominado médio sairia como um gênio".
Para nós ¿ que há tempo estávamos conscientes da necessidade de enfrentar a situação desse ensino ¿, a dificuldade fundamental consistia na forma de conciliar a necessária qualificação do docente, sua vocação pessoal, o número e a freqüência de cada matéria e a quantidade total de professores necessários.
Em meio à batalha de idéias, esforçávamo-nos por buscar soluções. Surge entre elas a idéia de formar um professor integral. Embora fosse necessário um esforço imenso, não hesitamos em caminhar nessa direção.
Entretanto, o que fazer com o grande número de excelentes professores especializados durante tantos anos?
A busca incessante de soluções nos conduziu finalmente a formas que, a partir de muitas outras idéias já provadas e da experimentação concreta, tornaram possível o método audaz e revolucionário finalmente adotado, cuja aplicação massiva se inicia precisamente hoje, 8 de setembro de 2003.
Este soma os sólidos conhecimentos dos professores especializados, um pujante contingente de jovens professores emergentes comprometidos em dar todas as matérias, acompanhar e percorrer com seus alunos os três anos, e o emprego exaustivo e sistemático dos mais modernos meios audiovisuais.
O resultado final será um professor por cada 15 alunos, fundamentalmente em classes de 30, com dois professores cooperando estreitamente, mas responsáveis, cada um deles, por tudo que se relacione com a educação e formação dos 15 alunos cuja tutela, direção e preparação para a vida assumem durante essa decisiva etapa escolar.
As maiores dificuldades estavam, como é habitual, na capital do país. Tendo sido recrutados aí muitos milhares de jovens para formar-se como assistentes sociais, professores emergentes de primário, enfermeiras igualmente emergentes, técnicos em fisioterapia e outros serviços de saúde, professores de computação, alunos especialmente selecionados para a Universidade das Ciências da Informática ¿ já funcionando e em rápida expansão, embora ainda não inaugurada ¿, a cidade carecia de pessoal jovem suficiente com 12 séries de escolaridade, para formar-se como professores emergentes. A isso se somava que a educação na capital era a mais deficiente de todo o país, e arrastava suas seqüelas na qualidade dos conhecimentos e na formação de seus jovens.
Não se podia perder um minuto. Em auxílio à capital, acudiram mais de quatro mil excelentes jovens formados no colegial, procedentes das demais províncias do país, que ingressaram na prestigiosa escola "Salvador Allende", os quais transmitirão seus conhecimentos durante um ano, em companhia de valiosíssimos professores especializados. Assim será sucessivamente a cada ano, com os novos professores emergentes da Escola "Salvador Allende", até que a Cidade de Havana conte com pessoal suficiente. Eles, portanto, acompanharão a seus alunos quando voltem a suas províncias de origem.
Os resultados da escola experimental "Yuri Gagarin" e de outra similar, a "José Martí", de Havana Velha, avalizam as vantagens da nova concepção no ensino secundário básico, o que constitui uma contribuição revolucionária e inovadora da educação na formação dos adolescentes.
Entre os principais resultados, encontram-se os seguintes: melhor freqüência e pontualidade às aulas; predomínio, no controle da disciplina, da persuasão e da auto-regulação dos alunos; uma boa comunicação professor-aluno-família, e se avalia de maneira muito positiva a qualidade das aulas.
São alcançados resultados de aprendizagem superiores aos do modelo anterior, na comparação com o diagnóstico inicial dos alunos, aplicando instrumentos dos padrões internacionais em Matemática e Espanhol.
Estes são:
A escola "Yuri Gagarin", no início do ano, em outubro de 2002: em conhecimentos de Matemática, 31,9 por cento de respostas satisfatórias; em maio de 2003, a cifra elevou-se a 65,7 por cento. Em conhecimentos de espanhol, etapa inicial, outubro de 2002: 57,9 por cento de respostas satisfatórias; em maio de 2003, 77,3 por cento.
Escola "José Martí", no início do ano, em outubro de 2002: em conhecimentos de matemática, 30 por cento de respostas satisfatórias; em maio de 2003, a cifra se elevou a 54,3 por cento. Em conhecimentos de Espanhol, etapa inicial, outubro de 2002: 57,2 por cento de respostas satisfatórias; e maio de 2003, 70,1 por cento.
Escolas controle "Jorge Vilaboy" e "Enrique Galarraga". No início do ano, em outubro de 2002, em conhecimentos de Matemática, 31,9 por cento de respostas satisfatórias; em maio de 2003, 44 por cento. Em conhecimentos de espanhol, etapa inicial, outubro de 2002, 59,1 por cento de respostas satisfatórias, e em maio de 2003, 54,7 por cento.
Os alunos da "José Martí" e da "Yuri Gagarin" duplicaram seus conhecimentos com relação às escolas controle que continuaram com o método tradicional. Adicionalmente, ao concluir o ano letivo 2002-2003, a "Yuri Gagarin" obteve 99,16 por cento de alunos aprovados, e apenas 3 reprovados, entre 358 alunos. A escola experimental "José Martí", um centro muito mais complexo, obteve 98,8 por cento de alunos aprovados, e 14 reprovados, entre 1.167 alunos.
Cem por cento das escolas secundárias básicas do país, com uma matrícula de 494.318 alunos, começarão o ano com o método explicado anteriormente, e que se pode qualificar como síntese de todas as experiências acumuladas, entre elas, como é lógico, as das escolas experimentais "Yuri Gagarin" e "José Martí".
Nesta proeza, destaca-se a resposta dada pelos professores em exercício do ensino secundário básico, dos quais, 33.281, o que equivale a 94,8 por cento, expressaram sua disposição de se incorporar ao programa, o que, dada a função que desempenharão em nossa sociedade, torna-os merecedores, com toda justiça, do qualificativo de professores integrais.
Destaca-se igualmente a decisiva e extraordinária contribuição do corpo docente da escola "Salvador Allende", integrado por 409 professores, 89 deles mestres, e 43 doutores em ciências.
Do total de alunos do ensino secundário básico no corrente ano escolar, 95 por cento serão beneficiados com o horário integral.
No contexto da revolução educacional, o uso da televisão, do vídeo e da computação se convertem em fatores insubstituíveis com fins instrutivos e educativos, e contribuem para estimular o interesse e a motivação dos alunos, seu pensamento independente, a reflexão crítica, o entusiasmo pela pesquisa e a criatividade, o que permitirá continuar aperfeiçoando o processo de ensino-aprendizagem, na busca constante de elevar a qualidade educacional.
A disciplina de Informática, com 172 horas previstas no plano de estudo, incrementa-se a 216 horas. Na sétima e oitava séries, 50 por cento da carga docente serão para aulas propriamente, com a Informática como objeto de estudo, e 50 por cento como meio de ensino, com a participação do professor de computação e do professor integral. Na nona série, será dada como meio de ensino, através de todas as disciplinas.
Avaliam-se de maneira muito positiva os esforços realizados pelos teleprofessores e assessores, por conseguir classes atrativas e inovadoras, com profundo enfoque científico e a satisfação de interesses e motivações dos alunos, com o uso de materiais didáticos, técnicas de aprendizagem, métodos de estudo e atividades dirigidas ao desenvolvimento do pensamento lógico, a partir do uso das novas tecnologias.
O programa de aulas em vídeo da secundária básica contará com todas as aulas gravadas de matemática, Espanhol-Literatura, história e Inglês de todas as séries, bem como de Física da oitava e nona série, que servirão como um suporte excepcional, para a preparação de alunos e docentes.
As gravações das aulas são realizadas com o trabalho dos professores em duplas e com a participação de alunos de Secundário Básico. Na Cidade de Havana, participam um total de 28 teleprofessores e 252 alunos, distribuídos em 14 grupos; nas províncias de Cienfuegos, Villa Clara e Santiago de Cuba, 24 docentes e 216 alunos, para um total, em todo o país, de 52 docentes e 468 alunos que participaram das gravações das aulas em vídeo durante o período de férias, e continuarão até concluir o ano letivo, demonstrando um extraordinário entusiasmo e consagração diante dessa tarefa.
Unido ao anterior, nesse plano de estudo, as freqüências semanais das disciplinas Matemática e Espanhol-Literatura subiram a cinco, além de 20 por cento de novos conteúdos, que incluem Informática, Educação para o Trabalho e História na nona série.
Tem especial significação o fato de que nos dois períodos serão dados conteúdos de disciplinas, dedicando diariamente três ou quatro aulas a repassar, exercitar e consolidar os conteúdos dados por televisão e vídeo.
As disciplinas incluídas nessa programação são Educação Artística, na sétima série, Biologia, Geografia e Química na oitava e nona séries, e Educação para o Trabalho também na nona série.
Para estender o período integral a todas as secundárias básicas da capital, foram construídas 550 salas de aulas, quatro novas secundárias básicas e três ampliações. Criaram-se 13 vilas para albergar os professores integrais que trabalharão nas escolas secundárias básicas da capital. Trabalhou-se de maneira discreta, mas o esforço realizado com apoio de outras províncias foi verdadeiramente notável e meritório.
Para conseguir que a maior parte das matrículas nas escolas secundárias básicas do país esteja em horário integral, trabalhou-se em conjunto com os demais organismos e organizações, na busca dos locais necessários, o que, unido à designação de mais de 120 mil vagas escolares para o plano que vinha sendo executado, permitirá que todos os locais de que disponhamos contem com o mobiliário necessário.
Em setembro, teremos 177 escolas secundárias básicas oferecendo o serviço da merenda escolar a 93.169 estudantes e 9.728 trabalhadores, com o que, somados aos 115.110 alunos internos desse nível de ensino, estaremos beneficiando a 42 por cento da matrícula total.
Desde agora até setembro do próximo ano, cem por cento dos alunos não-internos receberão essa merenda, que contém aproximadamente 40 por cento das proteínas requeridas nessa idade.
Devo assinalar que oito países, grandes e pequenos, entre eles um pertencente à OCDE, estão aplicando o método cubano de alfabetização por rádio e televisão. Chovem o interesse e a solicitação de cooperação técnica e assessoria de Cuba. Esse irrefreável movimento poderia contribuir para erradicar em curto prazo a vergonhosa e interminável cifra de 860 milhões de analfabetos e bilhões de semi-analfabetos do Terceiro Mundo.
Os mais pérfidos inimigos, dentro e fora do país, estão abalados com a heróica resistência de nosso povo e com os êxitos da Revolução, especialmente a partir da batalha de idéias e do progressivo desmoronamento da ideologia neoliberal e a insustentável ordem econômica imposta ao mundo, já em plena decadência e profunda crise. Há pessoas dissimuladas impacientes para lançar novos ataques, incapazes de compreender que já não há força no mundo que possa vencer a Revolução Cubana, se, como vimos fazendo durante meio século, somos capazes de perceber e superar nossos erros e de preservar as virtudes que nos deram e sempre nos darão a vitória.
O nome de Cuba passará à história pelo que fez e está fazendo pela humanidade, nos campos da educação, da cultura e da saúde, na época mais difícil que nossa espécie conheceu.
Bloqueado nosso país pela única superpotência, e quase bloqueado pela Europa, as duas juntas não poderão derrotar a Revolução Cubana, entre outras razões, porque as duas juntas não têm nem terão jamais o capital humano, nem os valores morais para fazer o que a Cuba Socialista foi capaz.
Viva o Socialismo!
Pátria ou Morte!
Venceremos!
VIVA LULA PRESIDENTE DO BRASIL!
PT UM PARTIDO SÉRIO.
Jussara
www.midiasemmascara.blogger.com.br.index/html
Sexta-feira, Outubro 10, 2003
Carta aberta a Jorge Semprún
FREI BETTO
Semprún, a cabeça pensa onde os pés pisam. Os do presidente
Lula, os meus e os de todos nós, latino-americanos,
trafegam
sobre o solo desta América Latina historicamente tão
espoliada pelas nações européias. Minas, o meu Estado,
produziu, entre os séculos 18 e 19, mais ouro que a
soma
de toda a prata extraída em nosso continente no mesmo
período. Nosso ouro financiou a Revolução Industrial,
pagou dívidas da Coroa francesa e, para nós, restaram
os buracos e o sofrimento dos homens e mulheres livres
que os europeus caçaram na África e trouxeram como escravos
para a América.
Só nós, latino-americanos, conhecemos o tamanho de nossa
dor. Como seria alentador ver os europeus pagarem a
enorme
dívida social contraída com o Terceiro Mundo! Não foram
Deus e a natureza que tornaram a África tão miserável,
palco de guerras cujas armas não são fabricadas naquele
continente nem comercializadas por empresas africanas...
A América Latina sabe o tamanho de seu sofrimento enquanto
colônia da Espanha e de Portugal, da Holanda, da França
e da Inglaterra. Por isso, nossos heróis não são reis
e homens que se destacaram à frente de guerras, mas
sim
figuras libertárias como Bolívar e Tiradentes, Tupac
Amaru e Martí, Sandino e Che Guevara. Aqueles que lutaram
anos para que, hoje, o Brasil fosse um país democrático
-após 21 anos de ditadura militar- e que, depois da
redemocratização,
construíram o movimento social e político que levou
Lula
à Presidência da República bem sabem o que significa
a Revolução Cubana para nós latino-americanos.
Cuba é um símbolo de resistência. Bloqueada há mais
de
40 anos, ameaçada permanentemente, palco de ações terroristas
e conspiratórias, viu-se obrigada a recorrer à União
Soviética porque o governo dos EUA não entendeu que
Fidel,
após a vitória da revolução, desfilou na Quinta avenida,
em Nova York, em busca de solidariedade, e não de hostilidade.
Se queremos mais liberdade em Cuba, que Cuba seja libertada
do bloqueio imposto pelo governo dos EUA
Hoje Cuba apresenta, segundo o Bird, os melhores índices
sociais entre os países da América Latina, sobretudo
em matéria de educação e saúde. O analfabetismo atinge
apenas 0,2% dos cubanos, quase todos pessoas de idade
avançada. No ensino fundamental, há um professor para
cada 20 alunos, que é o limite máximo de estudantes
em
sala de aula. A mortalidade infantil é de 6,5 em cada
1.000 nascidos vivos, no primeiro ano de vida, enquanto
nos EUA é de 9 por 1.000. Agora, sem nenhum apoio externo,
Cuba enfrenta toda sorte de dificuldades para assegurar
dignidade a 11 milhões de habitantes. Qual país da América
Latina pode colocar esse cartaz que Havana exibe àqueles
que chegam pela porta do aeroporto: "Nesta noite, milhões
de crianças dormirão nas ruas do mundo. Nenhuma delas
é cubana".
Semprún, nós, brasileiros, abominamos a pena de morte,
embora ela exista em nosso meio de uma forma que o governo
Lula se empenha em combater: a fome, o desemprego, a
violência urbana e rural etc. Todas as vezes que o governo
cubano decidiu aplicá-la, manifestamos a ele o nosso
descontentamento. Eu mesmo entreguei a Fidel, em companhia
dos escritores Antonio Callado e Fernando Morais, um
manifesto, encabeçado pelo cardeal Paulo Evaristo Arns,
expressando nossa posição contrária à pena de morte,
por ocasião da sentença ao general Ochoa.
É, no mínimo, leviano acusar o presidente Lula de omissão
quando se trata de direitos humanos. Que outro país
do
mundo se empenha tanto, como o Brasil de hoje, para
erradicar
a fome em nosso planeta? Você conhece muitos artistas
e intelectuais que lutam em prol da erradicação da Aids.
E merecem aplausos. Hoje, o HIV infecta 40 milhões de
pessoas no mundo. Mas quantos lutam contra a fome -que,
segundo a FAO, ameaça 840 milhões de pessoas? A fome
mata 20 vezes mais do que a Aids e, no entanto, nós,
os bem nutridos, sabemos que a Aids não faz distinção
de classe. Por isso ela nos mobiliza. A fome não; só
atinge os miseráveis. Por isso tão pouco nos empenhamos
em combatê-la.
Em sua recente viagem a Cuba, o presidente Lula teve
o cuidado de ouvir diferentes setores da sociedade.
Recebeu
o cardeal Jaime Ortega e o monsenhor Carlos Manuel de
Céspedes, de quem obteve informações sobre a situação
de presos políticos. Esteve também com a mãe do brasileiro
Paulo Hilel, preso em Cuba sob acusação de tráfico de
pessoas. Essas conversações versaram sobre direitos
humanos.
Lula e Fidel são amigos. E entre amigos tudo se diz,
sem que haja necessidade de transformar a crítica em
denúncia e, assim, submeter-se à vergonha de merecer
aplausos daqueles que gostariam de ver Cuba, de novo,
como o bordel do Caribe, território livre dos mafiosos,
condenada a perder as inestimáveis conquistas da revolução.
Mas posso revelar que Lula tratou, sim, da questão dos
direitos humanos; inclusive da situação dos prisioneiros.
Dois presidentes têm o direito de abordar temas que
não
precisam, necessariamente, chegar ao conhecimento da
mídia. A menos que eles decidam torná-los públicos.
Direitos humanos significam, sobretudo, garantir a toda
uma nação condições dignas de alimentação, saúde e educação.
O dom maior de Deus é a vida. E Cuba pode se orgulhar
de assegurar vida através desses três direitos básicos
a toda a sua população -o que não é o caso dos demais
países da América Latina. Se queremos mais liberdade
em Cuba, que Cuba seja, primeiro, libertada do bloqueio
imposto pelo governo dos EUA. E fique livre também de
tantos que ainda acreditam que democracia se conquista
através de sabotagens, sequestros e ações terroristas.
Carlos Alberto Libânio Christo, o Frei Betto, 59, frade
dominicano, escritor, é assessor especial da Presidência
da República e coordenador do setor de Mobilização Social
do Programa Fome Zero.
VIVA LULA PRESIDENTE DO BRASIL!
Terça-feira, Outubro 07, 2003